Mubadala propõe bloco comercial e operação de R$ 1,3 bilhão para facilitar acerto com Libra.
Valor representa metade do que clubes ganhariam se assinassem proposta por liga.
Fundo árabe tenta vencer resistências internas, de Botafogo, Cruzeiro e Vasco, e com o Forte Futebol.
Em reunião realizada com a Libra, nesta segunda-feira, o fundo árabe Mubadala apresentou um modelo alternativo de união entre os clubes, para facilitar a assinatura de contratos com as equipes que a compõem.
Nele, não há previsão de uma liga de fato, mas de um bloco comercial, que negociará seus direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.
A novidade não altera as duas propostas apresentadas até agora, uma de R$ 4,75 bilhões por uma liga com mais de 35 clubes, outra de R$ 4 bilhões por uma “parcial”, com 18 a 34 clubes.
Ambos cenários estão mantidos, e o fundo mantém a esperança de que um deles será adotado.
O novo formato foi formulado para incentivar a assinatura de um novo MOU (“memorando de entendimento”, na sigla em inglês) entre Libra e Mubadala.
O acordo que existia entre as partes, assinado meses atrás, expirou recentemente, sem que a liga tenha sido fundada no prazo.
A operação funcionaria como antecipação de receitas, na qual o fundo antecipa dinheiro aos 18 clubes em troca de 12,5% sobre seus direitos de transmissão por 50 anos.
O valor da operação é de R$ 1,3 bilhão.
A quantia representa a metade do que os integrantes da Libra receberiam se assinassem a proposta integral, de R$ 4,75 bilhões.
Caso os clubes concordem com essa alternativa, a promessa é de pagamento à vista.
Confira, a seguir, quanto cada clube receberia nessa antecipação:
Clube Valor
Flamengo R$ 158 milhões
Corinthians R$ 148 milhões
Palmeiras R$ 128,5 milhões
São Paulo R$ 128,5 milhões
Cruzeiro R$ 99,5 milhões
Grêmio R$ 99,5 milhões
Santos R$ 99,5 milhões
Vasco R$ 99,5 milhões
Botafogo R$ 80 milhões
Bahia R$ 60 milhões
Vitória R$ 60 milhões
Ponte Preta R$ 40,5 milhões
Guarani R$ 31 milhões
Red Bull Bragantino R$ 31 milhões
Ituano R$ 11 milhões
Mirassol R$ 11 milhões
Novorizontino R$ 11 milhões
Sampaio Corrêa R$ 11 milhões
Total R$ 1,3 bilhão
Fonte: Globoesporte.globo.com
Em alusão à maneira como os maiores mercados do futebol europeu se organizaram, dirigentes brasileiros pretendem fundar uma liga de clubes para organizar o Campeonato Brasileiro e a Série B.
A entidade representaria os interesses coletivos de todos os clubes, sobretudo os comerciais.
A venda dos direitos de transmissão e a captação de patrocinadores para a competição, entre outras receitas, passariam a ser feitas de maneira centralizada, por estrutura profissional.
Faz parte do escopo da liga organizar o campeonato em outras vertentes, como arbitragem e confecção do calendário.
Hoje, essas tarefas estão sob responsabilidade da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
Amanhã, se houver liga, a confederação passaria a concentrar esforços na seleção brasileira e na Copa do Brasil.
Também poderia fazer parte do negócio a criação de um sistema de fair play financeiro, para desestimular irresponsabilidades financeiras e fiscais e manter a saúde financeira do futebol.
Em outros países, como na Espanha, essa função foi assumida pela liga de clubes.
A diferença entre uma liga e um bloco comercial, criado meramente para negociar direitos comerciais, é que a primeira se responsabilizaria por tudo, enquanto o segundo só venderia os direitos de transmissão dos times que assinassem o contrato.
Por que “só” um bloco comercial: O plano inicial do Mubadala era adquirir 20% dos direitos de uma liga, em sua concepção mais ampla.
A sua proposta inclui um sistema de fair play financeiro, o direcionamento dos recursos para o desenvolvimento do futebol, entre outros tópicos pouco abordados publicamente.
Com sede nos Emirados Árabes e parte de seus recursos oriundos do fundo soberano desse país, a empresa investiria R$ 4,75 bilhões para comprar a participação sobre a liga por 50 anos, e o seu retorno viria ao receber percentual sobre os resultados financeiros obtidos por ela.
A fundação da liga foi travada, no entanto, por divergências entre cartolas.
Primeiro, dirigentes se dividiram em dois grupos, Libra e Forte Futebol.
O fundo árabe conseguiu avançar apenas com os membros da Libra, enquanto o grupo antagônico fechou seu próprio acordo com um fundo americano chamado Serengeti e com a gestora de investimentos curitibana Life Capital Partners (LCP).
Agora, existe também mais uma barreira a ser vencida dentro da própria Libra.
Botafogo, Cruzeiro e Vasco, três clubes que haviam assinado o primeiro memorando de entendimentos com o fundo árabe, hoje estão insatisfeitos e não pretendem assinar o acordo proposto inicialmente.
Existem insatisfações em pontos variados, que começaram a ser atendidos na reunião desta segunda-feira (5).
Havia descontentamento, por exemplo, com a cláusula que condicionava o pagamento de R$ 4 bilhões à participação do Mubadala na organização do Campeonato Brasileiro.
Alguns dirigentes entendiam que essa condição não poderia ser colocada, pois ela faria com que o negócio dependesse da aprovação da CBF.
Neste modelo alternativo formulado pelo Mubadala, de R$ 1,3 bilhão por 12,5% dos direitos de transmissão dos clubes, não existe tal cláusula.
Nos cenários de R$ 4 bilhões e R$ 4,75 bilhões, a cláusula foi mantida.
O fundo árabe ainda negocia com Botafogo, Cruzeiro e Vasco.
Adaptações em outros itens do desagrado dos três clubes podem ser feitas na oferta, para que as reivindicações sejam atendidas.
O Globo Esporte apurou que a comissão de até 5% sobre o valor do negócio é outro motivo de descontentamento.
De maneira geral, o investidor espera que o novo formato tanto estimule os três clubes a assinarem novo acordo quanto motive membros do Forte Futebol a trocar de lado.
Embora o desejo ainda seja o de fundar uma liga de clubes de fato, o cenário do bloco comercial pelo menos faria com que todos os clubes se unissem em um grupo único.
Quem é quem:
São membros da Libra: Bahia, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Guarani, Ituano, Mirassol, Novorizontino, Palmeiras, Ponte Preta, Bragantino, Sampaio Corrêa, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória.
São membros do Forte: ABC, Athletico, Atlético-MG, América-MG, Atlético-GO, Avaí, Brusque, Chapecoense, Coritiba, Ceará, Criciúma, CRB, CSA, Cuiabá, Figueirense, Fluminense, Fortaleza, Goiás, Internacional, Juventude, Londrina, Náutico, Operário-PR, Sport, Vila Nova e Tombense.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





