Conselhos de órgãos esportivos olímpicos não têm igualdade de gênero, diz análise.
De 31 entidades analisadas, somente uma possui representação feminina de pelo menos 40% por cento em seu conselho.
Uma análise dos órgãos esportivos olímpicos internacionais publicada nesta terça-feira (16) constatou que nenhum tem representação igual entre homens e mulheres em seus conselhos.
De acordo com o levantamento feito pela Associação de Federações Internacionais das Olimpíadas de Verão (ASOIF), os homens conseguiram se manter em maior número nessas entidades porque mais de um quarto dos órgãos governamentais não possuem limitações para mandato de presidentes e outras autoridades eleitas.
A pesquisa levou em conta 31 modalidades olímpicas.
Em apenas uma delas, o conselho teve mais de 40% de mulheres entre seus representantes. 18 tiveram representação feminina de 25% ou menos.
“É justo dizer que ainda há um longo caminho a perseguir. O montante de trabalho feito varia consideravelmente de um esporte para outro”, disse Rowland Jack, um especialista em governança que é consultor da ASOIF.
A diferença de gênero é evidenciada, por exemplo, no Comitê Olímpico Internacional (COI), que tem quatro mulheres em um conselho executivo com 15 membros, portanto, 11 homens (27% de representação feminina).
Nos esportes, entretanto, o COI mira equalizar o número de homens e mulheres disputando as Olimpíadas.
Com alguns órgãos olímpicos com presidentes que permanecem no cargo por duas décadas ou mais, a última análise mostrou que nove dos 31 esportes de verão ainda não tinham uma política para refrear mandatos presidenciais.
“Somos geralmente favoráveis a termos que imponham limites. Esportes precisam ter boa governança para serem confiáveis – disse o presidente da ASOIF, Francesco Ricci Bitti.
Trata-se da terceira análise da ASOIF desde 2016 com o objetivo de alcançar padrões e transparência em áreas frequentemente afetadas por escândalos de governança esportiva.
O estudo anterior mostrou melhorias em 24 de 27 esportes analisados, alcançando 120 pontos de 200 possíveis.
A FIFA, entidade máxima do futebol mundial, foi uma das seis entidades que conseguiu 170 pontos em pelo menos cinco áreas estudadas: transparência, integridade, democracia, desenvolvimento e mecanismos de controle.
“Muito progresso foi alcançado durante os últimos anos, e a visão geral é claramente positiva”, disse Ricci Bitti.
Os três esportes que falharam em conseguir os 120 pontos de 200 foram a Federação Internacional de Levantamento de Peso (IWF), a Federação Internacional de Esportes Aquáticos (FINA), e a Federação Internacional de Judô (IJF).
No caso da IWF, a presidência de Tamas Ajan que durou 20 anos terminou nas últimas semanas por conta de uma investigação por suspeita de corrupção.
O órgão que cuida do boxe, a AIBA, não participou da análise por não ser reconhecido pelo COI.
“Há um espaço enorme entre as melhores e as piores (federações internacionais)”, concluiu a análise.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





