Olá, amigos do Esquema de Jogo. Depois de muito tempo volto a dar as caras aqui no site, para alegria dos meus colegas. Neste meu primeiro texto de 2016 vou fazer uma breve análise sobre as perspectivas do São Paulo Futebol Clube para o ano que se inicia. Para muitos, 2015 foi o pior ano da história do clube, com polêmicas, renúncia de presidente, futebol instável e goleadas para os maiores rivais. O que o torcedor deve esperar para esta temporada?
Elenco/Reformulação
No dia 23 de novembro de 2015, um dia depois da derrota por 6 a 1 para o Corinthians, o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, concedeu uma entrevista coletiva e prometeu reformular o elenco ao fim do Brasileirão. “Falar que vamos trocar 10, 20, é exagerado. Mas que vamos pensar em uma reformulação de elenco, sem dúvida nenhuma. Se exige uma atitude de comprometimento que não se vê em todos os jogadores do elenco. Fazendo uma análise generosa, eu quero imaginar que não seja fruto de má intenção, mas de uma estupefação de não saber lidar com adversidades maiores que marcam a vida. Também por esse lado, a análise será feita. Nós vamos reformular, sim”, foram as palavras do mandatário tricolor.
Diante da reformulação prometida pelo presidente, o SP confirmou as saídas de Rogério Ceni (aposentadoria), Luís Fabiano (fim de contrato), Alexandre Pato (devolvido ao Corinthians) e Edson Silva (fim de contrato). Até às 21h desta segunda-feira (18/01), foram contratados o zagueiro Lugano, o lateral-esquerdo Mena e o atacante Kieza. Havia expectativa de que as mudanças prometidas por Leco envolvessem a saída de jogadores contestados pela torcida, como Lucão, Reinaldo, Wesley e Hudson, além da chegada de mais jogadores. A atual crise financeira do clube é compreensível e justificável para o pequeno número de contratações e dispensas, mas esperava-se uma reformulação um pouco mais drástica diante das declarações do presidente.
Bauza
Apesar da demora no anúncio de um novo treinador e após muitos nomes serem especulados, o São Paulo surpreendeu e anunciou o argentino Edgardo Bauza, bicampeão da Libertadores por LDU e San Lorenzo, como o comandante para 2016. Os times de Patón, como gosta de ser chamado, são conhecidos por serem fortes defensivamente e tomarem poucos gols. Boa notícia para os tricolores, já que a defesa tem sido o calcanhar de Aquiles nos últimos anos.
O São Paulo acertou em cheio ao trazer Bauza. Resta saber se a diretoria terá paciência para que ele se adapte ao futebol brasileiro e para dar sequência ao trabalho do argentino mesmo se os títulos não vierem em 2016, o que é bem provável. Patón merece a tão aclamada “continuidade” pedida pelos treinadores e tem tudo para recolocar o clube paulista no caminho das conquistas.
Reforços
As contratações acertadas até agora não são de encher os olhos, mas também não são de se jogar fora. Mena é um lateral-esquerdo regular e não costuma fazer grandes jogadas ofensivamente, mas se encaixa no esquema de jogo que Bauza pretende implantar e pode ajudar no processo de fortalecimento da defesa. Lugano é a grande esperança de fazer com que o São Paulo retome o brio e a raça que faltaram em 2015. Kieza, apesar de não ter deslanchado em um clube grande na carreira, é artilheiro e se destacou na temporada passada atuando pelo Bahia, onde foi o segundo maior artilheiro do ano no futebol brasileiro. Não chega para ser titular, mas pode ser uma boa sombra para Alan Kardec.
Lugano
A grande notícia do SP neste ano foi a concretização da tão esperada volta de Diego Lugano. Para início de conversa, afirmo que a “simples” contratação do uruguaio não irá resolver os problemas defensivos do time. Mais um ou dois zagueiros poderiam ser contratados, levando-se em conta que Breno ainda é uma incógnita por conta das contusões e Lucão não inspira nenhuma confiança.
Muito se questiona a atual fase técnica de Lugano, que já está com 35 anos e caminha para o final da carreira. Após a saída do Fenerbahçe, Lugano não se firmou em lugar nenhum e teve passagens sem brilho pela França, Espanha, Inglaterra e Suécia. No Cerro Porteño, pelas informações de quem acompanhou mais de perto, ele estava recuperando sua forma física e técnica e conseguia atuar em bom nível, apesar das limitações do futebol paraguaio.
Mesmo com todos os contras, sou a favor da contratação dele e creio que ela poderá trazer muitos benefícios. É óbvio que o Lugano não é o mesmo jogador de nove, dez anos atrás, mas com um sistema defensivo bem armado e com sua liderança pode ajudar e muito o elenco. A expectativa é que com o uruguaio no plantel não haja espaço para jogadores fazerem corpo-mole. Fora dos gramados, o São Paulo pode lucrar em ações de marketing, venda de camisetas, bilheteria e crescimento do programa de sócio-torcedor, tudo isso com a simples presença dele. Conhecida por ser “modinha”, a torcida precisará ter inteligência e não criar um caos caso Lugano fique no banco em alguns jogos, principalmente no início.
Conclusão
Em meio à greve crise financeira e política que parecem não ter fim, Leco aos poucos parece estar colocando a casa em ordem e até o momento faz uma boa gestão. É muito importante e essencial que o caso Aidar não fique no esquecimento, mas que tudo seja esclarecido e que os responsáveis por colocar o São Paulo na lama sejam punidos.
Dentro de campo, apesar de toda a pressão por títulos, não será o fim do mundo passar 2016 em branco. Mais do que conquistas, o Tricolor neste ano deve se esforçar para evitar novos vexames, como eliminações precoces e goleadas em clássicos, além de montar uma base sólida e competitiva para em 2017 entrar forte na briga por títulos.
Com a falta de grandes contratações, a solução pode estar dentro do próprio clube, com o comando de Edgardo Bauza e a afirmação de jogadores como Breno, Ganso, Michel Bastos, Centurión e Alan Kardec. A base de Cotia também poderá agregar bons valores para o elenco caso sejam bem aproveitados, casos de Foguete, Inácio, Banguele, David Neres e Joanderson, que ganharam praticamente tudo nas competições que disputaram em 2015.








