Robinho projeta títulos com a camisa do Palmeiras: “Temos plenas condições”

Em um ano que começou com a necessidade de uma virada, o Palmeiras apresentou muitos novos jogadores. Um número até incomum para um time com a tradição que o Alvi Verde Paulista carrega. Foram nada menos que 26 jogadores contratados desde janeiro. Em julho, já é possível avaliar quais foram bons negócios ou não. Alguns deles até já saíram da equipe. Dentre todos esses jogadores, talvez Robinho seja um dos que mais agradou à torcida, apesar de chegar sem muito alarde.

Meia de ótima visão e bom passe, despertou o interesse de clubes do exterior nos últimos dias, mas resolveu permanecer no Brasil.

Em entrevista exclusiva ao Esquema de Jogo, o atleta do Porco fala sobre carreira, futebol brasileiro, sobre perspectivas do Palmeiras para a temporada, e muito mais:

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Foto: AV Assessoria

Seu estilo de jogo mudou um pouco do início de carreira. Você era mais um carregador de bola, mas hoje pensa mais o jogo. A que se deve essa transformação no jeito de jogar? Alex teve alguma influência nisso?

Robinho: Total. No Coritiba, pelo meu estilo de jogo, o Alex, junto com o técnico Marquinhos Santos, enxergou que poderia render melhor atuando mais recuado, pois tenho bom passe e hoje temos segundos volantes que tem essa características. Bom passe e que chegam com qualidade ao ataque. Jogadores modernos em que me inspiro como o Pirlo, da Juventus, Schweisteger, do Bayer de Munique.

Falando em Alex, ele já rasgou elogios a você e seu futebol em diversas oportunidades. Como é receber esses elogios de um cara que por onde passou, acumulou fãs, títulos e glórias?

Robinho: Não é novidade o meu relacionamento com o Alex. Já o admirava como jogador e depois que tive a oportunidade de atuar com ele isso aumentou muito. Ele é diferenciado. Faz as coisas parecem simples. Além disso, nossas famílias formaram uma amizade bonita. É um ídolo que tenho no futebol.

Foto: AV Assessoria
Foto: Divulgação

Antigamente, os jogadores que se destacavam no Brasil chamavam a atenção de equipes gigantes da Europa. Hoje, nosso mercado parece ter sido esquecido pelos “grandões”, e tem chamado a atenção apenas de equipes chinesas, do Oriente Médio e clubes menores do leste europeu. O que você pensa sobre essa nova realidade do futebol brasileiro, e a que se deve isso, em sua opinião?

Robinho: A parte financeira pesa muito. Esses novos mercados muitas vezes pagam até melhor que a Europa. Você não pode condenar um jogador quando aceita essas propostas. Jogador de futebol é uma profissão como qualquer outra. Se você receber uma oferta vantajosa em aspecto financeiro vai balançar, seja em qualquer área. Vai de cada um aceitar ou não.

Falando em jogar no exterior, já recebeu propostas de algum time de fora? 

Robinho: Já recebi sondagens sim. Mas isso eu deixo mais com os meus empresários. Tenho contrato longo com o Palmeiras, estou feliz e adaptado ao clube e espero fazer história aqui.

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Foto: Divulgação

Sabemos que apelidos nós não escolhemos, ganhamos. Quando você foi para o Santos, você chegou a pedir para ser chamado apenas de Robson? Por quê? Acha que o nome atrapalhou de alguma forma sua passagem pela Vila Belmiro?

Robinho: Até teve um papo que era para me chamar de Robson, mas não vingou. Não acho que o nome me prejudicou na passagem pelo Santos. O que me prejudicou foi eu mesmo. Era muito novo ainda e não soube aproveitar tão bem as oportunidades que me foram dadas. Além disso, tive umas lesões que me prejudicaram.

