* Por Luis Filipe Chateaubriand
É sabido que, em termos de gestão, o futebol brasileiro é digno de pena. A gestão dos clubes de futebol no Brasil é arcaica, ultrapassada e ineficaz. Dentro deste quadro de mediocridade geral, é digno de aplausos o esforço que o Clube de Regatas do Flamengo empreende para melhorar seu modelo de governança. Ações desenvolvidas pelos executivos do clube da Gávea merecem destaque, a saber:
• Gestão financeira eficaz – mecanismos simples de administração financeira, como ações para equilibrar o fluxo de caixa, troca de dívidas caras por dívidas baratas e esforço para conhecer o tamanho do endividamento, foram procedidos. O resultado é que, em pouco mais de dois anos, o clube reduziu seu total de dívidas em quase 200 milhões de reais.
• Marketing consequente – sabedor da força de sua marca, o rubro negro não esperou que os patrocinadores viessem até o clube. A agremiação foi buscar os patrocinadores, lhes ofertar projetos de patrocínio que se harmonizassem com a cultura do clube. O resultado foi a emergência de uma situação com algumas dezenas de patrocinadores contemplados.
• Ousadia para buscar alternativas em eventos – ao ser o principal articulador da Liga Sul – Minas – Rio, recém criada, a entidade mostra empenho para construir algo alternativo em relação aos infrutíferos, arcaicos e deficitários campeonatos estaduais, na expectativa de se gerar mais recursos financeiros, maior prosperidade, para os clubes envolvidos na liga.
Há quem queira desmerecer o trabalho, digno de aplausos, argumentando que o clube só consegue êxito nessas ações por possuir maiores cotas de transmissão de jogos do que clubes coirmãos. Duplamente errado: em primeiro lugar, porque o Flamengo sempre recebeu cotas maiores que a maioria dos demais clubes e, nem por isso, promovia as saudáveis práticas, em épocas passadas; em segundo lugar, porque há clubes que recebem cotas iguais ou próximas ao vermelho e preto, e nem por isso empreenderam ações semelhantes. O Flamengo está sabendo fazer melhor uso do que tem que os outros clubes. Simples como isso.
A esperança que se tem é que os demais grandes clubes brasileiros entendam a experiência rubro negra, e promovam algo parecido. Seria muito bom para o futebol brasileiro.
* Luis Filipe Chateaubriand é membro do Bom Senso Futebol Clube e autor do Livro “Um Calendário de Bom Senso para o Futebol Brasileiro”. As opiniões aqui arroladas refletem o pensamento do autor, não do Bom Senso Futebol Clube.





