Esquema de Jogo

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Análise

Perdão

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Eu duvidei sim, na verdade eu não duvidei. Eu achava que já era.

Mas eu tinha me esquecido de como esse negócio funciona. Tinha resolvido que hoje o jogo era em casa, na TV e sem internet. Não era um dia pra gracinhas, nem pra beber no bar, na verdade podia virar uma espécie de velório.

Começou dando tudo errado, como acabou dando errado quase todas as vezes esse ano. O time não chegava, a bola não entrava e na Argentina nada acontecia. Já era… mas, se já era, porque esse nervosismo? Uma hora apareceu a tal da bolinha na tela, o Milton Leite deve ter esperado acabar um lance, mas pareceu que ele demorou uma semana. Gol do Arsenal. Gol nosso.

Todo mundo nervoso, do Rogério Ceni ao roupeiro e os 50 mil no estádio. O Juvenal devia estar nervoso e os outros milhões na TV também estavam. Acabou o primeiro tempo.

Eu duvidava. O Brunão não. O Bruno Rios também não, apostei um jantar na Liliana depois daquela hecatombe no morro. No intervalo eu já não tinha mais certeza de nada, mas estava dando tudo certo, certinho demais, o São Paulo jogando sério, com raça, ganhando todas as divididas possíveis, só faltava o gol. O intervalo foi se arrastando, com gol de bicicleta no sub-qualquer coisa. Que se foda o gol de bicicleta de um argentino num torneio sub-sei-lá-que-anos! Quanto tempo falta pro intervalo acabar? Um mês?

Chegam os times, começa o jogo. O São Paulo ainda melhor. Até aí grande coisa, jogou melhor em 70% do tempo nos jogos, mas aí o Tolói, o Lúcio, eu, o Ney Franco ou Juvenal faziam alguma cagada e fodia tudo. 

Um dia, num desses jogos do Barcelona, o Calçade disse que o Barcelona jogava no limite do erro. Esse São Paulo tem as mesmas chances de ser esse Barcelona do que se eu me tornar um o lateral esquerdo que eu nunca fui, mas jogávamos todos no limite do erro, nem a torcida podia cantar errado, porque esse Atlético é foda.

Aí, lá pelos 15 minutos (não vai ter Google nesse texto) o Ganso acertou um passe no famoso “ponto futuro”, o Aloísio recebe, o Zé (não lembro quem foi e esse texto não tem Google, portanto os jogadores do Atlético não identificados pela minha memória se chamarão Zé) puxa o Boi Bandido, o Juiz dá o pênalti. Vem o Rogério pra bater.

Desde o começo dessa tal dessa fase de grupos, eu pedi a aposentadoria do Ceni umas seis vezes, eu tinha um esboço de texto esculachando o Rogério na cabeça… ainda bem que eu não posto de cabeça quente. Imagina na copa a cagada!

Mais inexplicável do que torcer para o (insira o nome do seu time aqui) é a vontade que nós, moradores de apartamento que assistem futebol, temos em abrir a janela, gritar gol e mandar todo mundo chupar. Quando o gol do Rogério entrou, foi essa vontade que invadiu meu peito, minh’alma, enfim, eu acho que só não mandei ninguém chupar nada, mas não posso dar toda certeza.

Depois disso, saiu outro gol do Arsenal no emirates em Sarandí. Aí, só dependia de nós e do relógio.

Foram os 20 minutos mais longos dos últimos tempos, teve de tudo, uns trezentos cruzamentos do Ronaldinho na área, chilique do Richarlyson e umas 12 faltas do Douglas no Marcos Rocha. O Cuca colocou mais um atacante e passou o recibo de que está se borrando de medo do São Paulo. Aloísio, o Boi Bandido, sentiu e entra o Ademílson. “Aí fudeu!”, pensei.

“Aí fudeu!”, deve ter pensado o Zé que viu aquele passe do Ganso para o Osvaldo e saiu correndo atrás da flecha cearense, veio o cruzamento pro Ademílson, a bola entrou e tome grito na janela…

Aí eu lembrei do que se tratava isso tudo, o que é isso. Isso é Libertadores, isso é São Paulo.

Como eu lembrei então, eu devo desculpas ao Rogério, ao Ademílson, ao Ganso e ao Time da Fé. Volta e meia tem milagre no Morumbi, teve isso hoje. A moeda caiu em pé.

Não é prudente alimentar o monstro.

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