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DANIEL NERI. PORTUGUÊS. SALGUEIRO-PE.
Análise

Na Série A?!?!

Após título inédito, Mister do Sertão avisa: “Amigo, vou ser treinador de Série A”.

Português Daniel Neri dá ao interior o primeiro título pernambucano da história: “Se o Salgueiro não tiver capacidade de chegar a Série A, eu vou atrás de um clube que me leve para a Série A”.

Campeão pernambucano pelo Salgueiro, primeira vez de um time do interior do estado, o treinador Daniel Neri já rejeitou qualquer comparação com seu compatriota Jorge Jesus.

Também descartou inspirar-se no ex-técnico do Flamengo, que vive uma realidade bem distante de Neri, ainda em busca de espaço no futebol.

Mas, além da nacionalidade portuguesa, não há como negar que outra característica parece unir os dois: a confiança em si mesmo.

Após o título inédito com o Carcará, Daniel Neri avisou que pretende alçar voos mais altos no futebol brasileiro.

“Amigo, eu vou ser treinador de Série A. Se o Salgueiro tiver condições de chegar à Série A, eu vou com o Salgueiro até a Série A. Se o Salgueiro não tiver capacidade de chegar a Série A, eu vou atrás de um clube que me leve para a Série A”, garantiu.

Chamado de Mister por jogadores do elenco, Neri valorizou o feito do Carcará, que superou orçamentos e contrariou estatísticas para ganhar o Pernambucano deste ano.

“Nós sabemos que é uma luta desleal, uma luta muito grande, então nós tínhamos que trabalhar mais e melhor para sonhar. Não era para conquistar, era para sonhar. E conquistamos”.

Depois da luta, veio a glória.

O time foi recebido em festa no Sertão pernambucano, por uma população apaixonada pelo clube e em êxtase pelo triunfo inesperado.

“A cidade abraçou mesmo. Abraçou, sentiu, está muito feliz. É como se o Brasil tivesse ganho a copa do mundo. Sessenta mil habitantes conseguem ter um time que é campeão estadual, num estado com dez milhões de habitantes. isso é algo especial”.

O caminho para chegar ao primeiro troféu não foi nada fácil.

Neri desembarcou no Brasil em 2004, como parte do programa de intercâmbio da Universidade do Porto.

Poderia ter escolhido um país da Europa – mas decidiu vir para a terra do futebol, esporte com que sempre sonhou em trabalhar.

O primeiro estágio, 16 anos atrás, foi no Santa Cruz, mas, depois, ele rodou um bocado.

Passou pela base do Sport, rodou em clubes de menor expressão e até ficou sem trabalho durante meses que pareceram intermináveis.

“(Ás vezes é) Um investimento muito alto para colher muito pouco, e naquele momento (de desemprego) eu quase virei pro outro lado e desistia. Me agarrei ao que tinha. Foram quase dois anos sem trabalho que valessem a pena no futebol”.

Que bom, para ele e para o Salgueiro, que Neri decidiu perseverar.

A insistência e o trabalho duro se materializaram em ouro, material com que foi forjada a medalha de campeão do Pernambucano.

“Quando eu botei aquela medalhinha e olhei para ela, vi que todo aquele sofrimento e o sacrifício da minha família valeram a pena”, diz Daniel, casado com uma brasileira e pai de duas “portuguesas-pernambucanas”, como ele define.

Com o objetivo de ir ainda mais longe e cumprir a profecia de chegar à Série A, Daniel agora analisa os próximos passos, sem se comparar a outros, com sua personalidade, virtudes, defeitos, mas sempre firme no próprio propósito e na trilha que traçou para si mesmo.

“Não (sou o novo mister do futebol brasileiro). Eu sou o Daniel. sou o que sempre fui. Sou o Daniel que veio ao Brasil em 2003, e fez a sua trajetória do que jeito que fez e agora sou Campeão Pernambucano”.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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