Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124
Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124

Quem joga a Copa se o Irã desistir?
Segundo o regulamento, quem a FIFA (Federação Internaiconal das Associações de Futebol) quiser.
Entenda.
Documento publicado no ano passado não define critérios para substituições.
Impactado por guerra, país asiático pode abrir mão de vaga.
O Irã avançou uma casa no processo de desistir de disputar a Copa do Mundo, a partir do junho, nos Estados Unidos, México e Canadá.
Sob ataques americanos e israelenses há 2 semanas, o país lida com impactos em suas seleções.
Nesta quarta-feira (11), o ministro do Esporte, Ahmad Donyamali, declarou que a equipe masculina não participará do torneio da FIFA.
A possibilidade de os iranianos renunciarem à vaga, conquistada com ótima campanha nas eliminatórias asiáticas, já era debatida informalmente, mas agora ganha a voz de uma autoridade local, ainda que não haja uma comunicação formal.
Se o Irã não for, quem vai?
Quem a FIFA quiser.
O regulamento da Copa do Mundo, publicado em maio do ano passado, tem um artigo, o sexto, dedicado a desistências.
não estabelece um critério claro para substituição.
O artigo 6.7 afirma o seguinte: Se qualquer associação membro participante desistir e/ou for excluída da Copa do Mundo da FIFA 2026, a FIFA decidirá sobre o assunto a seu exclusivo critério e tomará as medidas que julgar necessárias.
A FIFA poderá decidir substituir a associação membro participante em questão por outra associação.
Antes, o artigo define multas de pelo menos 250 mil francos suíços (cerca de R$ 1,6 milhão) para seleções que desistirem até 30 dias antes do início da Copa do Mundo, valor que dobra se a retirada se der no período de um mês para a partida de abertura.
As equipes também são obrigadas a reembolsarem a federação por valores pagos para preparação e outros relacionados ao evento.
Quais as opções?
O Irã se classificou para a Copa do Mundo com relativa tranquilidade.
Teve a melhor campanha do Grupo A das eliminatórias asiáticas, com 23 pontos, e garantiu vaga direta no torneio.
A classificatória avançou até uma sexta fase, de repescagem local, em que o Iraque bateu os Emirados Árabes Unidos e se colocou como o representante do continente nos play-offs mundiais, que acontecem no fim do mês.
Os iraquianos vão duelar contra Bolívia ou Suriname, que se enfrentam dias antes, por um lugar na Copa do Mundo.
São, portanto, uma das opções da FIFA caso o Irã desista do torneio, o que poderia beneficiar Bolívia ou Suriname, que estariam então a um jogo de avançarem para o Mundial.
Outra seleção de olho nos desdobramentos é a dos Emirados Árabes Unidos, a próxima da fila asiática.
O regulamento só é claro no sentido de que a decisão é da FIFA, que apenas definirá os critérios para tal quando for confrontada com a necessidade de encontrar um outro time.
No ano passado, a FIFA encarou uma situação com semelhanças na Copa do Mundo de Clubes.
Pachuca e León, ambos mexicanos, tinham vagas na competição, mas pertencem a um mesmo grupo econômico, o que era vetado pelo regulamento.
O León foi excluído, e a solução foi criar uma repescagem 15 dias antes do início do torneio.
O América, então melhor time mexicano no ranking da Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe), e o Los Angeles Football Club, vice-campeão continental em 2023 (vencida pelo León), duelaram em um jogo único em Los Angeles, vencido pelo time da casa.
Cenário: A FIFA tem tentado lidar com a situação de forma diplomática, no esforço de evitar a desistência do Irã, e crê que há tempo para que o conflito seja atenuado.
Na noite de terça-feira (10), o presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmou, em suas redes sociais, ter se encontrado com o presidente americano, Donald Trump, de quem se tornou muito próximo nos últimos meses, e que ele teria reiterado que “a seleção iraniana é, naturalmente, bem-vinda para competir no torneio”.
Não bastou para amenizar as críticas iranianas.
Na manhã seguinte, o ministro do Esporte local, Ahmad Donyamali, disse a uma TV estatal que a equipe não irá aos Estados Unidos, o Irã tem 2 jogos programados em Los Angeles e um em Seattle pelo Grupo G, com Bélgica, Egito e Nova Zelândia.
“Considerando que este regime corrupto (os Estados Unidos) assassinou nosso líder, sob nenhuma circunstância poderemos participar da Copa do Mundo”, disse Donyamali.
Outro evento recente tornou o cenário ainda mais complexo.
Na segunda-feira (9), o governo da Austrália concedeu asilo a atletas da seleção iraniana que estavam no país para a disputa da Copa da Ásia.
Trump pressionou o primeiro-ministro australiano a oferecer proteção a elas.
Na estreia, contra a Coreia do Sul, as jogadoras não cantaram o hino do Irã, o que foi interpretado como um protesto contra o regime do país e gerou acusações de traição.
Há o temor de que algo semelhante aconteça com a equipe masculina nos Estados Unidos.
“Se durante a Copa do Mundo estiver assim, quem em sã consciência enviaria sua seleção para um lugar desses?”, declarou nesta semana o presidente da federação iraniana, Mehdi Taj.
Em dezembro, o Irã chegou a anunciar um boicote ao sorteio da Copa do Mundo por causa da restrição de vistos a membros da delegação do país, apenas 4 foram aprovados, e Taj teve sua entrada negada nos Estados Unidos.
No fim, dois representantes viajaram a Washington.
Ainda não há um comunicado formal da federação iraniana à FIFA sobre a participação ou não no Mundial.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro