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Análise

O Maracanãzinho é nosso! UFC Rio 6

Assim como nos tempos de luta e ginásio lotado com o falecido Mestre Hélio Gracie, primeira celebridade atleta que este país já conheceu, criador do Jiu jitsu Brasileiro e pai do criador do UFC Rorion Gracie, o nostálgico ginásio do Maracanãzinho recebeu o UFC Rio 6 neste último dia 21. Claramente o objetivo da organização era proporcionar aos fãs brasileiros uma noite tupiniquim. A grande maioria dos confrontos contou com brasileiros, nenhum mega astro no momento, mas alguns deles têm nome forte no UFC.

Os brasileiros perderam apenas uma luta, contando card principal e preliminar. O domínio na noite de sábado foi quase que completamente dos lutadores da casa. Vale salientar as três principais vitórias. O evento principal com Demian Maia contra o até invicto LaFlare, o co-evento principal envolvendo o jovem Erick Silva contra o experiente Josh Koscheck e a vitória de Amanda Nunes pela divisão galo feminino. Quem detém o cinturão da categoria é a fenomenal Ronda Rousey e qualquer brasileira que se aproxime de uma disputa de cinturão, me empolga.

Demian Maia x LaFlare

O brasileiro, cuja principal especialidade é o jiu jitsu criado por Hélio Gracie, utilizou da sua estratégia habitual e manteve a maior parte da luta no chão e/ou utilizando a curta distância para evitar ser golpeado, podendo assim utilizar de suas finalizações e domínios de guarda, montada e controle das costas do adversário. Para muitos, isso soa como um jogo chato, mas essa sempre foi a principal arma de Demian Maia e suas derrotas, geralmente aparecem quando ele foge desta estratégia. O adversário estava invicto e era uma das grandes promessas para a categoria, porém foi dominado durante todos os rounds e por decisão dos juízes, o brasileiro venceu o combate. Importante vitória, mas terá de apresentar mais repertórios para atingir o top 5 da categoria.

Erick Silva x Josh Koscheck

Iniciou a luta arriscando a trocação contra o americano e acabou se saindo muto bem, acertando diversos golpes de esquerda, causando alguns danos ao experiente adversário. A saída de Koscheck era aplicar seu wresteling, porém o brasileiro tem um jiut jitsu muito afiado.

Erick Silva acabou finalizando o americano por estrangulamento aos 02:29s do segundo round. O golpe foi bem ajustado e não restava nada para o adversário fazer, a não ser desistir.

Erick vai subindo na categoria e deve receber lutas mais importantes durante o ano. Ainda é jovem e não é loucura acreditar que este atleta pode ainda figurar entre os melhores.

Amanda Nunes x Shayna Baszler

As mulheres, como sempre, colocando pra ferver suas lutas. Elas possuem boa técnica, porém são raras as lutas em que as lutadoras não partem para o tudo ou nada. No aspecto fã da luta de mma, isso é fantástico para todos que assistem. A grande maioria das lutas são definidas no primeiro round e nesta vez não foi diferente.

Amanda Nunes dominou Shayna Bazler e a nocauteou ainda no primeiro round. Tirando a falta de desportividade da brasileira ao continuar golpeando a adversária após o árbitro interromper o combate, ela está de parabéns. Deve receber novas lutas, quem sabe com uma vitória contra uma adversária do top 5, ela possa se credenciar a uma luta pelo cinturão. Tem potencial para isso.

O destempero da brasileira ao final do combate pode ser interpretado de duas maneiras, excesso de vontade ou pura maldade. Eu, sinceramente, não sei dizer ao certo o porquê da reação. O árbitro brasileiro Mário Yamasaki advertiu a lutadora e a mesma desculpou-se após a luta.

Rafael dos Anjos campeão e dando show!

O até então campeão Anthony Petis, chamado de “showtime” foi literalmente atropelado pelo brasileiro e isso não se trata do meu patriotismo exacerbado. O meu xará (não perderia essa, ainda mais com um Rafael campeão) passou o carro no adversário durante os cinco rounds. Com uma estratégia bem clara, dominou totalmente o ex-campeão, encurtando a distância para evitar chutes altos, aplicando socos precisos e diretos e usou e abusou no clinch e das quedas. Deu uma aula de artes marciais mistas e mereceu totalmente o cinturão! Entrou no top 10 peso por peso do UFC e deve colocar o cinturão em jogo ainda este ano.

Confirmados pelo Big Boss! Ronda x Bethe e Aldo x McGregor

A brasileira Bethe Correia conseguiu sua chance de disputar o cinturão, porém a missão não será das mais fáceis. A dona do cinturão é ninguém menos do que Ronda Rousey, a americana invicta no UFC e que finalizou sua última luta com apenas 14 segundos. Foi a defesa de cinturão mais rápida da história. A brasileira tem chance? Sim, ninguém é imbatível. Pelo menos era o que pensava antes de conhecer Ronda. Me parece alguém anos a frente dos adversários. Uma pelézinha, por assim dizer.

E o duelo inevitável entre o rinoceronte (oops, free-advertising) e campeão absoluto José Aldo contra o personagem irlandês Conor Mcgregor foi confirmado!! Digo personagem, pois não acredito que o irlândes, de fato, se comporte no dia-a-dia como se comporta nas coletivas e eventos de divulgação. Na última sexta, em evento de promoção da luta durante a pesagem do UFC Rio 6, ele chegou a mastigar uma foto de Aldo ao vivo! Vende bem a luta.

A luta deve ser fantástica e deve ocorrer no UFC 190, ou seja, temos um tempinho ainda, tendo em vista que o UFC 186 ainda não ocorreu.

Protesto no discurso?

Alguns lutadores utilizaram o microfone do UFC para fazer um discurso anti-Dilma. Como sempre, brasileiros fazendo protestos na hora errada, no lugar errado. Dana White afirmou que não irá coibir tal manifestação, porém acho que deveria. A entrevista engloba aspectos da luta, não da sociedade. Existe hora e lugar para isso e certamente não é no discurso de vencedor de uma luta de mma.  Assim como um executivo não deveria protestar contra o governo durante o discurso de agradecimento para o patrão ou para clientes por um trabalho bem sucedido, um lutador não deveria levantar sua bandeira política em um evento organizado por americanos para ser transmitido no mundo todo. Roupa suja se lava em casa!

ERRATA

No texto anterior “UFC 185 – Rafael dos Anjos” escrito por mim, afirmei que o Brasil tinha apenas 1 cinturão, o de José Aldo, quando na verdade possuía 2 no momento. Fabrício Werdum é o dono do cinturão interino da categoria peso pesado e deve enfrentar o campeão Cain Velásquez  este ano. Cain estava machucado e geralmente o UFC cria cinturões interinos para manter o interesse dos lutadores e dos fãs. Acho válido e Werdum o conquistou por mérito próprio. Vale a correção. Agora são três cinturões em posse de brasileiros. José Aldo, Fabrício Werdum e Rafael dos Anjos!

 

Osssssssssssssssss!

 

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