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Voto comprado

Justiça dos Estados Unidos acusa Ricardo Teixeira de ter recebido suborno para votar no Catar como sede da Copa do Mundo de 2022.

Pela primeira vez, Departamento de Justiça norte-americana cita ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e outros dirigentes de participarem de esquema para que Rússia e país asiático recebessem o Mundial.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, na sigla em inglês), em documento tornado público nesta segunda-feira, acusa o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, de ter recebido subornos para votar na Catar como sede da Copa do Mundo de 2022.

A acusação está num novo indiciamento do “Caso FIFA”, a maior investigação da história sobre corrupção no futebol.

O valor da propina não foi divulgado.

É a primeira vez que a justiça norte-americana acusa dirigentes nominalmente de terem recebido suborno nas votações para eleger as sedes da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, e de 2022, no Catar.

A denúncia, no entanto, não cita a origem das propinas.

A defesa de Ricardo Teixeira nega as acusações.

Em entrevista recente à CNN Brasil, o ex-dirigente afirmou que as acusações do DOJ contra ele eram “perseguição” por ele ter votado no Catar e não nos Estados Unidos que também queria ter sido sede da Copa de 2022.

O ex-presidente da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), Nicolas Leoz (morto no ano passado) e o ex-presidente da AFA (Associação de Futebol Argentino), Julio Grondona (morto em 2014) também foram acusados de trocar seus votos no Catar por dinheiro.

O DOJ acusa ainda o ex-presidente da Concacaf , Jack Warner, de ter recebido US$ 5 milhões para ter votado na Rússia como sede da Copa de 2022.

É a primeira vez que Teixeira recebe uma acusação formal de suborno no processo de votação para eleger a sede da Copa do Mundo de 2022, feita em 2010.

O nome do ex-dirigente brasileiro já havia sido citado em denúncias feitas pela revista “World Soccer” e pelo jornal “Folha de São Paulo”.

O ex-presidente da CBF também é citado no relatório de Michael Garcia, investigador independente responsável por analisar o processo de votação dos Mundiais de 2018 e 2022. O documento aponta que um total de US$ 2 milhões teriam sido pagos à filha de 10 anos, à época, de um membro da FIFA antes da escolha do Catar. Tal dirigente seria Teixeira.

O relatório Garcia, como ficou conhecido, também apontou que Teixeira recebeu tratamento “top vip” e se hospedou por quatro noites na suíte presidencial do hotel Four Seasons, em Doha, ao custo diário de US$ 5.490 durante um amistoso entre Brasil e Argentina em 2010.

O valor foi 18 vezes maior aos quartos destinados aos jogadores.

Teixeira está entre os acusados da justiça norte-americana desde o início do “Caso FIFA”, em 2015.

Foi denunciado também por receber suborno por contratos ligados a competições da Conmebol e da CBF.

Também foi acusado de receber propina pelo contrato de patrocínio estabelecido pela entidade em 1996 com uma empresa americano de material esportivo (a Nike).

No caso desse contrato, a acusação é que Teixeira recebeu cerca de 20 milhões de dólares de propina (metade da comissão que a Traffic, empresa de marketing, teria direito)

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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