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Análise

Novela Scarpa chega ao fim e escancara: Há um Bayern no Brasil

Desde o fim de 2017 uma novela se arrastava nos bastidores do futebol brasileiro: onde vai jogar Gustavo Scarpa? Meia habilidoso e promissor, o atleta que liderou todas as estatísticas de criação do último Campeonato Brasileiro, virou alvo de disputa entre os maiores clubes do país após alegar insatisfação com o Fluminense, seu clube até então. Scarpa alegava diversos atrasos em suas remunerações entre salários, INSS e até 13º.

Gustavo Scarpa não apareceu no CT das Laranjeiras na reapresentação do grupo para a pré-temporada por conta do não pagamento do que o clube o devia. Inclusive no dia 5 de janeiro, o elenco levou um bolo para celebrar o 24º aniversário do meia, que obviamente não compareceu à própria festa.

Com isso, o Fluminense passou a receber diversas propostas que envolviam dinheiro, trocas ou empréstimos de atletas – algumas das propostas continham tudo isso. Vivendo grave crise financeira, que já acarretou a saída de nomes consagrados, o Tricolor Carioca abriu negociações que se arrastaram do fim do Brasileiro até o dia de hoje.

São Paulo, Corinthians, Atlético MG e Cruzeiro estiveram muito próximos de chegar a um acordo com os cariocas por seu principal jogador nos últimos dois anos. O Tricolor Paulista teria inclusive, uma reunião marcada hoje (15) para sacramentar aquela que seria a principal contratação da temporada.

Acontece que na última sexta-feira (12), Gustavo Scarpa e seus representantes da OTB Sports, obtiveram na justiça, uma liminar que quebrou seu contrato junto ao Tricolor carioca, o que fez com que clubes que haviam desistido publicamente da negociação, voltassem com tudo para atravessar o Tricolor Paulista.

E como estamos nos acostumando nas últimas temporadas, não deu outra. Quando o turbinado Palmeiras entra na jogada, dificilmente alguém ganha uma negociação. Em pouco tempo, Alexandre Mattos resolveu a questão e Gustavo Scarpa é reforço do Alviverde.

Essa longa novela escancarou a superioridade do Palmeiras em relação a seus rivais no que diz respeito ao poderio econômico. A situação se assemelha ao futebol alemão, onde o Bayern tem muito mais poder de investimento que qualquer outra equipe da Bundesliga e contrata os principais jogadores de seus rivais não apenas para se reforçar, mas também para enfraquecer os demais e impedir que outros se reforcem.

Mario Gotze não teve a sequência que esperava no Bayern

São inúmeros os casos de jogadores que chegaram ao clube bávaro cercados de expectativas e pouco atuaram. Mario Gotze, autor do gol alemão na final da Copa de 2014, chegou ao Bayern em 2013 por 37 milhões de euros, muito badalado após surgir como um fenômeno no Borussia Dortmund (inclusive ganhando títulos).

Foram três temporadas sem nunca ter conseguido se firmar como titular da equipe. Saiu em 2016 sem deixar saudades, de volta ao mesmo Borussia Dortmund, para tentar recuperar o futebol que nunca mostrou pelo Bayern. O detalhe é que o Bayern, que gastou 37 milhões acabou vendendo o alemão por 22 milhões de euros. Prejuízo?

E é justamente essa a impressão que o conglomerado Palmeiras/Crefisa tem passado. O Alviverde não busca apenas se reforçar. Busca o monopólio no mercado nacional. Não querem dar chance aos outros clubes. Para se ter uma ideia, com a chegada de Gustavo Scarpa, o Palmeiras possui hoje cinco dos dez jogadores que mais deram assistências para gol no Brasil desde 2014:

(dados Footstats)

Não foram raros os casos de jogadores que chegaram e pouco jogaram desde que a parceria do Palmeiras com a Crefisa se consolidou. Hyoran, chegou como um jogador promissor da Chapecoense e pouco jogou. Hoje ficou sabendo que pela segunda vez em dois anos, não foi sequer inscrito no Campeonato Paulista. Rafael Veiga, outro que chegou como promessa, pouco jogou e agora foi emprestado ao Atlético PR. Erick, atacante veloz que todos os clubes brasileiros queriam enquanto jogava no Goiás, foi emprestado ao Atlético MG sem deixar saudade nos palmeirenses. Michel Bastos reforçou o Palmeiras em 2017 como um jogador “cascudo” para a disputa da Libertadores e também não teve espaço. E por aí vai…

Assim como 2017, a temporada de 2018 começa com a sensação de que o Palmeiras é muito superior aos demais. Talvez com a exceção de Flamengo e Cruzeiro, os outros grandes do futebol nacional parecem muito inferiores no que diz respeito à qualificação do elenco.

Ao longo do ano vamos saber se esse time entregará o que promete. Aos outros times, resta investir em suas respectivas categorias de base, ou então “atacar” os atletas que o Palmeiras não quiser, por algum motivo.

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