Mubadala muda oferta mais uma vez e propõe assinar mesmo sem Botafogo, Cruzeiro e Vasco.
Insatisfeitos com termos para fundação da liga, os três clubes não aceitaram proposta anterior.
Fundo de investimentos árabe ajustou oferta na noite desta segunda e espera fechar negócio.
O fundo de investimentos Mubadala formalizou a dirigentes da Libra, na noite desta segunda-feira (12), mais uma proposta pela formação de um bloco comercial.
A oferta foi enviada a dirigentes com uma alteração em relação à versão anterior: agora, para que ela seja assinada, basta que Corinthians, Flamengo, Palmeiras e São Paulo a assinem.
A diferença está na quantidade de clubes tida como condição para sacramentar o negócio.
Na versão mais recente, o investidor exigia que houvesse a adesão de pelo menos 18 clubes.
Com a recusa de Botafogo, Cruzeiro e Vasco em aceitar as condições, o Mubadala refez a proposta.
A atual oferta não forma uma liga de clubes, como é de interesse do fundo de investimentos dos Emirados Árabes, mas um bloco comercial para a negociação dos direitos de transmissão, tido como etapa preliminar até que dirigentes se entendam em relação à criação da liga.
Nesta proposta, o Mubadala pretende comprar 12,5% dos direitos de mídia dos clubes, referentes ao Campeonato Brasileiro, por um período de 50 anos.
O valor a ser transferido corresponde à metade do investimento que o fundo faria inicialmente, para adquirir uma participação sobre a liga de clubes.
As quantias de cada clube são:
Clube Valor
Flamengo R$ 158 milhões
Corinthians R$ 148 milhões
Palmeiras R$ 128,5 milhões
São Paulo R$ 128,5 milhões
Cruzeiro R$ 99,5 milhões
Grêmio R$ 99,5 milhões
Santos R$ 99,5 milhões
Vasco R$ 99,5 milhões
Botafogo R$ 80 milhões
Bahia R$ 60 milhões
Vitória R$ 60 milhões
Ponte Preta R$ 40,5 milhões
Guarani R$ 31 milhões
Red Bull Bragantino R$ 31 milhões
Ituano R$ 11 milhões
Mirassol R$ 11 milhões
Novorizontino R$ 11 milhões
Sampaio Corrêa R$ 11 milhões
Total R$ 1,3 bilhão
Fonte: Globo Esporte
Além do pagamento previsto para a compra dos direitos, o investidor afirma que antecipará R$ 3 milhões a cada clube, como um gesto de boa vontade, em depósito a ser realizado em 29 de junho.
Tanto o sinal quanto a alteração da proposta representam nova tentativa do Mubadala de fechar negócio com os clubes.
Por um lado, o fundo pressiona Botafogo, Cruzeiro e Vasco a reverem a decisão de não assinar a oferta.
Por outro, a empresa incentiva dirigentes do outro grupo, chamado Forte Futebol, a trocar de lado e fazer parte da Libra.
Entenda o contexto: Inicialmente, o Mubadala pretendia comprar uma participação de 20% sobre a liga de clubes do futebol brasileiro.
Em contrapartida, o fundo aportaria R$ 4,75 bilhões e se tornaria sócio da operação por 50 anos.
A criação da liga foi travada por divergências entre cartolas, que se dividiram em dois grupos.
A Libra assinou um memorando de entendimentos com o Mubadala, enquanto o Forte Futebol fez seu próprio processo de concorrência e conseguiu uma proposta do fundo americano Serengeti e da curitibana Life Capital Partners (LCP).
O acordo que estava em vigor entre Libra e Mubadala expirou recentemente, sem que a liga tivesse sido fundada no prazo combinado.
Isto colocou sobre dirigentes e executivos do fundo a obrigação de assinar novo memorando, com novo prazo.
Então, surgiram mais resistências.
Botafogo, Cruzeiro e Vasco estão insatisfeitos com as condições apresentadas pelo fundo e entendem que esta é a última oportunidade para renegociá-las.
Os descontentamentos envolvem elementos como a governança da liga, quem compõe o Conselho de Administração e toma as principais decisões, e o pagamento de comissão a intermediários.
Na semana passada, John Textor, proprietário da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Botafogo, disse que estava cansado de esperar pela resolução das questões ligadas à liga.
O empresário americano afirmou que sairia da Libra e faria a venda dos direitos de transmissão alvinegros individualmente.
É neste contexto que surge mais uma adaptação da proposta.
Ao colocar como única condição para a assinatura a adesão de Corinthians, Flamengo, Palmeiras e São Paulo, o fundo de investimentos passa o recado de que não precisa necessariamente dos três descontentes.
Ao mesmo tempo, ao realizar os primeiros pagamentos, o investidor tenta demonstrar aos clubes que formam o Forte Futebol que o negócio é firme, a fim de que eles adiram à Libra.
Existe grande diferença entre os termos da proposta que está sobre a mesa neste momento, para a criação de um bloco comercial, e a fundação de uma liga de fato.
A liga seria responsável por toda a organização do Campeonato Brasileiro, inclusive arbitragem, calendário e formulação do produto.
Enquanto bloco comercial, o negócio consiste unicamente em antecipar e vender direitos de transmissão.
Mubadala é um fundo de investimentos com sede nos Emirados Árabes.
Para o investidor, o retorno virá ao longo dos próximos 50 anos, à medida que os direitos de transmissão forem vendidos para emissoras e outras empresas.
Sobre a receita, o investidor ficará com 12,5%.
No cenário mais abrangente, a expectativa ainda é pela fundação da liga em algum momento.
Porém, diante das dificuldades de dirigentes para unificarem os grupos Libra e Forte, hoje a intenção é criar blocos comerciais, na pretensão de que algum dia eles possam ser fundidos e constituam uma liga de verdade.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





