Hoje é dia de seleção brasileira. É dia de estreia na Copa América do Chile, competição que costuma nos tirar do atoleiro, é uma espécie de Copa das Confederações – ganhamos, nos iludimos e depois sofremos com a realidade. Mas não é por isso que devemos achar que ganhar esta competição não seja importante, é sim. Em especial depois de tudo o que vivemos na Copa do Mundo que organizamos.
Por falar nisso, apesar de toda nossa indignação à época, o tal chute nos fundilhos ao qual se referiu o secretário geral da Fifa, Jérôme Valcke, de fato aconteceu, mas ao contrário do que pudesse imaginar o mais pessimista dos torcedores, este chute viria dentro de campo, um não, sete chutes alemães bem dados nos fundilhos, chutes dotados de elegância e demonstrando pouco, muito pouco, esforço. E olhem a ironia, a rua onde fica o hotel da seleção no Chile se chama… Alemanha!
Quase um ano depois ou dez vitórias após a ‘Copa do fracasso’, a seleção verde e amarelo está prestes a iniciar mais uma competição oficial e nós ainda vivemos os mesmos dramas. Um craque e 22 coadjuvantes. Mas não é só isso, infelizmente muita coisa ainda contribui para não sentirmos o mínimo de confiança possível em nossa seleção. Atores que flutuam dentro e fora de campo, dilaceram calma e minuciosamente aquele que foi por muito tempo considerado o melhor futebol do mundo.
A minha esperança teima em residir dentro de campo, creio que não há nada que nos afaste do apego a única coisa que pode se sobressair, ou seja, o espetáculo em si, visto que o futebol mundial, enfadado -e por vezes enfadonho-, está coberto pela lona da corrupção e quanto a isso nada podemos fazer, senão rezarmos todos os dias pelo ‘santo FBI’.
Os peruanos, nossos adversários de hoje, podem pagar pelo que não fizeram, embora eu não aposte em uma vitória tranquila, muito menos elástica da seleção canarinho, que sob a batuta de Dunga, tanto agora quanto na sua outra passagem, joga um ‘campeonato de pontos corridos sem fim’, onde o que vale, normalmente, são os três pontos.
Hoje tem futebol, tem seleção, tem esperança, tem Neymar, tem alguns ingredientes -poucos, é verdade-, que valem a acomodação no sofá. Mas o peito ainda sente e os sete a um machucam a alma do apaixonado torcedor brasileiro.
Excelente domingo a todos!






