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OLIMPÍADAS. ATLETAS. ORGANIZADORES.
Análise

Sentimento dos organizadores e atletas

Três meses após adiamento, Olimpíadas geram incertezas a organizadores e ansiedade a atletas.

Competidores recorrem à criatividade para se manter ativos e COB garante investimento idêntico ao que era planejado.

Há três meses, o COI (Comitê Olímpico Internacional) anunciava pela primeira vez em sua história o adiamento de uma edição dos Jogos Olímpicos de Verão.

O megaevento previsto para ocorrer de 24 de julho a 9 de agosto em Tóquio, capital do Japão, foi mais uma “vítima” do estrago causado pela disseminação do novo coronavírus, a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou a pandemia no dia 11 de março.

Neste período desde o adiamento, atletas brasileiros e estrangeiros arrumaram maneiras curiosas e criativas de treinar e se manter ocupados, o Japão tem lutado para tornar as Olimpíadas viáveis financeiramente em meio à remarcação de todos os preparativos para 2021 e as incertezas dão o tom nos 13 meses que adiante até a cerimônia de abertura no estádio olímpico em 23 de julho do próximo ano.

A velocista Fabiana Moraes, que disputou os 110 metros com barreiras nas Olimpíadas do Rio 2016 e no Campeonato Mundial de Londres 2017, procurava carimbar sua vaga para Tóquio neste primeiro semestre, mas viu todos os planos mudarem por causa da Covid-19. Impossibilitada de treinar, ela deu abertura para outro projeto pessoal para se ocupar e planejar seu futuro.

Formada em Marketing, Fabiana pôs para funcionar sua empresa, chamada de BrazilNation. Primeiro, o foco será em moda esportiva, com confecção de roupas para atletas brasileiros.

Mas a marca também pretende fornecer outros serviços.

“Havia algumas coisas pendentes na minha vida. A empresa, BrazilNation, eu ia lançar somente depois das Olimpíadas. Porque eu não podia focar em Olimpíada e focar em abrir uma empresa. E aí desaceleramos o treinamento, já tava pirando em casa [com a quarentena], e eu digo assim que a BrazilNation nasceu em meio ao caos da pandemia. E serviu muito como uma válvula de escape para mim naquele momento, para ocupar a cabeça com alguma coisa. Foi uma válvula de escape que eu usei para reacender o brilho nos meus olhos. E de qualquer forma a BrazilNation não me desconecta do esporte. Eu não deixei de ser atleta, ainda tenho esse planejamento para Tóquio”, disse Fabiana.

A skatista Pâmela Rosa também estava muito focada em Tóquio.

Mas não tanto para se classificar, e sim para sair de lá com uma medalha. De ouro.

A paulista é a atual campeã da modalidade street, e candidatíssima ao topo do pódio no Japão.

“Eu sou uma pessoa bem ansiosa, mas eu consigo separar as coisas. Eu estava muito ansiosa para as Olimpíadas. É claro, meu maior objetivo são as Olimpíadas e agora estou mais ansiosa para poder andar de skate, mais ansiosa para poder competir, mas seja o que Deus quiser. Tudo isso vai passar e a gente vai voltar a competir logo”, afirmou a skatista.

Vice-campeão olímpico na esgrima nos Jogos de Londres 2012, o japonês Ryo Miyake tem feito entregas por um aplicativo de três a quatro vezes por semana em Tóquio.

“Serve para eu manter a forma física e ganhar algum dinheiro”, disse o medalhista olímpico.

O esgrimista ainda tenta vaga nas Olimpíadas de seu país, e adotou um expediente curioso.

Ele abriu mão dos patrocínios que tinha durante o período de pandemia, porque achava injusto receber sem competir.

Na questão estrutural, poucas medidas concretas foram tomadas em relação à realização dos Jogos de 2021.

Há duas semanas, o comitê organizador das Olimpíadas afirmou que 80% das instalações estão garantidas, incluindo o novo estádio olímpico.

Porém, a vila olímpica, residência dos atletas no período dos Jogos, corre risco porque ainda é preciso entrar em acordo com os proprietários dos apartamentos, as unidades foram vendidas.

O centro de imprensa tampouco está garantido.

Autoridades do governo de Tóquio já admitem que o evento precisará ser simplificado para economizar custos.

Diminuir o revezamento da tocha e as cerimônias de abertura e encerramento estão sendo estudados.

No lado brasileiro, o COB (Comitê Olímpico do Brasil) tem feito esforços para manter seu planejamento para o megaevento transferido para 2021.

A entidade pretende levar mais de 200 atletas do país para treinos na Europa, já que a maior parte das cidades brasileiras está com restrições devido ao coronavírus.

O COB também teve de renegociar contratos de hospedagem, transporte aéreo e alimentação já firmados para 2020.

“A partir do início da pandemia, nós nos reunimos internamente e estabelecemos um plano de atuação que vai em três frentes principais. Asseguramos para as confederações brasileiras o repasse de recursos que tinha sido estabelecido no início do ano. Também abrimos uma frente emergencial para as confederações de mais R$ 7 milhões para enfrentar situações momentâneas. A segunda grande ação que nós fizemos foi buscar reorganizar o que a gente chama de missão olímpica, nossa participação nos Jogos de Tóquio. Nós estávamos com tudo planejado, com tudo já fechado, passagens aéreas já adquiridas, e tivemos que renegociar todos esses contratos. Foi um processo árduo de negociação com várias cidades para que permitisse que nosso planejamento fosse deslocado do ano de 2020 para o ano de 2021 nas mesmas condições que nós tínhamos planejado anteriormente “, disse Jorge Bichara, diretor de esportes do COB.

O maior temor, porém, diz respeito à falta de treinamento e preparação adequada dos atletas brasileiros em meio à quarentena em todo o país.

“Nós estávamos num momento muito bom da preparação. Todas as evidências e indícios da nossa preparação é que estava caminhando bem e que o Brasil tinha uma excelente condição de se apresentar nos Jogos de Tóquio. Com essa parada, isso afetou diretamente a nossa preparação e o grande desafio é retomar esse processo de preparação. Tentando evitar, neutralizar os riscos de lesões, evitar que ocorram erros no processo de periodização de treinamentos, buscando que os atletas e os treinadores consigam ter tranquilidade para retomar sua preparação”, comentou.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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