A real medida

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Há praticamente um ano atrás o Santos, de Neymar e Ganso e o Barcelona, de Messi, Xaviniesta, Puyol e Guardiola se enfrentavam em uma das maiores lavadas da história do futebol mundial. 4 a 0, fora o baile, com direito a sermão do Guardiola dizendo que ele fazia o que o pai dele contava que o Brasil (e ele viu um certo time fazer em 92) sempre fez: posse de bola e o tal do futebol-arte. 

No dia seguinte, os comentaristas de VT e os videntes de resultados de ontem já começavam a falar da falência do futebol brasileiro, da diferença de talento dos times do Brasil para os da Europa, que não havia competição e que todos nós somos uns bostas. Esqueceram de algumas coisas:

Esqueceram que o Barcelona não representa o futebol europeu. O Barcelona faz parte de uma elite restrita hoje a 3 ou 4 times que são muito melhores que os outros da própria Europa. Real, Barça, Bayern e Manchester United (podemos sim discordar dos dois últimos) venceriam 90% das seleções nacionais e empatariam com os outros 10% nas CNTP. O Barcelona é a seleção nacional mais vencedora desde o Brasil 58-62, com o futuro melhor jogador de todos os tempos. Para vencer os catalães não é só inventar um “nó tático”, encaixotar o meia e jogar no contra-ataque. Tem que ser o grande dia da sua zaga e o dia que dá tudo errado pra xaviniestamessivillaepedro. Foi o grande dia da defesa do Chelsea e o pequeno dia do Barcelona, o que selou o destino do Corinthians em Yakohama.

Esqueceram também de notar que o Santos jogou muito mal. Aquela goleada não aconteceria não fosse a covardia do Santos no jogo. Aconteceram muitos erros na preparação do time, excesso de descanso (aliás, não dá pra entender porque poupar o time por seis meses para jogar dois jogos, beira a imbecilidade) e a velha e boa Neymardependência, que facilita sempre a vida de grandes defesas, o Santos não tinha a quem marcar no jogo, o Barcelona tinha.

Um ano depois, nesse domingo, descobrimos que sim, existe um buraco técnico relativamente grande entre os grandes europeus e os grandes brasileiros. Enquanto todos os 11 jogadores (inclusive a dupla Ivanovic e Moses, novos ídolos corintianos) já haviam defendido seleções nacionais, apenas Cássio, Ralfpaulinho, Guerrero e Sheik já haviam sido convocados pelos seus países (o Catar, no caso do Emerson) e mesmo assim foi a final mais equilibrada desde que começou a brincadeira pela FIfa em 2005 (2000 tinha outro formato e a final não teve europeu, assim como 2010, antes que você venha me torrar a paciência).

Tite, um dos melhores técnicos do mundo, fez um time minimamente talentoso e incrivelmente organizado. O suficiente para jogar de igual pra igual com boa parte da elite da Europa. Considerando que os melhores times do Brasil tem condição de derrotar o Corinthians é possível afirmar que Fluminense, Grêmio e São Paulo, por exemplo, poderiam vencer esse Chelsea e algumas outras equipes da elite.

Fosse o Chelsea no ano passado, o Santos teria mais chances de vitória, fosse o Barcelona esse ano, jogando o que está jogando, o Corinthians teria problemas. O Campeão da Libertadores de 2013, se quiser vencer o Mundial já tem uma idéia sobre quem torcer na Champions League, eu quero o Málaga, o Negueba ia brilhar em cima do Málaga.