Eleição do Vasco: Justiça invalida votação do dia 7 de novembro e abre caminho para posse de Jorge Salgado.
Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nega recurso de Leven Siano para validar o pleito presencial de 7 de novembro.
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) definiu, em julgamento nesta quinta-feira (17), que a votação no dia 7 de novembro, de forma presencial, em São Januário, não teve validade.
O colegiado negou o recurso do candidato Leven Siano, que foi o mais votado naquele dia.
Com isso, passa a valer a votação online que ocorreu em 14 de novembro, quando Jorge Salgado foi o vencedor.
O relator do processo, o desembargador Camilo Ribeiro Rulière, votou a favor do recurso de Leven Siano.
No entanto, os desembargadores Custodio de Barros Tostes e Fabio Dutra, também da Primeira Câmara Cível do TJ-RJ, não acompanharam o voto e foram contra a validação da eleição do dia 7 de novembro.
Após a decisão, Leven Siano, em contato com o ge, anunciou que não vai recorrer do resultado e decidiu se aposentar da política vascaína.
Leia abaixo o pronunciamento do candidato na íntegra.
Leven reconhece vitória de Salgado na eleição do Vasco: “Sou pessoa de palavra, portanto acato o resultado”.
Advogado afirma que o clube não merece mais indefinição e anuncia aposentadoria da política vascaína.
Após o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) decidir nesta quinta-feira (17) por invalidar a eleição do Vasco realizada em 7 de novembro, realizada de forma presencial em São Januário, o agora ex-candidato Luiz Roberto Leven Siano, vencedor do pleito em questão, reconheceu a vitória de Jorge Salgado em declaração ao globo esporte.
No dia 6 de dezembro, Leven Siano, via Instagram, comprometeu-se a respeitar a decisão que viria a ser tomada pelo TJ-RJ no dia 17 de dezembro.
Com o resultado do julgamento nesta quinta, o advogado cumpriu o que havia dito e reconheceu Jorge Salgado como novo presidente do Vasco.
No longo depoimento, Leven Siano se disse “pessoa de palavra” e ressaltou que o “Vasco não merece mais indefinição”.
Na parte final, desejou sorte a Jorge Salgado, afirmou que este não o derrotou nas urnas e anunciou sua aposentadoria da vida política dentro do Vasco.
Confira na íntegra:
“Sou uma pessoa de palavra, portanto acato o resultado como eu mesmo propus. O Vasco não merece mais indefinição.
Que os torcedores compreendam que a decisão de pôr um ponto final nisso é definitiva e é pelo Vasco.
Além disso, descabe recurso para o tribunal superior por decisões em tutela antecipada, de forma que recorrer apenas alimentaria a esperança do torcedor, sem que houvesse uma chance real de reversão.
Isso apenas causaria tumulto e mais frustração, e meu objetivo foi sempre dar alegria ao torcedor, de forma que eu não vou alimentar esperanças não realizáveis.
O torcedor precisa compreender que não é somente o Vasco que precisa ser corrigido, mas o Brasil.
Nem sempre a Justiça é justa, quanto mais no nosso país.
Aos vascaínos, fica a mensagem final para reflexão de que o VASCO só voltará a ser realmente forte quando ele puder ser autodeterminado de dentro para fora, e não por meio de intervenções externas de poderes paralelos.
O Vasco precisa se libertar, e essa liberdade só existirá quando seus homens e mulheres puderem cumprir as regras do clube e a elas se submeterem.
Um Vasco de fora para dentro será sempre fraco.
Agradeço a todos meus conselheiros, vice-presidentes, executivos e a cada um dos 1.155 votos dados em 7 de novembro.
Mais especialmente ainda, agradeço ao carinho dos milhões de torcedores vascaínos em todo o Brasil que entenderam plenamente minha visão de Vasco sugerida.
É estranho que o clube tenha um Presidente que não me derrotou, mas lhe desejo sorte.
Estarei na social ou na arquibancada sempre torcendo com os meus filhos.
Neste momento me aposento da política do clube e após um justo descanso natalino, retorno aos meus negócios e clientes com a cabeça erguida.
Por fim, peço a todos os torcedores que apoiem sempre o Vasco, seja quem for o Presidente.
Obrigado”.
“Sou uma pessoa de palavra, portanto acato o resultado como eu mesmo propus. O Vasco não merece mais indefinição. Que os torcedores compreendam que a decisão de pôr um ponto final nisso é definitiva e é pelo Vasco”.
Já ciente da decisão judicial e da desistência de Leven, Jorge Salgado comemorou a decisão da Justiça e falou como presidente do Vasco.
