Esquema de Jogo

Colunas, entrevistas, análises e tudo sobre o esporte!

PARALÍMPIADAS. JOGOS.
Análise

Protesto da categoria

Paralímpicos protestam nas redes sociais contra humoristas.

Atletas e presidente do IPC (Comitê Paralímpico Internacional) demonstram revolta por vídeos com piadas envolvendo deficientes e paralímpicos proferidas por Abner Henrique e Dihh Lopes.

A comunidade paralímpica brasileira não escondeu sua indignação e revolta por causa de piadas consideradas discriminatórias e ofensivas proferidas durante parte de uma apresentação dos humoristas Dihh Lopes e Abner Henrique, registrada em vídeo.

Os protestos começaram via rede social, na noite de quinta-feira (9).

Atletas do gabarito de Daniel Dias e Verônica Hipólito, além do presidente do IPC, Andrew Parsons, disseram que o objetivo de suas publicações também é conscientizar a todos sobre a importância de não se brincar com temas que envolvam pessoas com deficiência ou enfermidades graves.

Dihh e Abner foram procurados pela reportagem do GloboEsporte.com para comentar o caso.

Eles optaram por divulgar nota em uma rede social:

“Que fique clara a nossa posição: estávamos usando um espaço privado, falando para pessoas que pagaram para nos ouvir e produzir um conteúdo humorístico para quem decidiu nos assistir, e não em TV aberta ou usando dinheiro público. Reafirmamos que reconhecemos, porém, o direito de qualquer um não gostar do conteúdo – deste e de qualquer outro -, mas não toleraremos ataques, ameaças e tentativas de boicotar o nosso trabalho o que beira a censura. Continuaremos fazendo a nossa comédia para quem consome e gosta do nosso trabalho. A nossa intenção é sempre causar o riso (como no vídeo), nunca dor e sofrimento. Repudiamos qualquer ato atentatório, contra quem quer que seja. Mas continuaremos fazendo nossa arte e entretendo o nosso público fiel.”

“Não se pode permitir que, sob a desculpa de que no humor vale tudo, reforçar preconceitos e estigmas sejam confundidos com piada. Mais de um bilhão de pessoas (15% da população mundial) com deficiência no mundo lutam contra isso todos os dias. Discriminação não tem graça, nunca teve e nunca terá. Estou enojado com a atitude desses pseudo-comediantes – protestou em um perfil de rede social o presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), o brasileiro Andrew Parsons.

Como principal responsável pela realização dos Jogos Paralímpicos, o presidente do IPC lamentou que as competições também tenham sido usadas como motivo de chacota pelos comediantes. Parsons ressaltou que o terceiro maior evento esportivo do mundo não pode ser utilizado em piadas que sirvam para reforçar o que há de mais atrasado na sociedade.

A campeã mundial e medalhista paralímpica do atletismo Verônica Hipólito também defendeu os esportistas e em um discurso tão duro quanto o do presidente do IPC chamou atenção para o comportamento preconceituoso dos humoristas.

Ela destacou várias dificuldades que as pessoas com deficiência passam em sua rotina.

“E é assim, mascarado por “piadas” que os preconceitos são reforçados. Em pleno século XXI falando essas idiotices, sério? Pois bem, aos dois pseudo-piadistas, vocês sabiam que no mundo mais de 1 bilhão de pessoas têm algum tipo de deficiência? Que a maioria dessas pessoas não tem condições de pagar seus servições de saúde ? Sabia que a maioria de nós somos ou fomos marginalizados ? Sabia que a muitos não conseguem completar o ensino primário? Devo falar o motivo, queridos? Um deles são as piadinhas ridículas, que mascaram uma coisa bem chata chamada preconceito”, escreveu Verônica.

“ Não expressa a opinião do comediante. Piada é piada. “ e é assim, mascarado por “””piadas””” que os preconceitos sejam reforçados. Em pleno século XXI falando essas idiotices, sério ? Pois bem, aos dois pseudo-piadistas, vocês sabiam que no MUNDO mais de 1 BILHÃO DE PESSOAS tem algum tipo de deficiência ? Que a maioria dessas pessoas não têm condições de pagar seus servições de saúde ? Sabia que a maioria de nós somos ou fomos marginalizados ? Sabia que a muitos não conseguem completar o ensino PRIMÁRIO ? Devo falar o motivo, queridos ? Um deles são as piadinhas ridículas, que mascaram uma coisa bem chata chamada PRECONCEITO. Provavelmente não. Provavelmente vocês são as pessoas que propagam o ódio e a intolerância contra nós. Provavelmente vocês são as pessoas que querem falar de amor, mas debocham de pessoas com autismo, síndrome de down e câncer. Os Jogos Paralímpicos são um dos maiores- se não o maior – eventos esportivos de todo o mundo, com altíssimo rendimento. E essa tal “banda formada por autistas” tem nome, é a TimeOut são incríveis e animam a todos. Preconceito não é piada. Coloquem a mão na consciência.

O vídeo: Durante 2min45s, em trecho retirado de uma apresentação teatral, os humoristas Abner Henrique e Dihh Lopes travaram um duelo de anedotas sobre os temas autismo, Paralimpíadas, síndrome de down e câncer.

“Gosto de assistir Paraolimpíada, acho que é um bom programa. Eu gosto, porque tem uma vantagem. Se você, por exemplo, faz atletismo, nunca vai sentir câimbra”, brincou Abner Henrique, enquanto Dihh Lopes gargalha e diz: “gostei dessa”.

Em seguida, Lopes rebateu a fala do parceiro e falou sobre as pessoas com síndrome de down.

E ainda usou uma grave enfermidade como subsídio para uma chacota.

“As pessoas que têm down são muito mais inteligentes, principalmente em T.I. (tecnologia da informação), onde são muito boas em fazer download. No Teleton tem várias crianças sonhando em voltar a andar. Se a gente parar para pensar, não deveria chamar Teleton, mas Criança Esperança. Trocaram porque acho que no Criança Esperança eles ajudam criança com câncer, né? E tá errado porque se tem alguém que não tem esperança…”, disse Dihh Lopes.

Em seu protesto, o multicampeão paralímpico Daniel Dias destacou que não há motivos que justifiquem uma deficiência ou doença ser usada como chacota.

“A luta contra o preconceito está aqui️. É uma pena ver comediantes irem tão fundo na falta de bom senso e mau gosto com as piadas. E por trás do título de “piadas” tomam a liberdade de esquecerem os limites. Mais de 1 bilhão de pessoas no mundo possuem alguma deficiência e lutam contra isso todos dias. E não tem graça nenhuma brincar com doenças como câncer, síndrome de down e autismo”, frisou Daniel.

Em uma rede social, Mizael Conrado, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), esclareceu que a entidade já entrou com uma ação no Ministério Público contra os humoristas. Ele ainda completou:

“Viemos a público com imensa indignação expor nosso total repúdio pelo trabalho dos profissionais que se dizem humorista “.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Confirme que você não é um robô. *