Esquema de Jogo

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Análise

Marco Aurélio Cunha e os desafios do futebol feminino

fut-feminino-brasilEsta semana eu trouxe, com exclusividade, a informação sobre a ida do doutor Marco Aurélio Cunha para a CBF, pro cargo de coordenador do futebol feminino. Pois bem, ontem eu tive uma conversa com o agora ex-vereador sobre esse novo projeto. Confira aqui no Esquema de Jogo algumas respostas que ele deu.

Roberto Vieira: Qual o tamanho do desafio na CBF, em especial, com o futebol feminino?

MAC: O primeiro desafio é imediato, temos uma competição importante que é a copa do mundo feminina, depois temos o Pan Americano e logo em seguida as Olimpíadas, em menos de um ano, então é claro que o trabalho não pode ser (…), até porque o trabalho está feito, as pessoas que trabalham lá tem bom nível, falta o quê? Falta infraestrutura no futebol feminino, eu sinceramente não venho buscar resultados, venho buscar soluções para o futuro. Disseminando a prática do futebol feminino de uma maneira lúdica, alegre, que dali sim as meninas de oito, dez anos aprendam a jogar até junto com os meninos de forma miscigenada, jogando de uma forma de prazer, de lazer, a partir daí descobrir quais são as vocações, introduzir isso nos clubes sociais, acho que esse que é o trabalho importante, o resultado virá, mas agora é organizar o que está pronto, ser muito firme e profissional nessa linha e mais do que nunca criar mecanismos pára que isso venha realmente ser disseminado, que seja uma prática gostosa, sem preconceitos, alegre e que as meninas a exemplo do basquete, do vôlei também ascendam ao futebol profissional.

Roberto Vieira: O senhor acredita que dá pra fazer um trabalho de sucesso a longo prazo?

MAC: Eu nunca fui personalista em trabalho, isso será uma soma de esforços de todos, será minha como coordenador, será de cada um que vai se envolver, será da mídia, que quando não se manifesta não está ajudando, quando um patrocínio é escondido, não está ajudando. Não é o esforço de um que vai fazer isso mudar, mas eu espero convencer as pessoas, pedir, rogar, pra que elas deem esse ambiente favorável para as meninas, é isso que eu vou buscar, um desenvolvimento maduro, adequado, interessante, de boa convivência, com padrões morais bem definidos, acho que é isso que a gente tem que fazer.

cunhaRoberto Vieira: Esse convite partiu do presidente Marco Polo Del Nero?

MAC: Foi uma construção, ele partiu do Gilmar Rinaldi e conversando com todas as pessoas que hoje lá trabalham, o Dunga, também os outros diretores de patrimônio, o Dino, enfim, todos aqueles que convivem, o diretor de marketing, que é o Rato, eles todos me conhecem, ai o presidente Marco Polo os ouviu, me chamou para uma conversa e me fez o convite, claro que o convite veio do presidente, mas foi talvez uma comunhão de pessoas influindo, mostrando o trabalho anterior e o convite generoso veio há quinze dias.

Roberto Vieira: Existia essa vontade de voltar a trabalhar no esporte, efetivamente?

MAC: Sempre houve convites, mas eu neguei porque era o meu primeiro mandato (na Câmara Municipal de São Paulo), fui convidado para vários times grandes do futebol brasileiro para realizar o trabalho que fiz no São Paulo, o Muricy (Ramalho) quis me levar pro Fluminense de todo modo, tive sondagem interessante do Grêmio, houve convites do Figueirense pra voltar pra lá e se eu quisesse devolver a oferta e discutir ela aconteceria, mas eu antecipava dizendo que não poderia porque eu tenho um compromisso com a cidade, era meu primeiro mandato. Mas eu estou agora no segundo e eu entendo que só deva haver uma reeleição, senão fica profissional demais, uso e costume, as pessoas se acomodam, então não há mudança, não há renovação, um respeito mútuo que tira o ímpeto de debater. Eu já sabia que não seria mais candidato, eu entendo que já cumpri minha meta na cidade de São Paulo, eu não me sinto desconfortável em fazer essa troca porque ela também é uma troca social.

Roberto Vieira: Se esse convite fosse para trabalhar no São Paulo, o senhor aceitaria?

MAC: Se ele tivesse ocorrido eu teria aceitado, mas ele não ocorreu, a CBF foi mais rápida e teve mais boa vontade.

Roberto Vieira: O Ronaldo (Fenômeno) treinou no Flamengo, seu time de coração, mas foi pro Corinthians porque segundo ele, não fizeram lhe convite, é mais ou menos isso?

MAC: Eu continuo conselheiro do São Paulo e o clube não deve ter obrigação nenhuma de me convidar né? Mas eu não tô indo pro Corinthians, estou pra CBF então a comparação não cabe (risos).

Roberto Vieira: O senhor afirmou que um dia seria presidente do São Paulo. E ai?

MAC: Eu tenho desejo, mas eu acho que a vida nos dá um destino, eu não contrario destinos, se tiver que ser serei, eu não me esforçarei para criar isso, aliás, eu vou falar uma palavra pra entender, entre aspas, eu nunca cavei nada pra mim, nem a política, o Kassab (Gilberto, ex prefeito de São Paulo) me convidou. Na vida nada acontece forçado, você não namora com ninguém forçado, não arruma emprego forçado, não ensina uma lição pro seu filho forçado, as coisas acontecem, eu espero de forma divina e com o meu destino para que as coisas aconteçam.

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Sou jornalista, apaixonado por futebol e política, mas, sobretudo, alucinado pela comunicação! Acredito no Brasil, confio nos seres humanos, sou entusiasta da transformação. Que Deus nos abençoe!