Como o Danilo escreveu ontem sobre o Campeonato Brasileiro e seu novo (bi)Campeão, deixei para hoje o texto sobre um dos mais graves problemas do nosso futebol: a arbitragem. Sei que depois do 7 a 1 é difícil apontar algum problema específico, mas erros muito graves têm acontecido. Tá, já tivemos muitos textos sobre esse tema por aqui. Alguns de vocês podem estar de saco cheio. Mas quem manda ler esse site? Ainda não aprenderam?
Vocês notaram a quantidade absurda de penalidades por mão na bola estão sendo assinaladas nesse campeonato? A CBF postou até um vídeo com a ex-bandeirinha Ana Paula de Oliveira explicando a tal situação de movimentos “anti-naturais”:
Em 90% das infrações dessa natureza assinaladas, a justificativa foi essa. O detalhe é que em 100% dos casos eu considerei um absurdo marcarem as penalidades. Não precisamos ser atletas, árbitros, mestres em física, especialistas em anatomia ou magos de ilusionismo para saber que os braços se mexem involuntariamente dependendo do movimento que fazemos. Isso por si só, já vai de encontro à bobagem dita e defendida cegamente pela CBF, mas como tudo nessa vida pode piorar, segue declaração que o suíço Massimo Busacca, chefe de arbitragem da FIFA concedeu a Jamil Chade, do Estado de S. Paulo:
Um jogador precisa de sua mão e de seu braço para correr, se equilibrar e saltar. Não se pode jogar sem a mão. O árbitro precisa fazer a leitura correta do lance.
Não se pode dar falta a qualquer toque na mão. Isso é um absurdo. O árbitro deve ver se a mão estava no local de forma natural ou não-natural.
Tem que ser avaliado se o toque (da mão na bola) foi intencional ou não. Quando um jogador tenta fazer seu corpo maior usando a mão, isso deve ser punido. O juiz não pode só pensar como juiz e aplicar o que está escrito. Precisa se colocar no lugar do jogador para entender o movimento.
Marcar falta toda vez que a bola bate no braço é um desrespeito ao atleta.”
Depois disso, a equipe da ESPN Brasil conseguiu entrar em contato com Sergio Corrêa, presidente da comissão de Arbitragem da CBF, que defendeu os critérios que a entidade parece ter inventado. Ao responder questionamento de PVC, ele afirmou não haver necessidade de chamar Busacca ao país. Recomendo que assistam a entrevista, porque é surreal demais para que eu consiga descrever.
Desde pequeno, minha família me ensina que o primeiro passo para corrigir um defeito é reconhecê-lo. Azar o nosso que a alta cúpula que comanda o futebol do nosso país não aprendeu a mesma coisa. Resumindo: vai continuar a mesma porcaria. Recomendo a treinadores que peçam a seus jogadores para chutarem bolas contra seus adversários dentro da área, ou mesmo que amarre os membros superiores de seus atletas antes de começar uma partida.
Voltarei em breve com a próxima patacoada (que deve ser do querido STJD).





