Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) descarta jogos da Copa Sul-Americana 2020 em sede fixa.
A UEFA (União Europeia de Futebol) decidiu que a Liga dos Campeões terminaria em sede única, Lisboa, a capital portuguesa que atravessou a covid-19 melhor do que outros países do continente como Espanha, Itália, França e Inglaterra.
Pesou também na escolha a neutralidade, já que não há time português entre os 12 que ainda podem levantar o troféu (quatro já classificados para as quartas e outros oito que ainda disputam as oitavas).
Tirar os times de suas casas, e a final em jogo único de Istambul (que receberá a decisão da edição 2021), foi até certo ponto simples para os europeus, que têm seu torneio na reta final.
É também por isso que a Conmebol não cogita repetir a estratégia em seus torneios que estão paralisados desde março por causa da pandemia.
Em entrevista ao blog há duas semanas, o diretor de competições de clubes da Conmebol, Frederico Nantes, disse que a hipótese de finalizar a Taça Libertadores da América e a Copa Sul-Americana em sedes fixas não está em negociação.
Mas por quê?
A confederação avalia ser impossível deslocar 32 times da Taça Libertadores da América, mais 32 da Copa Sul-Americana, para um mesmo país.
Se a UEFA terá oito times em Portugal para jogar sete partidas, só a Taça Libertadores da América ainda tem 93 partidas a se disputar, contando a decisão em confronto único que está marcada para 21 de novembro, no Maracanã.
Como levar 32 times para o mesmo país e disputar 93 partidas?
Completamente inviável.
Mas há um lobby em andamento.
Cartolas e políticos de países que têm se saído melhor no controle à covid-19, como Argentina, Uruguai e Paraguai, têm levantado essa possibilidade, principalmente em contato com jornalistas de seus respectivos países.
Há alguns dias, a imprensa uruguaia divulgou a possibilidade de a Taça Libertadores da América ser finalizada no Uruguai.
O único plano da Conmebol no momento é terminar suas competições do modo tradicional, cada time jogando em seu país, mas estendendo o torneio por 2021, provavelmente até fevereiro.
Esse cenário é viável se os jogos retornarem em setembro, que hoje é o objetivo da entidade.
Há obstáculos?
Claro.
Países como Brasil, Chile e Peru passam por dificuldades para conter o novo coronavírus e há dúvidas de como o acesso de estrangeiros a esses países estará nos próximos meses. Se as fronteiras estiverem fechadas, como jogar Taça Libertadores da América e Copa Sul-Americana?
Difícil e é por isso que vez ou outra alguém lança a ideia de sede fixa.
Mas além da questão da quantidade de times que precisariam se fixar em um ou dois países, há o calendário.
Digamos que a Conmebol decida enfiar 32, ou até 64 times, em um mesmo país para uma maratona de partidas.
Quanto tempo isso demoraria?
Na Taça Libertadores da América, com dois jogos por semana para respeitar o descanso dos atletas, seria preciso um mês e meio.
Como você deixaria um time brasileiro 45 dias em um mesmo país sendo que o Brasileiro estará rolando ao mesmo tempo?
Quem propõe sede fixa esquece que os torneios nacionais deverão estar em andamento.
Na CBF (Confederação Brasileira de Futebol), o discurso interno é de priorizar a Série A e que os jogos pela América do Sul podem demorar um pouco mais a acontecer.
A Conmebol quer, e provavelmente vai, terminar a Taça Libertadores da América e a Copa Sul-Americana 2020.
Mas não será em sede fixa e dificilmente este ano…
Reportagem: Blog do Marcel Rizzo – UOL
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





