Brasil vence Argentina e leva o título da Copa do Mundo de Futsal.
Com atuação épica do goleiro Willian e gols de Ferrão e Rafa Santos, seleção brasileira triunfa por 2 a 1 e volta ao topo do mundo depois de 12 anos.
Ganhar é bom.
Ganhar da Argentina é melhor.
Ganhar da Argentina em uma final de Copa foi a experiência que o torcedor brasileiro pôde viver neste domingo (6).
Depois de 12 anos, a seleção verde e amarela voltou ao topo do mundo no futsal.
O hexacampeonato veio com vitória sobre os grandes rivais por 2 a 1.
Ferrão e Rafa Santos balançaram as redes argentinas, o goleiro Willian teve uma atuação épica, e a festa do Brasil tomou conta da Humo Arena, em Tashkent, no Uzbequistão.
Um dos pontos fortes do Brasil durante toda a campanha na Copa do Mundo, a defesa voltou a brilhar na grande decisão.
A marcação forte suportou a pressão argentina, que começou ainda no primeiro tempo.
Quando a bola passou, Willian fez questão de mostrar o poder dos goleiros brasileiros, com defesas fantásticas e uma atuação que fica marcada na história do futsal.
No ataque, ainda que tenho finalizado menos (61 a 34) e acertado menos o gol (26 a 11), o Brasil foi mais cirúrgico.
Ferrão mostrou oportunismo ao completar cobrança de falta, e Rafa Santos contou com a sorte para mexer com o placar da final.
Os dois lances, protagonizados por pivôs, aconteceram ainda na etapa inicial.
Rosa só descontou nos últimos instantes, quando a Argentina já tinha acionado o goleiro-linha.
Rivais tradicionais no futsal, Brasil e Argentina nunca tinham se enfrentado na decisão da Copa do Mundo.
As duas seleções até travaram duelo decisivo na última edição do torneio, em 2021, quando os argentinos venceram por 2 a 1 na semifinal.
O título deste ano, importante por si só, foi também uma revanche para a seleção verde e amarela.
Campeão em 1989, 1992, 1996, 2008 e 2012, o Brasil não chegava à decisão da Copa do Mundo desde o último título conquistado, há 12 anos.
A equipe brasileira caiu diante do Irã nas oitavas de final em 2016 e terminou na terceira colocação cinco anos depois.
Se ficasse sem o troféu neste domingo (6), concretizaria o jejum mais longo da história da seleção de futsal em Mundiais.
A Argentina, por sua vez, disputou a terceira final consecutiva de Copa do Mundo de Futsal.
Campeã em 2016, depois de vencer a Rússia, perdeu a decisão de 2021 para Portugal.
O Brasil foi à quadra com o goleiro Willian, Marlon, Marcel, o capitão Dyego e Rafa Santos na primeira formação.
A Argentina começou com Sarmiento, Claudino, Brandi, Arrieta e Taborda. Logo no primeiro minuto da final,
Dyego teve uma grande chance, mas parou em boa defesa de Sarmiento, que ficou caído e tentou frear o ímpeto verde e amarelo.
A Argentina queria ficar com a bola, mas o Brasil era rápido nos contra-ataques, chegava com perigo mais vezes e recebia o apoio da maior parte da torcida uzbeque.
Ainda nos momentos iniciais da decisão, finalizações de Marlon, Rafa Santos e Ferrão passaram bem perto da trave adversária.
A superioridade verde e amarela foi premiada com gol de Ferrão, que completou uma cobrança de falta com 14 minutos restantes no primeiro tempo.
O pivô, contudo, mal comemorou, porque sentiu incômodo na perna direita.
Após o lance, logo na saída de bola, a Argentina tentou responder, mas Willian fez uma defesaça e mostrou o porquê de o Brasil ter sido tão pouco vazado na Copa do Mundo.
Em desvantagem no placar, os argentinos começaram a sair para o jogo e apertar a marcação, e Marquinhos Xavier colocou Pito em quadra.
Melhor jogador do mundo, o pivô perdeu algumas partidas do Mundial por causa de lesão.
O técnico brasileiro também pediu tempo e ressaltou a importância de os jogadores continuarem focados.
Pouco depois de entrar, Pito fez uma falta forte, e a Argentina pediu suporte de vídeo para definir a expulsão do craque brasileiro.
A arbitragem, no entanto, optou por mostrar apenas o cartão amarelo.
Mesmo que tentassem criar mais chances e dessem trabalho para a construção de jogadas do Brasil, os argentinos não conseguiam levar tanto perigo a Willian.
E, a 7 minutos do fim da etapa inicial, a seleção brasileira ampliou a vantagem.
Felipe Valério chutou, Sarmiento defendeu, mas a bola voltou em Rafa Santos e entrou: 2 a 0.
Na contagem regressiva até o intervalo, o Brasil teve menos a bola, cometeu erros e sofreu pressão.
Uma atuação inspirada de Willian, porém, impediu a Argentina de descontar.
O goleiro fez defesas de todo tipo e vibrou em cada uma delas.
O segundo tempo já começou com outras grandes intervenções de Willian. Ciente de que precisava balançar as redes rapidamente, a Argentina tentava finalizar em todas as oportunidades que tinha.
O Brasil buscava contra-ataques e lances velozes.
Aos poucos, também começou a levar perigo para a meta adversária, mas sem converter as chances em gols.
Conforme os minutos passavam, a Argentina aumentava a pressão, e os brasileiros procuravam caminhos para escapar dela.
Mais uma vez, Marquinhos Xavier usou o tempo técnico a que tinha direito e bateu papo com os jogadores.
Pediu, sobretudo, para que a bola não chegasse com frequência aos pivôs argentinos.
Com pouco menos de sete minutos para o fim da partida, a Argentina pôs Gauna como goleiro-linha para ter superioridade numérica no ataque.
Apesar de rodar bastante a bola, a seleção albiceleste esbarrava na forte marcação, muito dedicada, mas também arriscada.
O Brasil chegou ao limite de cinco faltas coletivas ainda com quatro minutos cronômetros.
Se a equipe verde e amarela cometesse mais uma infração, a Argentina teria um tiro livre para cobrar.
Mais limitada na marcação, a seleção brasileira foi vazada a 2 minutos do fim.
Depois de mais uma defesa de Willian, Rosa, novo goleiro-linha da Argentina, marcou no rebote e aumentou o nervosismo da reta final da decisão.
Apesar da intensidade argentina, o roteiro realmente parecia destinado à vitória brasileira.
Nos últimos instantes, Willian voltou a brilhar.
A bola dos hermanos não queria entrar.
E o Brasil finalmente soltou o grito que estava entalado na garganta.
Somos hexacampeões mundiais de futsal!
O grupo que levou o Brasil ao hexacampeonato:
Goleiros – Guitta, Diego Roncaglio e Willian
Fixos – Marlon e Neguinho
Alas – Dyego, Leandro Lino, Felipe Valério, Arthur, Marcel e Marcênio
Pivôs – Ferrão, Pito e Rafa Santos
Técnico – Marquinhos Xavier
Campanha do Brasil na Copa do Mundo de 2024:
Primeira Rodada – Brasil 10 X 0 Cuba
Segunda Rodada – Brasil 8 X 1 Croácia
Terceira Rodada – Tailândia 1 X 9 Brasil
Oitavas de final – Brasil 5 X 0 Costa Rica
Quartas de final – Brasil 3 X 1 Marrocos
Semifinal – Ucrânia 2 X 3 Brasil
Final – Brasil 2 X 1 Argentina
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





