Nos últimos dois anos, Teliana Pereira vem escrevendo o seu nome na história do tênis feminino brasileiro. Tênis feminino que tem como principal símbolo a rainha Maria Esther Bueno.
Uma das marcas de Teliana foi justamente igualar o feito de Maria Esther, tornando-se assim a segunda brasileira a disputar os quatros Grand Slams (Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open) de forma consecutiva, em 2014. Na última semana, a pernambucana conseguiu o segundo melhor ranking (48ª colocação) na história da era aberta do tênis feminino nacional, atrás somente de Niege Dias, que foi a 31ª melhor colocada em 1988.
Em entrevista ao Esquema de Jogo, ela fala sobre seus próximos objetivos, o sonho de disputar os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro em 2016, e quais os seus jogadores preferidos no circuito. Confira:
Esquema de Jogo: Com a sua conquista no WTA de Florianópolis, você alcançou a 48ª posição (está na 50ª colocação atualmente) no Ranking, a sua melhor colocação na carreira. Sua próxima meta é tentar ficar entre as 30 primeiras?
Teliana Pereira: O principal objetivo é manter a evolução e consequentemente subir mais no ranking. Ano que vem, colocaria o top 30 como meta.
EJ: Você se tornou a brasileira com o segundo melhor ranking na história da era aberta do tênis e ao disputar a chave principal dos quatro Grand Slams no ano passado, igualou o feito da genial Maria Esther Bueno, única brasileira a disputar os quatro maiores torneios no mesmo ano. Já conseguiu assimilar tudo isso?
TP: Fico feliz de estar quebrando esses recordes, é um pouco difícil ficar pensando nisso agora pois ainda estou jogando, já focada nos próximos torneios. Quando eu parar de jogar, acredito que vou olhar para atrás e entender melhor tudo o que fiz.
EJ: Os seus recentes bons resultados podem influenciar muitas jovens tenistas a tentarem o sucesso na modalidade e a não desistirem do sonho de se profissionalizarem. Você está preparada para servir de exemplo para essas meninas e para ser considerada como um ídolo do esporte?
TP: Eu sinto há algum tempo que os mais novos me olham como exemplo. Que sirva realmente de lição para todos, porque se eu cheguei, outras meninas podem chegar também.
EJ: Quais os próximos desafios para 2015? O foco total agora é no US Open?
TP: Estou treinando em quadra rápida para o US Open, o objetivo é melhorar meu jogo nesse piso porque depois tenho uma sequência de três torneios da WTA na China para encerrar a temporada.
EJ: Ganhar um título em casa, com o calor da torcida brasileira, teve um sabor especial? É difícil jogar torneios no Brasil pelo fato de ter aquela pressão a mais por estar jogando em seu país?
TP: Jogar no Brasil é sempre diferente porque a maioria dos torneios que jogamos são fora. Então foi maravilhoso ganhar em casa, estava toda minha família, amigos e tinha bastante gente torcendo. Eles fizeram a diferença ali na final contra a alemã (Annika Beck, no WTA de Florianópolis).
EJ: Aproveitando o assunto, ano que vem teremos os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. É um objetivo seu a disputa do torneio olímpico? Já tem um planejamento visando a competição? Acha que pode brigar por uma medalha inédita?
TP: O objetivo é disputar as Olímpiadas, depois, quando estiver lá não custa sonhar com algo maior. Estou trabalhando duro para chegar bem nos Grand Slams e, é claro, nos Jogos Olímpicos do Rio-2016.
EJ: Você recebe algum tipo de apoio financeiro ou de estrutura da Confederação Brasileira de Tênis (CBT)?
TP: Recebo apoio financeiro dos Correios via CBT.
EJ: Na sua opinião, uma solução para o desenvolvimento do tênis no Brasil seria a criação de um centro de treinamento unificado, gerido pela CBT, onde todos os tenistas pudessem treinar e evoluir juntos? Os profissionais, juvenis, categorias menores…
TP: Sim, isso ajudaria bastante o desenvolvimento. É importante ter também mais quadras públicas, mais apoio financeiro das empresas. São vários fatores que farão o tênis brasileiro crescer.
EJ: O piso de saibro é a sua superfície favorita para jogar?
TP: Sim, sempre treinei no saibro e é onde meu jogo se desenvolve melhor.
EJ: Um próximo passo na evolução do seu jogo talvez seja conseguir jogar melhor nas quadras de piso rápido? É um objetivo que você tem em mente?
TP: Sim. Como eu falei, preciso evoluir meu jogo na quadra rápida para continuar subindo no ranking. É algo que já estamos fazendo.
EJ: Como você começou a praticar tênis? Desde pequena era isso que você queria fazer?
TP: Comecei a jogar porque meu pai trabalhava em uma academia de tênis e desde pequena passava o dia brincando e ajudando ele. Aos 9 anos comecei a jogar e nunca mais parei.
EJ: Qual o seu maior ídolo no tênis?
TP: Gustavo Kuerten, o Guga, por tudo o que ele fez no Brasil, exemplo dentro e fora das quadras, e o Rafael Nadal, me inspiro muito nele, toda a garra e determinação que ele tem é um exemplo para mim.
EJ: Atualmente, quem são os seus tenistas preferidos no circuito?
TP: Rafael Nadal e Roger Federer, é claro.
EJ: Hoje é impossível parar Serena Williams? Na sua opinião, o nível de jogo dela está bem acima das demais tenistas do circuito?
TP: Parar é difícil, mas sempre temos que acreditar. Serena está em outro nível das demais.









