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Análise

Lucas Lee: “Nunca pensei que iria passar o Tiger Woods”

Ao longo deste ano de 2015, os brasileiros vêm se destacando em vários esportes olímpicos. Inclusive conseguindo resultados inéditos para as suas respectivas modalidades. E no golfe não foi diferente.

O esporte, que estará no quadro dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro-2016, viu, recentemente, um paulista se tornar o terceiro brasileiro a garantir vaga para o PGA Tour – circuito profissional que reúne os melhores golfistas do mundo.

Lucas Lee, que estudou e mora em Los Angeles (EUA), terminou a temporada regular do Web.com Tour – o circuito de acesso ao PGA Tour – na 23ª colocação, sendo que os 25 primeiros colocados já garantem vaga para o circuito principal.

O golfista brasileiro, que chegou a ficar na frente de Tiger Woods – considerado um dos melhores golfistas de todos os tempos – no ranking mundial, também está na briga por uma vaga para a Olimpíada do ano que vem, e hoje aparece como grande favorito para conquista-la. Ele conversou com o Esquema de Jogo e contou, entre outras coisas, quais serão os seus próximos desafios daqui para frente. Confira:

Esquema de Jogo: Você, recentemente, conseguiu uma grande marca para o golfe brasileiro, ao se tornar o terceiro golfista do país a chegar ao PGA Tour. Era a sua principal meta para esse ano de 2015?

Lucas Lee: Sim, era a minha principal meta.  Sabia que tinha uma oportunidade de chegar ao PGA pelo Web.com Tour e foi justamente isso que aconteceu.

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Você terminou a temporada regular do Web.com Tour, o circuito de acesso ao PGA Tour, na 23ª colocação, sendo que os 25 primeiros colocados já garantem vaga para o circuito principal. O quão difícil foi essa temporada? O nível dos torneios foi bastante alto?

Certamente foi o nível mais alto que já joguei na minha carreira. Mas como já havia jogado alguns torneios do Web.com Tour em anos anteriores, já sabia o nível que precisava jogar, mas foi bem difícil me adaptar para o nível de jogo.

Na sua opinião, agora vem a parte mais complexa, que é conseguir elevar ainda mais o seu nível de jogo para competir na elite do esporte, com os melhores golfistas do mundo?

Acho que o Web.com Tour me ajudou muito a me preparar e ver o que preciso melhorar ainda mais para poder jogar com os melhores do mundo, mas vou saber melhor quando a temporada começar.

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Antes de você, já disputaram o PGA Tour o carioca Jaime Gonzalez, na década de 1980, e o paulista Alexandre Rocha, em 2011 e 2012. De alguma forma, eles foram uma inspiração para você também conseguir esse feito?

Sim, vendo que dois brasileiros já participaram antes de mim, me fez acreditar que no futuro teriam mais. Fico feliz que eu fui o próximo!

No momento você tem uma das vagas para representar o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro no ano que vem, por ser o brasileiro melhor ranqueado. A disputa dos Jogos é um dos seus principais objetivos para 2016?

Meu objetivo principal é jogar bem no PGA Tour, manter meu cartão (que simboliza a autorização para jogar os torneios do circuito), melhorar meu golfe e, assim, consequentemente, eu me qualifico para os Jogos Olímpicos do Rio-2016. Porém, ainda está longe e tenho que me focar no PGA Tour.

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Disputar uma Olimpíada, ainda mais em seu próprio país, sempre foi um sonho para você?

Começou a ser um sonho quando o golfe voltou a ser um esporte olímpico e ainda mais uma Olimpíada sediada no meu país.

Os Jogos do Rio-2016 podem ser uma espécie de vitrine para a modalidade no país, uma chance única de mostrar o esporte para a população e ganhar mais praticantes?

Certamente os Jogos do Rio-2016 vão fazer muita gente ser exposta para o golfe, para poder aprender, e ter interesse, mas não acredito que vai fazer grande diferença se as federações e os clubes não aproveitarem essa vitrine que os Jogos irão apresentar. Quando as pessoas tiverem interesse, as entidades têm que estar prontas para poder educá-las e ensiná-las. Não basta só mandá-las assistirem na TV porque não vão entender nada sobre o golfe e rapidamente irão perder o interesse no esporte.

A Confederação Brasileira de Golfe lhe fornece todo suporte e estrutura? Você também conta com patrocínios de empresas privadas? 

A Confederação não me fornece nenhum suporte financeiro. Sou grato pela CBG por ter me oferecido o convite para o Brasil Champions nos últimos 3 anos, mas especialmente esse ano de 2015 que foi crucial para eu poder continuar jogando no Web.com Tour.  No momento não tenho nenhum patrocínio de nenhuma empresa, tanto nacional quando internacional.

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Hoje, o Brasil tem bons clubes e associações onde os atletas podem competir em alto nível e se desenvolverem da melhor forma?

Ainda não.  Existem muitos clubes e campos bons, e muitos jogadores que querem ter essa plataforma para poder desenvolver seu jogo, mas falta interesse e apoio das companhias para poder organizar torneios frequentes.

Como você começou a praticar golfe? Você teve influência de algum parente ou amigo?

Comecei a praticar com 10 anos.Mminha prima Angela Park (golfista profissional) jogava e começamos quase na mesma época.

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O quanto o golfe foi importante na sua formação como pessoa? Você sente que vai levar as lições que o esporte lhe proporcionou para toda a vida?

Desde criança ouvi dizer que o golfe era parecido com a vida, mas só agora que sou adulto consigo realmente e claramente ver as semelhanças e sei que vou levar isso para o resto da minha vida.

Recentemente, você chegou a ultrapassar o Tiger Woods, considerado um dos maiores jogadores de todos os tempos, no ranking mundial. Como foi essa situação para você?

Não sabia como me expressar. Nunca pensei que iria passar o Tiger Woods na minha vida, mas consegui passa-lo por uma semana.  Se ele continuar jogando dessa maneira e eu continuar melhorando, eu acredito que isso pode se repetir.

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O golfe, no Brasil, ainda é considerado um esporte com altos custos e muitas pessoas enxergam como esporte de elite, assim como o hipismo. Você concorda com isso?

Concordo 100%. Não só no Brasil, mas em qualquer lugar.  Tudo relacionado ao golfe é muito caro.  Desde equipamentos, roupas, green fee, caddie. Não é acessível para qualquer pessoa.

O que fazer para popularizar o esporte e torná-lo acessível para o maior número de praticantes, independentemente da classe social e condição financeira?

Clubes ou entidades que tenham acesso a tacos velhos e usados que realmente querem ministrar aulas e educar a população. Golfe é um esporte complicado, com muitas regras, mas existem muitas lições que podem ajudar no desenvolvimento do caráter de uma criança, e quando as empresas enxergarem isso vão querer apoiar o golfe, para que possa ser ensinado para maiores grupos de pessoas.

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