O São Paulo voltará a mandar jogos no Canindé em breve. Para o torcedor mais jovem, parece apenas um aluguel de ocasião; para os rivais, é o combustível perfeito para alimentar fake news históricas que insistem em brotar nas redes sociais. Como o bom jornalismo exige o resgate da memória, é hora de colocar os pingos nos is sobre a relação entre o Tricolor e o reduto lusitano.
O Mito da “Doação”
A mentira mais comum que circula é a de que o São Paulo “ganhou” o terreno do Canindé do governo e depois o “repassou” à Portuguesa em uma transação nebulosa. Isso é falso.
A verdade é puramente imobiliária e estratégica. Em 1944, o São Paulo comprou a área que pertencia ao antigo Deutsch Sportclub (clube da colônia alemã, fechado devido à 2ª Guerra Mundial). Naquela época, o Tricolor não tinha o Morumbi e precisava de um lugar para treinar e jogar. O Canindé foi, de fato, a nossa casa oficial por anos.
A saída do São Paulo do Canindé não foi um “presente” para a Portuguesa, mas um passo calculado de gestão. Para viabilizar a construção do Estádio do Morumbi — um projeto gigantesco para a época —, o clube precisava de liquidez.
- A Venda: O São Paulo vendeu o terreno do Canindé para a Imobiliária Aricanduva.
- O Destino: Foi essa imobiliária, anos depois, que negociou a área com a Portuguesa de Desportos.
- O Resultado: O dinheiro obtido na venda foi integralmente revertido para as obras do Morumbi. Portanto, o Canindé não foi “dado”; ele foi o alicerce financeiro que permitiu ao São Paulo erguer a maior praça esportiva privada do país.
Memória é Patrimônio
No futebol brasileiro, onde a narrativa muitas vezes atropela o dado histórico, o torcedor precisa estar armado com a verdade. O Canindé faz parte da árvore genealógica do São Paulo. Respeitar essa história é honrar os dirigentes e sócios da década de 40 que tiveram a visão de transformar um terreno na beira do Tietê no trampolim para a nossa soberania mundial.



