Em duelo de viradas, expulsões e acusação de racismo, Flamengo supera o Bahia.
Gabigol é expulso no início, visitantes saem de 2 a 0 para 3 a 2 em 15 minutos, mas Pedro entra em ação e faz a diferença para o time de Ceni, que agora é vice-líder.
Baianos ficam na beira do Z-4.
Um duelo eletrizante, com viradas, expulsões, variantes táticas interessantes e até caso de polícia. Flamengo e Bahia protagonizaram um jogaço no Maracanã na noite deste domingo (20), pela vigésima sexta rodada do Brasileirão.
O 4 a 3 com gol de Vitinho já aos 45 minutos do segundo tempo foi construído após grande atuação de Bruno Henrique, cartão vermelho para Gabigol, Gilberto novamente como carrasco pelo Tricolor baiano e Pedro decisivo com apenas 20 minutos em campo.
Fora do futebol, um episódio lamentável: Gérson acusou o colombiano Ramírez de racismo com a frase “cala a boca, negro”.
Com a vitória, o Flamengo chegou aos 48 pontos e pulou para segunda colocação na competição.
De quebra, segue dependendo apenas de si para buscar o título.
A equipe de Rogério Ceni tem um jogo a menos que o São Paulo, líder com 53, e um confronto direto pela última rodada, no Morumbi.
O último compromisso de 2020 está marcado para sábado (26), às 19 horas (horário de Brasília), no Castelão, contra o Fortaleza.
Já o Bahia segue em crise.
Agora, são cinco derrotas consecutivas para o time de Mano Menezes, que está em décimo sexto lugar com 28 pontos.
Os baianos estão fora da zona de rebaixamento por levarem vantagem sobre o Vasco no número de vitórias: 8 a 7.
Domingo (27), a equipe recebe o Internacional, às 16 horas (horário de Brasília), na Fonte Nova, pela vigésima sétima rodada.
O domingo (20) no Maracanã foi eletrizante desde o apito inicial.
O Flamengo não precisou de muito tempo para abrir o placar, com Bruno Henrique, em belo chute de fora da área e dava mostras de que teria facilidade para chegar ao triunfo.
Gabigol ainda desperdiçou boa chance antes dos dez minutos, mas acabou sendo protagonista por um cartão vermelho.
O árbitro Flávio Rodrigues identificou xingamento e expulsou o atacante, que se revoltou.
A vantagem numérica fez o Bahia se mandar para o ataque, pressionar e dar espaços bem utilizados pelos donos da casa.
Assim, Bruno Henrique recebeu de Gérson para ficar livre dentro da área e servir Isla: 2 a 0.
O camisa 27 ainda teve tempo para desperdiçar chance clara antes do intervalo após passe de Arrascaeta.
O Bahia voltou para o segundo tempo a mil por hora, e o Flamengo não conseguiu manter a organização defensiva.
O resultado?
Três gols em oito minutos, dos 5 minutos do segundo tempo aos 13 minutos do segundo tempo, e virada no placar.
O colombiano Índio Ramírez, que depois foi acusado de racismo por Gérson, fez o primeiro, e Gilberto novamente ocupou o papel de carrasco com um lindo chute de fora da área e um gol de cabeça em escanteio.
Virada dos visitantes.
Neste momento, as duas equipes já estavam com os nervos à flor da pele, com faltas duras e discussões.
O Bahia conseguia administrar o resultado, forçava Diego Alves a fazer grandes defesas, até que Rogério Ceni colocou Pedro no jogo.
O centroavante foi decisivo para a virada com um gol de peito em cruzamento de Filipe Luís e passe genial de letra para Vitinho tocar na saída de Douglas.
Vira-vira, vitória e o São Paulo mais perto na tabela.
Um dos melhores em campo, Gérson chamou a atenção na partida do Maracanã não somente pelo que fez com a bola no pé.
Desde o primeiro tempo, o volante foi líder da equipe em campo com orientações e foi figura central de crime de racismo no Maracanã.
No início do segundo tempo, o jogador discutiu com o colombiano Ramírez e com o treinador Mano Menezes.
Já nos minutos finais, após o 4 a 3, fez sinal com a mão de “fala muito” para Mano, que seguia discutindo.
Ao apito final, revelou ao Premiere que foi vítima de racismo.
“Quero falar uma coisa: tenho muitos jogos como profissional e nunca vim falar nada porque nunca sofri esse preconceito. Quando tomamos um gol, o Bruno Henrique ia chutar uma bola, o Ramirez reclamou e fui falar com ele, que disse: “Cala a boca, negro”. E o Mano precisa aprender a respeitar as pessoas”.
Gabigol ficou em campo por somente 9 minutos.
Tempo suficiente para ser um dos personagens centrais da partida de domingo (20) no Maracanã.
O atacante teve boa chance aos cinco minutos e recebeu o cartão vermelho aos 9 minutos do primeiro tempo.
O árbitro Flávio Rodrigues o expulsou direto após disputa com Ernando na entrada da área em que o atacante do Flamengo o teria xingado.
Gabigol se revoltou e demorou cinco minutos para sair de campo, questionando a decisão do paulista. No fim, Daniel, do Bahia, também foi expulso por reclamação.
O momento definitivamente não é dos melhores na carreira de Mano Menezes.
O Bahia chegou a quinta derrota consecutiva, foi eliminado recentemente pelo Defensa y Justicia na Copa Sul-Americana e está na porta da zona de rebaixamento.
A situação ficou delicada no comando do clube baiano.
Como se não bastasse, foi criticado por Gérson na entrevista pós jogo na qual relatou o episódio de racismo.
E foi demitido após a partida pela diretoria do Bahia.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





