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Análise

Pauta corriqueira, mesmo no Japão

Bando de loucos no aeroporto
corintianos em Cumbica

O Corinthians finalmente embarcou para o Japão. Preparem-se. Suas vidas serão bombardeadas com informações do time da zona leste. Só que além do noticiário corriqueiro de um clube brasileiro com reais chances de voltar com a taça (diferente do Santos, que foi a passeio e tomou vareio, com o perdão da rima), teremos que nos acostumar com as malditas comparações entre torcidas que a nossa mídia (naipe de Renata Fan) insiste em fazer quando o foco é o Corinthians.

Vamos lá. Mais de 20 mil corintianos devem ir ao Japão apoiar o clube nessa jornada inédita. Isso é absolutamente fantástico. Até onde sei, o clube que mais levou torcida ao Japão foi o Internacional, e deve ter levado cerca de 5 mil chororados colorados, o que já é muita gente.

Não dá para mensurar o que é um time brasileiro ter maioria esmagadora de um estádio no Japão, principalmente em tempos globalizados, em que a Premier League é transmitida em todos os cantos do Mundo. Seria natural o Chelsea ter mais simpatia da japonezada, diferentemente da época em que os nipônicos escolhiam o time com escudo mais simpático.

Mas aí vem alguém como a tal da Renata Fan, juntamente com o tal Doutor Osmar (que é a cara do Mun Rá há pelo menos 15 anos) e começam a vender manchetes sensacionalistas do tipo “Tsunami corintiana”. Aí ligam para uma pessoa como o Marco Aurélio Cunha pra gerar a discussão “Doutor Osmar, o que o senhor tem a dizer ao Marco Aurélio sobre essas imagens?”.

Só pra esclarecer: nenhuma torcida do Mundo é igual a outra. No Brasil, mais especificamente em São Paulo, há uma certa divisão social entre os clubes. Todo Mundo sabe que o Corinthians é o time do povão, que o São Paulo é o time da burguesia, que o Santos é o time da praia e que o Palmeiras, além de ser o time da série B, é o time do calzone. Logo, não existe o menor sentido em comparar o que tal torcida faz ou deixa de fazer.

Para o torcedor do São Paulo, há outras prioridades antes do futebol, o que faz valer a velha máxima de Milton Neves que o futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes. Para o palmeirense, a pizzaria está em primeiro lugar. E para muitos corintianos, o Corinthians é o que há de mais valioso em sua vida. Não podemos e nem devemos discutir isso. É complicado generalizar, eu sei. Conheço são paulinos que não perdem um jogo sequer no Morumbi, assim como conheço corintianos que só assistem seu time de vez em quando e pelo Pay Per View.

O Aeroporto Internacional de Cumbica já foi lotado por são paulinos, palmeirenses, santistas, e agora, corintianos. A grande diferença é o número de pessoas que não volta pra casa após apoiar o time no saguão, e sim vão à sala de embarque junto com os jogadores. isso é inédito, isso é épico e precisa ser lembrado.

Corintianos no Aeroporto de Cumbica

Entretanto, essas manchetes da mídia brasileira só aumentam as besteiras que os corintianos falam a todo momento (convenhamos, vocês falam muitas besteiras), mas não mudam o que o corintiano sente pelo seu time. Nada muda nem seria capaz disso. Minha dica é: ao invés de semearmos besteiras do tipo “Não vivo de títulos, vivo de Corinthians”, deveríamos incentivar outras torcidas a seguirem o exemplo bom, de acompanhar o clube em grande número, seja onde ele estiver.

O que vocês acham?

4 COMMENTS

  1. O que eu acho é que a FAVELA CHEGOU AO JAPÃO! E na volta, com o título, terá muito mais do que 15 mil pessoas em Cumbica. Vai Corinthians!

  2. gostei do texto, foi escrito por alguém que realmente entende o que é gostar de futebol, independente do escudo que se defende.
    é complicado mensurar o tamanho das torcidas. hoje mesmo discuti com um colega corintiano sobre o vandalismo no aeroporto. ele disse uma coisa coerente: quando os outros times, como são paulo, santos, inter, viajaram para fora do país para disputar o mundial, não levaram um número tão grande de torcedores para o aeroporto. gente errada, gente que não presta, tem em qualquer torcida e infelizmente, pelo grande número de corintianos no local, uma minoria acabou manchando a festa da grande massa…
    uma pena…
    eu realmente espero que essa “minoria” não vá para o japão, para que os nipônicos não pensem que todos os torcedores, de todos os times, são assim…
    belo texto bruno!
    parabéns!

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