A explosão de Jorge Jesus como técnico.
Há dez anos, ganhava seu primeiro título português pelo Benfica.
Vitória por 2 a 1 sobre o Rio Ave consagrou um dos melhores times do Benfica da história e lançou Jorge Jesus para se tornar um dos grandes treinadores portugueses.
Jorge Jesus chegou ao Benfica em meio à segunda maior seqüência de títulos do Porto, seu grande rival deste século.
Com o holandês Co Adriaanse, em 2006, e com Jesualdo Ferreira, em 2007, 2008 e 2009, os portistas chegaram ao tetracampeonato.
Haviam sido pentacampeões na década de 1990, com Jardel artilheiro.
Pois Jorge Jesus saiu do Sporting Braga para o estádio da Luz com um discurso otimista: “Só dezessete treinadores foram campeões pelo Benfica e eu serei décimo oitavo.”
De 18 de junho, data da chegada, até 31 de março, quando ganhou a Taça da Liga, passaram-se oito meses.
Mas o objetivo era tirar o título português do Porto, o que se confirmou no dia 9 de maio de 2010, com vitória por 2 a 1 sobre o Rio Ave, na Luz. Foi um dos maiores times da história benfiquista: Quim, Maxi Pereira, Luisão, David Luiz e Fábio Coentrão; Javi Gracia; Ramires, Aimar e Di Maria; Saviola e Oscar Cardozo.
A chance do título existiu uma semana antes da vitória sobre o Rio Ave.
No estádio do Dragão, casa do Porto, perdeu por 3 a 1 e ficou com 73 pontos, três a mais do que o Sporting Braga, o time que deixou pronto para o sucesso de Domingos Paciência, seu substituto. Curiosamente, além da derrota para o Porto, só o Braga conseguiu vencer o timaço de Jorge Jesus naquela temporada, por 2 a 0, também no norte de Portugal.
O Benfica terminou com 76 pontos, cinco a mais do que o Sporting Braga e oito a mais do que o Porto.
Teve o melhor ataque (78 gols) e a defesa menos vazada (20), num total de trinta rodadas.
Desde então, Jorge Jesus sempre elegeu a conquista do título nacional como o objetivo mais concreto.
Foi assim no Flamengo.
Depois daquela campanha de 2010, mesmo perdendo os troféus de 2011, 2012 e 2013, antes de ser bicampeão em 2014 e 2015, Jorge Jesus passou a ser reconhecido pelo seu estilo agressivo em todos os momentos dos jogos.
Discípulo de Johan Cruyff, a quem acompanhou em semanas de treino no Barcelona, quando sonhava ser treinador de ponta, nos anos 1990.
Josep Guardiola diz que todo grande time é arrogante.
Jorge Jesus pode ser confundido com isto, quando diz que é um treinador diferente e não apenas no Brasil: “Sou diferente no Brasil, em Portugal, na China, em Inglaterra.”
Seus últimos dez anos de trabalho justificam esta segurança.
Reportagem: Blog do PVC
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





