Ypiranga-RS e Londrina empatam, e Remo garante volta à Série B após 13 anos.
Com a vitória no Re-Pa do século, azulinos aguardaram o jogo entre gaúchos e paranaenses para comemorar a vaga.
Acesso vem depois de cinco anos na Terceirona.
Após 13 anos, o Clube do Remo garantiu neste domingo (10) matematicamente o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro.
Após a vitória por 1 a 0 contra o Paysandu, o Leão ainda contou com a ajuda do Ypiranga-RS, que segurou o Londrina e garantiu o empate em 1 a 1 no Estádio do Café, no Paraná, para selar o acesso.
Apesar da vaga garantida na Série B de 2021, o Leão ainda tem compromissos pelo grupo D do quadrangular de acesso da Terceirona.
O Leão volta a campo no sábado (16), às 17h, contra o Londrina no Mangueirão.
Os azulinos jogam pelo empate para garantir a primeira colocação na chave e a vaga na grande final, contra o vencedor do grupo C.
O acesso à Série B veio com uma rodada de antecedência, após a vitória sobre o Paysandu.
Em um dos clássicos Re-Pa mais aguardados da história do futebol paraense, o Leão Azul marcou com Salatiel, aos 34 minutos do primeiro tempo, mas também contou com as brilhantes e decisivas defesas do goleiro Vinícius para segurar o resultado.
Mesmo com a vitória, o Remo não havia garantindo a vaga na Segundona.
Para que isso acontecesse, era preciso que o Londrina tropeçasse diante do Ypiranga-RS, dentro de casa.
E foi o que aconteceu.
Logo no primeiro minuto de jogo, Zé Mario acertou uma cabeçada e assegurou a vitória do time gaúcho no Paraná.
Adenilson, ex-Remo, ainda conseguiu o empate na primeira etapa, mas o placar seguiu sem mudanças.
Com o resultado, só restou aos azulinos comemorar.
Após a queda em 2007, o acesso à Série B veio depois de um longo período dos azulinos rodando pelas divisões inferiores do futebol brasileiro.
Após sete anos entre a Série D e sem calendário, o Remo conseguiu o acesso à terceirona em 2015.
Este ano era a quinta participação consecutiva dos azulinos no torneio.
Até o campeonato de 2020, o Remo não havia conseguido alcançar a fase final, onde ocorre a briga pelo acesso.
Campanha regular e melhor defesa: Pilares do acesso, durante a Série C deste ano o Remo conseguiu ajustar justamente aquilo que faltou em campeonatos anteriores: a regularidade.
Antes, os azulinos demoravam para engatar uma sequência de vitórias, perdendo pontos importantes para adversários diretos, como ocorreu em 2016 e 2019.
Mas em 2020 foi diferente.
Em 18 jogos na primeira fase da competição o Remo alcançou 8 vitórias, 7 empates e 3 derrotas, somando 31 pontos.
Com os resultados, chegou à segunda colocação no grupo A, melhor campanha na Série C desde o retorno em 2016.
Outro ponto que colaborou com a sequência positiva azulina foi o baixo número de gols sofridos.
Em 18 jogos na primeira fase, a defesa foi vazada apenas 10 vezes, a melhor do campeonato.
Troca de treinador, viagens pelo nordeste e vitória no clássico: a primeira fase do Remo, e a trajetória do Remo rumo à segundona começou em Riachão do Jacuípe, na Bahia.
Na ocasião, o Remo venceu o Jacuipense por 2 a 1, de virada, com direito a gol no último minuto do camisa 10, Eduardo Ramos.
Eduardo, inclusive, foi peça fundamental na campanha do Remo.
Liderança técnica e moral no vestiário, o 10 do Leão era o único remanescente do acesso azulino em 2015, quando o Remo saiu da Série D.
Com gols importantes, Eduardo Ramos ganhou o carinho da torcida e, mesmo após uma série de lesões, conseguiu ser importante no acesso azulino.
Após a vitória em cima da Jacuipense na Bahia, o Remo começou uma sequência de jogos contra equipes do nordeste: venceu o Ferroviário, no Mangueirão, e empatou com o Imperatriz, no Frei Epifânio.
Após os resultado o Remo sofreu com as primeiras instabilidades no campeonato.
Foram cinco jogos sem vencer, quatro empates e uma derrota.
O futebol da equipe não era ofensivo e desagradava a torcida.
