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Um trabalho que chegou na final da Copa do Mundo de 2026.
Como a filosofia ajudou De La Fuente a levar Espanha à final da Copa do Mundo.
Sucesso depois de saber sofrer e trabalho em grupo são alguns dos mantras do finalista do Mundial.
Aos 65 anos, o espanhol Luis De La Fuente “desfruta”, palavra repetida por ele incontáveis vezes em suas coletivas de imprensa, de dias de glória na Copa do Mundo.
Sucesso até aqui conquistado a base de trabalho em grupo e a certeza de que não há conquista sem sofrimento.
Os mantras têm como base a filosofia do Império Romano, bem como filósofos como Marco Aurélio e Julio César, cujos pensamentos, inclusive, De La Fuente costuma usar ao conversas com jornalistas para explicar como motiva seus jogadores durante a jornada no Mundial.
“Há muito de sofrimento no futebol. É habitual falarmos sobre isso. Não há sucesso sem sofrimento, dizia Julio César. Gosto muito do mundo romano. Outra expressão que eu gosto bastante é: se quer algo importante na vida, conquistar, há se deixar algo pelo caminho. Sofrer muito. E nós viemos dispostos a isso, a sofrer”, disse o treinador durante uma de suas entrevistas.
Trabalho em equipe: Se o sofrimento faz parte da trajetória de um grupo vencedor, justamente o espírito de equipe precisa prevalecer no trabalho do comandante espanhol: para ele, não há nada mais importante do que ter jogadores que trabalham bem entre si, que se encaixem e que joguem pelo coletivo.
Isso implica tanto no funcionamento tático da equipe, quanto na lista de escolhidos para o Mundial, prezando pelo bom relacionamento também fora de campo.
“É preciso saber eleger os companheiros de viagem, isso é o mais importante primeiro. Se você se equivoca nessa escolha, pode ter problemas. O nosso grupo trabalha com um objetivo em comum, com o mesmo alvo. Gente normal, gente generosa, que busca o bem comum antes do bem pessoal. Nós temos os melhores acompanhantes de viagem”, explicou, após vitória sobre a França, por 2 a 0, na semifinal da Copa, deixando claro que não há espaço para individualistas.
“O que não é bom para a colmeia, não é bom para a abelha”.
O jogo seria como uma comunidade, onde um grupo precisa trabalhar unido, com cada um sabendo qual é o seu papel, para conquistar o objetivo final.
O pensamento de Marco Aurélio é simples: a abelha não sobrevive sem a colmeia, que, por sua vez, precisa do trabalho bem feito de todas as abelhas para existir e funcionar.
Tranquilidade e segurança: De La Fuente se emocionou em alguns momentos ao falar sobre a família e também se sente privilegiado por poder disputar uma Copa do Mundo e chegar à final, mas fala com serenidade e absoluta tranquilidade sobre seu trabalho na Espanha.
Mais uma vez, a filosofia em jogo.
Para o treinador, não há por que sofrer pelo que não se controla.
É preciso trabalhar duro, concentrar-se e executar o trabalho no dia do jogo.
Nada que não possa ser controlado pelo rigoroso processo de qualidade da comissão técnica e atletas pode ser motivo de ansiedade ou descontrole.
“O que eu falo aos jogadores vai um pouco na linha de desfrutar, é um cenário único. Que sejamos nós mesmos, sabemos o que nós podemos oferecer. Ser forte em nossas fortalezas e cuidar das fortalezas do rival. Sempre há margem para melhorar”.
Para ele, há bons times no mundo, mas a Espanha é a melhor equipe do mundo.
Poderia soar arrogante, se não justamente uma forma de enaltecer o trabalho coletivo de sua finalista.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro