Mais um jogo épico… Não apenas pelos gols, mas pela superação… Não apenas pelas camisas, mas pelo contexto… Não apenas pelo clima, mas pelas dancinhas! A epopeia do Mineirão, que colocou o galo nas semifinais da Copa do Brasil, deixou a massa atleticana e os amantes do futebol pra lá de satisfeitos.
O gol de Paolo Guerrero, um dos melhores corintianos em campo, logo no início da partida, foi comemorado a exaustão. Pobre Corinthians, mal sabia que aquele gol originado a partir de um chutão da defesa marcaria o começo do martírio… O gol do peruano poderia ser chamado de “chave”, a chave que ligou o trator atleticano! A partir daí, o que se viu no palco dos 7 a 1 foi o jogo de um time só, um time que quis jogar futebol, quis e impôs o seu ritmo, um time que deu a impressão que se precisasse de cinco gols ele faria. De seis? Ah, ele também faria. Pobre Corinthians!
Diego Tardelli, o moço que surgiu rebelde e marrento no Morumbi, vive um momento esplêndido, comedido e responsável, o camisa 9 jogou na China e em Singapura com a camisa da seleção, veio de jatinho e sem descansar, encarou… Comandou, e se não foi brilhante e decisivo como de costume, foi a referência que merece reverência. Elias e Gil, por outro lado, ficaram sentadinhos no banco. O segundo ainda entrou, mas, pouco fez, aquela altura, Inês, se não estava morta, certamente já agonizava. Pobre Corinthians!
Luan, o baixinho elétrico do galo diz que resvalou na bola, duvidoso, mas quem liga? A massa gritava, era o gol de empate, era tudo que os mais de 30 mil atleticanos queriam. Ele comemora com raiva, chama a torcida pra dentro do gramado, se estivéssemos em junho eu diria que naquele instante o gigante acordou. Pouco depois, Guilherme, o maestro, bate de fora da área e um toque cirúrgico, que mostra o quão detalhista é o dono do roteiro, engana Cássio e coloca os mineiros à frente. Pobre Corinthians!
Luan sai machucado, chora de dor na solidão do banco, enquanto seu substituto perde um gol incrível, méritos para o grande Cássio. A avalanche atleticana continua, o Corinthians se segura, parece não acreditar no pior, Mano desta vez não dança, pensa, pensa em fechar mais… Após desvio da zaga, Guilherme, o homem de gelo, bate milimetricamente e a bola beija a trave antes de entrar. Como já disse, o roteirista é detalhista. 3 a 1 para o Atlético, restava apenas um gol, apenas mais uma jogada exitosa diante do medroso time paulista, que se encolhia como alguém que apanha indefeso. Pobre Corinthians!
Escanteio, final de jogo, a bola viaja, Guerrero disputa no alto com o possante Edcarlos, a jogada é confusa, antes de entendermos o que aconteceu, Cássio já estava caindo e ao mesmo tempo observando a bola morrer no fundo gol corintiano. Era tudo o que Atlético precisava, a missão estava executada. O estádio explode em um só coro, choro. Cássio ainda tentou mudar a história, foi pra área, não conseguiu tocar na bola e voltou andando e sorrindo ironicamente. Fagner impediu que Marcos Rocha fizesse um golaço de longe. Pobre Corinthians!
Final de filme, ou de jogo, vitória atleticana. 4 a 1 histórico, sensacional, impagável. A dança de Mano Menezes na Arena Corinthians não foi esquecida, ao contrário, foi reproduzida pelos jogadores do galo, pela torcida, por todos aqueles que amam futebol. Venceu a vontade de jogar futebol.





