15 fatos sobre Lara, que há 100 anos estreava no Grêmio para virar lenda.
Citado por Lupicínio Rodrigues na composição da letra, goleiro defendeu o Grêmio de 1920 a 1935 e é considerado um ídolo à frente do seu tempo.
Um dos maiores jogadores da história do Grêmio fez seu primeiro jogo pelo clube há exatos 100 anos.
Eurico Lara, goleiro reconhecido pelas defesas impossíveis e agilidade embaixo das traves, iniciou sua história no clube com uma vitória por 3 a 0 sobre o Juventude, no dia 15 de junho de 1920.
Ali começava uma relação imortal, eternizada até no hino do clube.
A morte do goleiro, aos 38 anos, em 1935, comoveu o Rio Grande do Sul e também alimentou muitas lendas.
A mais conhecida conta que Lara morreu após defender um pênalti, no “Gre-Nal Farroupilha”.
Na verdade, não foi bem assim.
Mas é fato reconhecido que ele é o único jogador homenageado na letra do hino de um clube da elite brasileira, nos versos de Lupicínio Rodrigues:
“Lara, o Craque Imortal
Soube o seu nome elevar
Hoje, com o mesmo ideal
Nós saberemos te honrar”
Essa é praticamente a única informação que as novas gerações têm do ex-goleiro, um mito afastado da era das redes sociais, fotos e vídeos instantâneos e hiperexposição.
Só que Lara já tinha algo em comum com o atletas atuais: o goleiro arrastava multidões no “mundo real”.
“Foi um ídolo maior sem nem de perto ter o nível de exposição na mídia que temos hoje. Alcançou a admiração dos adversários. Certamente, o esportista mais importante do Estado na era amadora”, diz Carlos Eduardo Santos, coordenador do Museu Hermínio Bittencourt, do Grêmio.
O GloboEsporte.com lista 15 fatos sobre a vida e trajetória do ídolo gremista além do hino.
Contribuíram para a pesquisa o coordenador do Museu Hermínio Bittencourt, Carlos Eduardo Santos, e o pesquisador Fabio Mundstock.
Chegada a Porto Alegre: Lara era um oficial do Exército em Uruguaiana, no interior do Rio Grande do Sul.
Chegou a ser ponta-esquerda, conforme relato no livro a História dos Gre-Nais, e passou a ser goleiro porque sua equipe, em determinada partida, perdeu o titular e não havia reserva.
Aceitou o desafio para nunca mais sair.
Máximo Laviaguirre, então jogador do Grêmio, é apontado como o responsável pela contratação de Lara pelo Grêmio. Ele teria dito a seguinte frase, após ver Lara jogar em Uruguaiana: “Tem um goleiro que, quando joga, o seu time não perde”.
Ainda defendendo o Uruguayana, Lara era conhecido como “Calavera”, palavra em espanhol para “caveira”, por sua fisionomia.
Inicialmente, Lara não aceitou a proposta do Grêmio para se transferir para Porto Alegre.
O clube, no entanto, usou sua força política e conseguiu uma transferência no Exército para o goleiro, que deixaria Uruguaiana para servir na capital.
Lara chegou ao Grêmio e logo sagrou-se campeão do Citadino, em 1920.
Mesmo título conquistado um mês antes de sua morte, em 1935. No total, foram 16 taças em 15 anos, cinco estaduais e 11 citadinos.
História no Grêmio: Foram pelo menos 217 partidas nos 15 anos de clube.
No período, o Tricolor levou 254 gols, uma média de 1,17 por jogo.
No entanto, não se pode assegurar que todos estes gols foram sofridos por Lara.
Os dados são do GrêmioPedia, que faz acompanhamento histórico do clube, e contabiliza 157 vitórias, 31 empates e apenas 27 derrotas.
Com a seleção gaúcha, Lara enfrentou um combinado de paulistas em 1923, em um torneio preparatório para o Sul-Americano.
O time do Rio Grande do Sul perdeu por 4 a 2, mas Lara foi ovacionado depois da partida ao defender mais de 20 chutes de Friedenreich, que, conta a lenda, fez mais gols que Pelé.
Outra glória fora do RS: Lara foi convocado para defender a meta do Football Militar em competição entre as classes armadas do Brasil no Centenário da Independência, em 1922.
O Ministro da Guerra, depois, o felicitou pelas atuações nas vitórias sobre Marinha de Guerra, Polícia e Corpo de Bombeiros e pelo título do torneio militar.
Apesar de nunca ter sido chamado para a Seleção, que era protagonizada por jogadores de São Paulo e Rio, Lara tinha reconhecimento fora do Rio Grande do Sul. Era o goleiro, por exemplo, na primeira vitória de um gaúcho sobre um time paulista: Grêmio 3 a 2 sobre o Santos, em 1935.
Segundo relato no Jornal da Manhã, Lara era o único jogador a integrar todas as edições da seleção gaúcha até então.
Foram 15 anos no Grêmio, com uma pequena interrupção ao deixar o clube por desentendimento com a diretoria.
Despedida com título: O último jogo de Lara foi o Gre-Nal Farroupilha, vencido pelo Grêmio por 2 a 1, em 22 de setembro de 1935.
Tomado pela tuberculose e cardíaco, o goleiro não deveria atuar, mas iniciou o jogo como titular.
Saiu no intervalo, já debilitado pela doença.
Porém, o Jornal da Noite do dia 23 de setembro de 1935 relatou que Lara se ressentira de um choque e por isso havia sido substituído.
Chegou a comemorar o título.
Lara também foi árbitro durante o período como jogador: “Perfeito conhecedor das regras do ‘association’, Lara era um dos melhores árbitros tendo dirigido vários dos encontros ultimamente realizados do Campeonato Gaúcho”, relata o Jornal da Manhã.
A morte do ídolo: O goleiro morreu na manhã do dia 6 de novembro de 1935, no Hospital Beneficência Portuguesa.
A sua morte comoveu gremistas e colorados na cidade.
O funeral de Lara era considerado o maior evento até então em Porto Alegre.
Torcedores exigiram que o caixão de Lara fosse carregado da sede gremista, na Baixada, no bairro Moinhos de Vento, a pé até o Cemitério São Miguel e Almas, próximo à futura casa gremista, o Olímpico.
Os ex-companheiros fizeram a homenagem, mas em determinado momento o corpo foi levado por um veículo funerário.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





