Esquema de Jogo

Colunas, entrevistas, análises e tudo sobre o esporte!

Análise

Jovem sul africano tenta vencer no futebol brasileiro: Tyroane Sandows, o Ty

Quem acompanha o futebol nacional sabe que os jovens que iniciam carreira como atletas profissionais têm pelo menos um sonho em comum: jogar fora do Brasil. Os jogadores sempre tiveram essa ambição, de conquistar outros “mercados”, provar seu valor além de suas fronteiras.

No ano de 1995, em Joanesburgo, na África do Sul, que segundo Fernando Vanucci, é logo ali, nasceu Tyroane Sandows. Ty, como é conhecido, sempre gostou de futebol, e sua velocidade e a habilidade que demonstrava, o credenciaram como uma grande promessa. Buscando seu sonho, Ty acabou desembarcando no Brasil, após oportunidade criada por meio de um programa social. O menino, que na época tinha apenas 11 anos de idade, acabou ficando por aqui e, hoje, é uma das apostas do Grêmio para o futuro. Saiba mais sobre Ty  na entrevista exclusiva do Esquema de Jogo:

Arquivo pessoal
Foto do Arquivo pessoal, após hat-trick na Copa Africana de Nações Sub 20

Esquema de Jogo: Com que idade deixou a África do Sul para vir ao Brasil?

Ty: Eu deixei a África do Sul com 11 anos de idade para vir para o Brasil.

Esquema de Jogo: Como surgiu essa oportunidade?

Ty: A oportunidade surgiu através de um projeto social chamado ”Shona Khona”, que estava trazendo 12 meninos para o Brasil para fazer uma espécie de teste por uma semana. O São Paulo acabou gostando de mim e acabei ficando.

Esquema de Jogo: Teve alguma dificuldade na adaptação? Qual?

Ty: Não tive nenhuma dificuldade absurda, até porque a cultura brasileira é bem parecida com a cultura sul africana. O mais difícil mesmo foi aprender a língua portuguesa.

Esquema de Jogo: Jogador estrangeiro sofre algum preconceito nas categorias de base do Brasil?

Ty: Não. Eu, particularmente, não sofri nenhum tipo de preconceito. 

Esquema de Jogo: Você jogou seis anos no São Paulo. O que acha que faltou para ser integrado aos profissionais (se é que faltou algo)?

Ty: Eu acho que talvez oportunidade. Acabei não tendo tantas oportunidades porque eu fiquei sem jogar dois anos por causa de documentação dos 16 aos 18. Acho que isso influenciou bastante para eu não integrar os profissionais. 

Foto do Site Oficial do Grêmio
Foto do Site Oficial do Grêmio

Esquema de Jogo: Você se destaca por ser veloz e driblador, características próprias dos bons tempos do futebol brasileiro. Acha que estão estimulando menos o talento individual por aqui?

Ty: Eu não acho que os treinadores ou os clubes estejam estimulando menos o talento por aqui. Só acho que hoje em dia os treinadores tentam estimular mais funções táticas para esses “dribladores”. Coisas do futebol moderno, que não existia há uns sete anos atrás. Eu acho que os atletas precisam tentar assimilar isso o mais rápido possível, porque só tem a acrescentar na carreira de um jogador.

Esquema de Jogo: Você cursou faculdade de Educação Física. Concluiu? Ainda é diferente ver um menino que tenta a sorte no futebol se preparando academicamente. O que te motivou?

Ty: Sim, eu cursei faculdade de Educação Física por um ano e meio. Não cheguei a concluir por ter mudado para Porto Alegre. Isso fez com que eu trancasse a faculdade. O que me motivou é saber que a carreira de um jogador de futebol não é para sempre e muitos imprevistos podem acontecer na vida de um atleta. Então se não der certo no futebol, pelo menos eu teria alguma coisa em que eu pudesse me apoiar.

globo.com
globo.com

Esquema de Jogo: Uma vez você declarou que gostaria de jogar na Seleção Brasileira. Entretanto, defendeu há pouco a seleção sub-20 da África do Sul. Ainda há dúvidas na sua cabeça? Por quê?

Ty: Na época da convocação para o sub-20 da África do Sul, minha família e eu achamos que seria uma boa experiência jogar um torneio do nível da Copa das Nações Sub-20, e que isso só ia acrescentar para minha carreira. Mas não foi nada que pudesse mudar minha vontade para jogar pela Seleção Brasileira no futuro. 

Esquema de Jogo: Pensando em esportes na África do Sul, logo lembramos do Rugby. Como surgiu seu interesse pelo futebol?

Ty: Sim, na África do Sul tem diversos esportes mesmo, mas a paixão nacional é o futebol. Minha família inteira gostava. Muitos parentes já jogaram, mas minha maior influência foi meu Pai, que já foi jogador e que me treinou até os 10 anos.

Terra
Terra

Esquema de Jogo: Como é o futebol na África do Sul? Possui uma liga competitiva? Qual seu clube de coração por lá?

Ty: Sim, a África do Sul tem uma liga competitiva. Ainda não possui o mesmo nível do Brasil, mas a cada ano que passa ela cresce mais. A tendência é que cresça a competividade da liga Sul Africana. Não, infelizmente não tenho nenhum time de coração por lá.

Esquema de Jogo: Visitou seu país após a Copa de 2010? Como está o “legado” que a FIFA deixou?

Ty: Sim, eu visitei meus pais depois da Copa. A Copa do Mundo realmente ajudou as pessoas a mudarem a visão que tinham da África do Sul. Muitos pensavam que só havia miséria e fome, mas com a Copa do Mundo, a África do Sul mostrou que pode sediar um evento tão grande numa escala mundial.

Esquema de Jogo: Quais são suas metas para o Grêmio? Traçou planos para a próxima temporada?

Ty: Sim, tracei uma meta aqui no Grêmio, que é como quase todo jogador: tentar uma vaga no time profissional.

Siga o Ty no Twitter: https://twitter.com/tysandows

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Confirme que você não é um robô. *