A sequência ruim fez o Remo sair do G-4 da competição, o que levou a demissão do técnico Mazola Júnior.
Para o comando azulino a diretoria acertou o retorno de Paulo Bonamigo.
O gaúcho já havia tido uma passagem vitoriosa com os azulinos, no ano 2000, quando conseguiu, em campo, o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro. Porém, devido a uma virada de mesa, o Remo acabou ficando mais um ano na Segundona naquele ano.
Bonamigo era um nome aprovado pela torcida, com a mística de um (quase) acesso nas costas.
Mas, pra diretoria não bastava.
O Remo precisava vencer e fazer gols.
É foi o que aconteceu.
Logo na estreia, contra o Manaus, no Mangueirão, o Remo conseguiu uma vitória, por 1 a 0, o que não acontecia há seis rodadas.
Em seguida, vinha o clássico contra o Paysandu.
A partida foi eletrizante e o Leão saiu como vencedor: 3 a 2.
A sequência de Bonamigo continuou positiva.
Vitória contra a Jacuipense, em Belém, tropeço contra o Ferroviário fora de casa, vitória contra o Imperatriz, no Mangueirão, empate contra o Vila Nova, em Goiás, e vitória contra o Treze, na capital do Pará.
Chegava a reta final da primeira fase e o fantasma do “guardador de vagas” ainda assombrava os azulinos.
Assim como em 2019, o Remo tinha passado quase todas as rodadas dos campeonato entre os quatro primeiros.
No entanto, na última rodada, o Remo perdeu a vaga para o maior rival.
O “medo” do torcedor aumentou ainda mais, quando o Leão perdeu por 2 a 0 para o então líder, Santa Cruz, em Belém.
Na rodada seguinte, um empate em 0 a 0 com o Botafogo-PB, fora de casa, acendeu o sinal amarelo.
O Remo tinha chances reais de ficar de fora do G-4.
Para afastar essa possibilidade, precisava vencer o Manaus, fora de casa.
Mais uma vez, na beira do precipício, assim como na chegada de Bonamigo, o Remo respondeu. 2 a 0, com direito a gol de letra do atacante Salatiel.
Com o resultado, o Leão estava classificado pela primeira vez à segunda fase da Série C.
Um empate, na última rodada, contra o Paysandu, só fez sacramentar a vaga.
Estreia na segunda fase e objetivo alcançado: o acesso, com os resultados na primeira fase, o Remo se classificou para o grupo D da segunda fase da Série C.
Junto com os azulinos, estavam o Ypiranga-RS e Londrina, respectivamente primeiro e terceiro colocados do grupo B da primeira fase.
Junto com os adversários do sul, estava o Paysandu, o maior rival.
A campanha começou bem, empate contra o Londrina fora de casa, com belas defesas do goleiro Vinícius, o Paredão Vereador.
Depois, veio a vitória do Re-Pa, por 3 a 1, com direito a um belo gol do zagueiro Rafael Jansen.
A vitória contra o Ypiranga-RS, na última rodada do primeiro mostrou que o acesso parecia encaminhado.
No entanto, o turno virou e a sorte pareceu virar também.
Em viagem ao Rio Grande do Sul, o Remo perdeu para o Ypiranga, então lanterna no grupo.
O acesso antecipado já não era tão real, como parecia.
Os azulinos precisavam vencer o clássico, na penúltima rodada, e torcer por um tropeço do Londrina contra o Ypiranga.
Em 2005, quando o Remo conquistou o título da Série C, a situação era parecida.
O Leão precisava vencer o Novo Hamburgo, fora de casa, e torcer por um empate entre America-RN e Ipatinga.
Na época, o Leão venceu os gaúchos por 2 a 1, gols de Capitão e Maurílio.
Na outra partida, potiguares e mineiros não saíram do zero.
Para os supersticiosos, a mística foi mantida: o Leão venceu por um gol de diferença e a outra partida também foi empate.
A combinação de resultados necessária aconteceu.
O Remo estava de volta à Série B.
“Acho que é parabéns aos atletas, comissão técnica, diretoria, a todos os envolvidos do Clube do Remo, à nossa torcida pelo incentivo nesse momento. Mesmo não tendo de corpo presente, a gente vê e sente a nação remista nos apoiando nesse momento. Motivo de entusiasmo aos nossos atletas”,comemorou o técnico Paulo Bonamigo.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