“Torcida vascaína, agora sim. Vamos olhar para o futuro. E o futuro do Vasco começa agora, com a assinatura da Justiça. (…) Vamos juntos colocar o Vasco onde ele deve estar. No topo. Como clube e como time. Hoje mesmo já estarei em contato com o presidente Campello para dar seguimento à transição. O trabalho continua”, disse Salgado.
Até o momento, não há qualquer recurso na Justiça contestando a votação do dia 14 de novembro, quando Jorge Salgado (chapa Mais Vasco) foi o mais votado em disputa contra Julio Brant.
Os outros três candidatos, Alexandre Campello, Leven Siano e Sérgio Frias, não participaram do pleito.
Caso não haja qualquer mudança na decisão judicial, Jorge Salgado tomará posse no dia 20 de janeiro.
O atual presidente do clube, Alexandre Campello, afirmou que não vai criar dificuldades ao processo de transição.
“Se fosse um ou outro, traria tranquilidade para o clube. Não é porque foi o Jorge ou se fosse o Leven. Acho que essa decisão mostra mais uma vez que eu fui coerente e prudente. Havia uma insistência para que eu fizesse uma transição com o Leven, e eu insistia que a gente tinha de aguardar uma posição da Justiça. E veio uma decisão diferente da que essas pessoas que insistiam pela transição com o Leven tinham. Acho que a postura que tivemos foi correta, de equilíbrio, de preservar o clube”.
O julgamento ocorreu de forma virtual, mas os advogados das chapas de Jorge Salgado e Leven Siano puderam acompanhar a sessão.
Não foi permitida contestação.
O presidente da Assembleia Geral, Faués Jassus, o Mussa, o presidente do Conselho Deliberativo, Roberto Monteiro, e o presidente Alexandre Campello também tiveram o direito de acompanhar o julgamento.
Caso não haja uma nova reviravolta, Jorge Salgado terá direito a 120 conselheiros e Julio Brant (Sempre Vasco), segundo mais votado na eleição de 14 de novembro, a outros 30 no Conselho Deliberativo. Brant se manifestou e parabenizou Salgado.
Entenda a polêmica na eleição do Vasco: Na noite de 6 de novembro, o desembargador Camilo Rulière determinou que a eleição do Vasco acontecesse de forma presencial no dia seguinte, sábado (7 de novembro).
O pleito teve início às 9h55 (horário de Brasília) e tinha previsão de terminar às 22 horas (horário de Brasília).
Porém, no começo da noite, uma decisão do presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Martins, mandou suspender a votação.
Mesmo com a decisão do STJ, a mesa diretora da Assembleia Geral decidiu prosseguir o pleito, com apenas dois candidatos: Leven Siano e Sérgio Frias.
Os outros três, Alexandre Campello, Jorge Salgado e Julio Brant, deixaram o clube, argumentando que não iriam desobedecer a uma ordem judicial.
Pouco depois das 22 horas (horário de Brasília), quando ainda havia sócios na fila para votar, as luzes de São Januário foram apagadas e a votação encerrada.
As urnas, em um primeiro momento, foram lacradas.
Porém, a mesa diretora da Assembleia Geral não achou lugar para deixá-las e resolveu fazer a contagem às 2 horas (horário de Brasília).
Leven Siano foi o mais votado.
Na visão do presidente da Assembleia Geral do Vasco, Faués Cherene Jassus, o Mussa, a decisão do STJ que suspendeu a votação também deixou valendo a ação que marcava a eleição para o dia 14 de novembro.
Uma semana depois, no dia 14 de novembro, ocorreu a eleição online com a participação de apenas dois candidatos: Jorge Salgado (Mais Vasco) e Julio Brant (Sempre Vasco).
Alexandre Campello (Rumo Certo) retirou a candidatura, Sérgio Frias (Aqui é Vasco) reconheceu a vitória da chapa Somamos, e Leven Siano entendeu ter sido eleito no dia 7 de novembro.
Na disputa entre Salgado e Brant, o candidato da Mais Vasco foi o mais votado.
No entanto, minutos após o resultado ser anunciado na sede do Calabouço, o STJ devolveu a questão para o TJ-RJ.
Dias depois, o desembargador Camilo Ribeiro Rulière marcou o julgamento desta quinta.
Na semana passada, Leven Siano convidou Jorge Salgado a aceitar a decisão tomada pelo TJ-RJ nesta quinta-feira (17), qualquer que fosse ela.
O candidato da Mais Vasco, no entanto, não concordou, pediu para o adversário retirar todas as ações judiciais e sugeriu a realização de uma nova eleição.
Leven não topou, e o impasse seguiu até a decisão desta quinta-feira (17).
- Fred Gomes, Gabriela Moreira, Hector Werlang, Marcelo Baltar e Raphael Zarko.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





