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Líderes invictos, zagueiros brasileiros detalham “estranho novo normal” no Japão.
Cenário é marcado por silêncio entre torcedores nas arquibancadas, rotina frequente de exames e times de Jesiel e Freire no topo das séries “A e B” japonesas.
A alegria vai dividindo espaço com a atenção e a responsabilidade redobradas.
Este é o panorama no futebol do Japão descrito por brasileiros que estão ajudando nas campanhas invictas dos seus times.
O retorno após a pausa devido à pandemia da Covid-19 completou 30 dias nesta terça-feira (4) na J-League e está prestes a atingir 40 dias na J-League 2 (a divisão de acesso).
Os dois zagueiros têm colaborado para que suas equipes sigam com bons desempenhos em campo, em meio a todas as restrições e preocupações as quais ainda residem fora dele.
São eles: o ex-Atlético-MG Jesiel, do Kawasaki Frontale, líder invicto da elite, e Leandro Freire, atleta do V-Varen Nagasaki, primeiro colocado da segunda divisão.
A dupla, que é da região de Presidente Prudente, interior paulista, falou sobre as “estranhezas” do “novo normal”, como o reencontro com a, agora, silenciosa torcida.
No dia 10 de julho, o país liberou a entrada de torcedores nos estádios, mas com públicos de, no máximo, 5 mil pessoas e sem gritos de apoio.
Distanciamento e exames exigidos são outros assuntos presentes no protocolo.
“Está sendo bem legal, mas estranho também. A torcida não pode gritar, cantar, além de manter distância nas arquibancadas. Até achamos estranho quando fizemos o primeiro gol dessa forma, e falei com o Damião (Leandro Damião, ex-Inter e Santos) como era diferente ouvirmos só aplausos. Mas a gente tem se adaptado”, comentou Jesiel.
“Está tudo bem controlado. As coisas estão sendo bem cuidadas. Nesta volta, fizemos só o primeiro jogo sem torcida, e depois liberaram, mesmo que ainda de forma restrita. E, assim como nós jogadores fazemos os exames, o torcedor precisa apresentar o seu para entrar. É algo que ficou bem claro: a responsabilidade de cada um diante disso”, avaliou Freire.
A dupla de defensores ainda foi unânime ao destacar a disciplina da população, presenciada nas ruas e em atividades além do esporte.
O respeito às regras é aprovado e ressaltado pelos jogadores.
“É muita disciplina, sim. Todos usando máscara, respeitando seu lugar, mesmo sendo uma torcida que, normalmente, apoia muito. Eles têm mantido a disciplina”, disse o zagueiro do V-Varen.
“Já tivemos jogos cancelados, devido a novos casos. Causa certo receio, mas medo, não. A gente vê a disciplina dos torcedores, estamos fazendo exames toda semana. Eu sinto que tudo vai se tranquilizando”, falou o atleta do Frontale.
Campanhas: Na principal divisão do Japão, o time de Jesiel está com 22 pontos em oito jogos (sete vitórias e um empate).
São 21 gols marcados (melhor ataque) e seis sofridos.
A campanha, como contou o jogador, é apontada pela imprensa local como a melhor na história do Frontale em um início de J-League.
O próximo compromisso é contra o Antlers, treinado por Antônio Carlos Zago, nesta quarta-feira (5), na retomada da Copa da Liga.
“Desde o início da pausa, a gente procurou se manter o melhor possível fisicamente. Agora é trabalhar para manter a regularidade”.
Na J-League 2, o V-Varen de Freire, que ainda tem nomes como Luan, ex-Galo, e o colombiano Ibarbo, é o líder com 23 pontos em nove jogos.
A equipe tem sete vitórias e dois empates, 13 gols marcados e cinco sofridos.
No sábado (8) encara o Tokushima Vortis, terceiro colocado, fora de casa.
“O time tem administrado bem várias questões, como a pressão externa que existe, motivada principalmente pelos altos investimentos feitos para que a equipe volte à primeira divisão. E sempre acreditei que nosso elenco é muito forte. O trabalho é feito com cautela, com o técnico rodando o elenco, para evitar lesões, principalmente depois de tudo isso. E, até aqui, o grupo está lidando bem”.
Já o time de Zago é o décimo segundo colocado na J-League, com sete pontos em oito jogos, após um começo nada bom na competição.
Porém não perde há duas partidas.
Na última rodada, o Kashima Antlers goleou por 4 a 1, fora de casa, o Oita Trinita, com três gols de Everaldo, ex-Chapecoense.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro