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Análise

Negociação pela volta

Os bastidores da negociação que primeiro proibiu e depois permitiu a volta dos treinos de Grêmio e Inter.

Presidentes de Internacional e Grêmio tiveram domingo de apresentação de protocolos médicos que fizeram governador Eduardo Leite dizer que se pode trabalhar nos Centro de Treinamentos.

A noite de domingo (10) começou com comunicado conjunto de Internacional e Grêmio, de cancelamento dos treinos de segunda-feira (11) de manhã.

O texto dizia que haveria reunião de rotina para ajustar o planejamento para os próximos dias.

Ocorre que no início da madrugada, o governador Eduardo Leite disse que seu decreto da última sexta-feira (8) permitia treinos individuais nos centros de treinamento de associações esportivas situadas em cidades catalogadas com bandeira laranja.

Os treinos voltam hoje à tarde.

Mas houve uma longa negociação e apresentação dos resultados com sucesso na semana passada para que houvesse a permissão estadual.

O Rio Grande do Sul está dividido em cores, de acordo com o grau de risco do vírus.

O estado tem 11 milhões de habitantes e 100 mortes.

Porto Alegre tem 1,4 milhão de habitantes e 17 mortes.

É difícil entender por que, até este momento, o Rio Grande não é atingido como São Paulo e Rio de Janeiro e há estudos que indicam que isto ainda pode acontecer no inverno.

Por outro lado, há quem aponte para a densidade demográfica com um motivo possível para haver maior tranquilidade neste momento.

Porto Alegre tem 3 habitantes por quilômetro quadrado. São Paulo tem 8.

O governador Eduardo Leite já deu entrevistas e disse que houve apenas confusão de interpretação sobre seu decreto de sexta-feira (8) e que as cidades catalogadas em laranja sempre tiveram autorização para treinamentos individuais.

Mas houve um longo trabalho no domingo para ter esta certeza e aprovação.

Os presidentes Marcelo Medeiros, do Internacional, e Romildo Bolzan, do Grêmio, conversaram com o prefeito Nelson Marchezan Junior e questionaram se ele mudaria seu decreto em função do decreto do governador.

O prefeito informou que sua permissão continuava valendo.

Então, as ações passaram ao governo do estado, porque o STF (Supremo Tribunal Federal) atribuiu às prefeituras a permissão ou proibição das atividades.

Havia, portanto, conflito entre o decreto municipal e estadual e a recomendação do STF para que a decisão do prefeito fosse soberana.

O trabalho foi longo e fez chegar ao governador todo o protocolo de treinamentos separados.

Também o depoimento do médico Jorge Pagura, da comissão médica da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), que tratou do protocolo como modelo para o Brasil e para o mundo.

Outro ponto importante é o fato de que o único jogador testado positivo foi Diego Souza, que não conviveu com o grupo e contraiu a doença no Rio de Janeiro, não no Rio Grande do Sul.

Tudo isto convenceu o governador Eduardo Leite, embora ele diga que nada mudou e houve apenas um erro de interpretação.

Importante dizer que não se fala ainda em jogos, apesar de haver um plano de saída da crise com jogos em três a cinco estádios para completar o Campeonato Gaúcho.

Os treinos são o primeiro passo.

O segundo pode acontecer apenas em julho, mas há a convicção de que, sem treinos, será impossível voltar rápido aos jogos quando houver autorização, nunca antes disto.

Se a doença continuar no nível em que está, o Rio Grande do Sul poderá ser a primeira porta de saída da crise.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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