Você marcou um lindo gol que não vemos todos os dias, contra um grande rival do Palmeiras. Mais do que isso, encobriu aquele, que talvez seja o maior ídolo da história desse rival. Em 2002, o Alex fez um gol que até hoje é lembrado, diante do mesmo adversário. Acha que seu gol ficará marcado da mesma forma na mente do torcedor?

Robinho: O meu foi mais bonito que o do Alex (hehe). Mas falando sério, espero que sim. Anotar um gol daquele num clássico contra o São Paulo foi algo especial. Espero que daqui a 20 anos quando passarem uma matéria sobre Palmeiras x São Paulo o meu gol seja lembrado.

Como você tem acompanhado o atual momento da Seleção Brasileira? Você acha que se destacar no Palmeiras pode te ajudar a chegar lá?

Robinho: Sinceramente sou um cara que não fico fazendo muitos planos no que diz respeito a seleção. Tenho a consciência que o Dunga está num processo de reformulação e talvez beneficie alguns jogadores mais jovens. Acho que se pintar essa oportunidade será de forma natural.

Você atua em uma posição cada vez mais extinta no futebol brasileiro. Por quê os clubes brasileiros deixaram de revelar bons meias de armação?

Robinho: Fui dispensado das categorias de base do Internacional em virtude da minha altura. Creio que essa escassez de bons jogadores no meio-campo está muito relacionada à formação dos atletas. Se o cara é baixo não serve, se estiver um pouco acima do peso ou muito magro, também não. Acho que não é por aí. Você não pode avaliar um jogador só pela altura e força física dele. Tem que olhar tudo, principalmente se o atleta jogar bem.

Quem você considera o melhor meia do Brasil?

Robinho: Para mim o melhor segue sendo o Ronaldinho Gaúcho. Ele é imprevisível. Craque.

Foto: AV Assessoria
Foto: Divulgação

O que o Palmeiras perde sem o Valdívia?

Robinho: O Valdívia é um grande jogador e está provando isso na Copa América. Tenho respeito muito grande por ele, que tem uma identidade forte com o Palmeiras. Perdemos um cara diferenciado dentro e fora de campo. Cabe a nós suprir essa ausência.

O fato de o Marcelo Oliveira já te conhecer desde a época de Coritiba te ajuda no jeito de jogar?

Robinho: Sem dúvida. Apesar de que não trabalhamos muito tempo juntos no Coxa. Mas, o Marcelo sabe aonde gosto de jogar. Ele é um grande treinador. Não é a toa que é o atual bicampeão brasileiro. É uma satisfação trabalhar com ele novamente.

Foto: AV Assessoria
Foto: Divulgação

A chegada do Marcelo Oliveira gerou expectativa para que você consiga retomar o espaço que vinha diminuindo com o Oswaldo?

Robinho: Não acho que perdi espaço com o Oswaldo. Sempre fui titular com ele. Na partida que fiquei no banco contra o Sampaio Corrêa pela Copa do Brasil foi para me poupar. Saímos perdendo aquela partida, ele me colocou e viramos o jogo para 5 a 1. Fiquei uns jogos de fora por contusão, não opção.

O que esse elenco do Palmeiras pode fazer ainda em 2015? Quais são os objetivos, agora na metade da temporada?

Robinho: Títulos. Copa do Brasil e Série A. Com elenco que nós temos, com a comissão técnica qualificada, boa estrutura e torcida forte. Creio que temos plenas condições de terminas o ano dando alegrias aos palmeirenses.

O jogador Robinho, da SE Palmeiras, chuta para marcar seu gol contra a equipe do São Paulo FC, durante partida válida pela décima segunda rodada do Campeonato Paulista, Série A1, na Arena Allianz Parque. São Paulo/SP, Brasil - 25/03/2015. Foto: Cesar Greco / Fotoarena
Robinho chuta para marcar seu gol contra a equipe do São Paulo FC, durante partida válida pela décima segunda rodada do Campeonato Paulista, Série A1, na Arena Allianz Parque. São Paulo/SP, Brasil – 25/03/2015. Foto: Cesar Greco / Fotoarena