O São Paulo desperdiçou uma grande chance de entrar no G4 do Campeonato Brasileiro ao empatar por 0 a 0 com o Sport no Morumbi. Dos últimos três jogos em sua casa, o tricolor somou apenas quatro pontos. Os outros cinco perdidos o colocaria a apenas dois do líder Palmeiras.
Pior do que isso, o titular Kelvin se lesionou e provavelmente não se recupera a tempo para o confronto com o Atlético Nacional, pelas semifinais da Libertadores. A contusão do atacante levanta uma questão que pouco tem sido debatida: por que o São Paulo perde tantos jogadores machucados?
Desde a classificação diante do Atlético Mineiro, em BH, o time não consegue repetir a escalação da equipe considerada ideal por Bauza, o que é preocupante por conta do difícil confronto que terá na competição continental. Se machucaram desde então: Mena, Hudson, Wesley, Kelvin, Michel Bastos, Calleri e Lucas Fernandes.
Além destes, outros já estavam contundidos, como Breno, João Schmidt e Carlinhos. O colombiano Wilder, já devolvido ao Toluca, também não saiu do departamento médico em sua reta final no clube. Com tantas contusões, cabe uma discussão: será que não há algo errado na preparação física do clube?
É claro que o futebol é um esporte de contato, e como tal, os jogadores estão sujeitos a contusões inesperadas e que muitas vezes independem de condição atlética. Porém, no caso do São Paulo, será que pode ser considerado normal tantas lesões?
Com esses questionamentos, não estou deixando de considerar a questão do calendário do futebol brasileiro, com dois jogos por semana, pouco tempo de recuperação, preparação, treinamento, etc. Porém, estamos chegando na metade do ano ainda e a impressão que dá é que os jogadores do clube paulista estão em reta final de ano, completamente desgastados com a longa temporada, o que não é o caso.
Vale lembrar que o SP foi desclassificado do Paulistão nas quartas de final, entre os confrontos contra River Plate e The Strongest, ainda pela fase de grupos da Libertadores. Portanto, entre o jogo na Bolívia até o duelo de ida contra o Galo no torneio continental foram quatro jogos, jogando apenas uma vez por semana. Entre os dois confrontos com o clube mineiro teve a estréia no Brasileirão contra o Botafogo, mas nessa partida o time inteiro foi reserva.
Carlinhos, por exemplo, se recuperou de contusão e seria titular contra o Atlético Mineiro no Morumbi, mas na mesma semana se contundiu novamente e só agora está apto para voltar. Kelvin sentiu um desconforto na coxa que o tirou do jogo contra o Vitória. Ontem, uma semana depois, lesionou o mesmo local durante o segundo tempo do duelo com o Sport.
Cabe ao São Paulo averiguar a situação junto aos seus profissionais e questionar se tantas contusões são apenas fatalidades ou se há algo de errado na preparação e recuperação dos jogadores. Em um campeonato tão longo como o Brasileiro, ter tantos atletas machucados acaba comprometendo se o clube não tem um elenco numeroso e de qualidade para superar todos os desfalques, o que parece não ser o caso do plantel atual.





