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Análise

Maurício Ramos: “O Allianz Parque é um fator extremamente positivo”

Na última quarta-feira (28), o Palmeiras chegou na final da Copa do Brasil após passar pelo Fluminense nos pênaltis. O alviverde decidirá o título contra o Santos, e a partida decisiva acontecerá no Allianz Parque.

Com 193 jogos entre 2009 e 2013, oito gols e um título da Copa do Brasil (2012) pelo Palmeiras, o zagueiro Maurício Ramos, que atualmente joga no Sharjah FC, dos Emirados Árabes, fala de sua passagem pelo Verdão, do título brasileiro que o time deixou escapar em 2009, do título da Copa do Brasil e rebaixamento da equipe no Campeonato Brasileiro em 2012, além de sua adaptação em um país estrangeiro.

Em entrevista exclusiva para o Esquema de Jogo, Ramos garante: “Meu amor pelo Palmeiras é imenso. Não deixarei de admirar e torcer pelo clube”.

Esquema de Jogo: Você chegou ao Palmeiras em 2009 a pedido de Vanderlei Luxemburgo. Em sua despedida você chegou a declarar seu amor pelo clube. Pensa em um dia voltar? Talvez terminar sua carreira pelo Verdão?

Maurício Ramos:  No Palmeiras, vivi grandes momentos da minha carreira, como o título da Copa do Brasil de 2012, que ficou marcado para mim. Agora penso apenas no presente. Ainda não é o momento de parar, mas meu amor pelo clube é imenso. Foram mais de quatro anos vestindo a camisa do Palmeiras e em nenhum lugar do mundo deixarei de admirar e torcer pelo clube.

EJ: O Palmeiras errou ao contratar Muricy Ramalho em 2009, considerando que o Jorginho, mesmo que interinamente, estava em uma boa sequência de resultados?

MR:  Não vejo como erro. Tínhamos um grande treinador, que era o Luxemburgo e o time também estava jogando bem com o Jorginho. Mas naquela época o Muricy era o atual tricampeão brasileiro e estava sem clube. O Palmeiras pensou na experiência dele e montou uma grande comissão técnica, com o Muricy como treinador e, tendo como auxiliares, Jorginho e o Tata.

EJ: Dizem que a chegada do Vagner Love influenciou com a queda de rendimento da equipe, já que ele chegou ao Palmeiras por um salário maior e, principalmente, o Diego Souza se incomodou com o fato. Você percebeu algum tipo de vaidade e, consequentemente, uma sabotagem por conta disso?

MR: De jeito nenhum. O grupo era muito bom e todos receberam o Vagner Love muito bem. Infelizmente, nós perdemos uma boa vantagem de pontos que tínhamos, muito por desfalques também, pois o Pierre, que já naquele momento era um dos melhores volantes do Brasil, cotado até para a seleção, se machucou, eu me machuquei, o Cleiton Xavier também. Aí o Flamengo cresceu na reta decisiva e ficou com o título.

EJ: No Palmeiras, você foi treinado pelo Vanderlei Luxemburgo, Jorginho, Muricy Ramalho, Antônio Carlos Zago, Felipão e Gilson Kleina. Com qual desses você gostou mais de trabalhar e por que?

MR:  É difícil falar o que gostamos, pois gosto de todos eles e cada um tem seu estilo. Para mim, foi um prazer ter trabalhado com todos eles, do Vanderlei, que sempre me deu muita força e me levou para o Palmeiras, até o Felipão, que foi meu comandante no título da Copa do Brasil.

copadobrasilEJ: Em 2012, o Palmeiras começou mal o Campeonato Brasileiro e no final acabou sendo rebaixado. Porém, no mesmo ano, em paralelo com o Brasileirão, o time conquistou a Copa do Brasil. A partir do título, vocês acreditaram que o Palmeiras fosse melhorar no campeonato nacional e terminar em uma posição que lhe garantisse a permanência na Série A?

MR:  Claro. Sempre deixei claro nas minhas entrevistas que eu confiava na permanência, até porque o grupo era bom. Mas depois de um tempo, com muitos pontos para tirar, ficou difícil. Joguei machucado, me doei ao máximo, mas não deu. Sofri muito com o rebaixamento, pois a torcida palmeirense não merecia.

EJ: Como você lidou com as críticas durante a campanha que culminou no rebaixamento?

MR: Até por jogar há mais tempo no Palmeiras, a gente tinha que saber lidar com as críticas, mas doía muito lutar, lutar, trabalhar durante a semana e não sair daquela incômoda situação.

EJ: Em 2013, o Palmeiras jogou a Libertadores e terminou na primeira posição no grupo. Nas oitavas de finais enfrentou o Tijuana do México e conseguiu empatar fora de casa. Uma vitória simples no Pacaembu daria a vaga para equipe. O que foi determinante para eliminação?

MR: Nessas competições, o gol fora é muito importante, faz a diferença. E quando sofremos o primeiro gol, o time sentiu. Fizemos um grande jogo no México, o Bruno pegou até pensamento, mas no Pacaembu eles acharam o primeiro gol e aquilo desmontou a equipe.

EJ: Como você vê o atual momento do Palmeiras? Muita gente acredita que neste ano, o time disputará uma vaga para a Libertadores (além de estar na final da Copa do Brasil, com chances de ser campeão e se classificar automaticamente para a Taça Libertadores, o Verdão luta para ficar com a quarta vaga no Brasileirão, o que lhe daria também a vaga para a competição) e que em 2016 será um time a ser batido. Você concorda com isso?

MR:  Concordo. O time é muito bom, o elenco tem ótimas peças de reposição e o Marcelo Oliveira é um grande treinador. Vejo também o Allianz Parque como um fator extremamente positivo. Eu estava no clube no período em que ficamos sem o nosso estádio e te garanto: jogar todos os jogos fora de casa não é fácil.

EJ: Você chegou em meados de 2013 no Sharjah FC. Como foi sua adaptação? O fato de já ter brasileiros na equipe lhe ajudou rapidamente?

MR:  Sim, muitos profissionais da comissão técnica são brasileiros, assim como o treinador, que é o Paulo Bonamigo. A adaptação foi a melhor possível. Aqui nós jogamos com intervalos maiores e isso beneficia os atletas.

EJ: Nos Emirados Árabes como são tratados os técnicos? Assim como no Brasil, se o resultado não é imediato, há trocas de treinadores?

MR: Aqui se valoriza muito o trabalho. Claro que os resultados são importantes, mas o trabalho do dia a dia é fundamental para a permanência.

EJ: Como você vê o atual momento do  Sharjah FC? O que dá para esperar da equipe que atualmente está na 11ª posição do campeonato?

MR: Nosso time sofreu algumas reformulações e é jovem. Vamos fazer de tudo para buscar uma posição honrosa no campeonato, mas tenho certeza que em pouco tempo, pela seriedade de todos que trabalham no Sharjah e a vontade de cada um de nós, estaremos disputando títulos. Na temporada passada já chegamos próximos, com o vice da Etisalat Cup.

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