A bicicleta nunca esteve tão evidente no debate nacional como nos últimos três, quatro anos. As maiores cidades do Brasil, principalmente as capitais, vem implementando políticas de incentivo ao uso da bike. Ciclovias e ciclofaixas são termos que aparecem nos veículos de comunicação todos os dias. Isso sem falar que nas cidades do interior do país a bicicleta já é um meio de transporte muito comum.
O ciclismo espera “pegar carona” nesse assunto de repercussão nacional e também se colocar em evidência. Além disso, o esporte está presente no quadro dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro-2016. Um dos principais representantes da modalidade de pista do Brasil é o cearense Gideoni Monteiro. O atleta de 26 anos disputa o Omnium, uma espécie de decatlo do ciclismo, que envolve vários provas.
“O uso da bicicleta vem aumentando expressivamente nos últimos anos por lazer ou estilo de vida. E, consequentemente, muita gente vai conhecendo o esporte”, ele afirma.
Em entrevista ao Esquema de Jogo, Gideoni falou sobre como está se preparando para os Jogos do Rio-2016 e também sobre seus recentes resultados em competições internacionais. Também comentou a estrutura do esporte no Brasil e a rotina de treinamentos visando os próximos desafios. Acompanhe:
Esquema de Jogo: No último mês de julho, você conquistou a medalha de bronze na prova do Omnium nos Jogos Pan-Americanos de Toronto. Já tinha como meta para essa competição ganhar uma medalha, independentemente da cor (ouro, prata ou bronze)?
Gideoni Monteiro: O Pan é uma competição muito importante, sempre tive vontade de disputá-la. Quando soube que iria, treinei e fiz de tudo para poder chegar com possibilidades de medalhas. Fiquei muito feliz com meu desempenho e mais ainda por sair como medalhista de bronze.
E foi durante o Pan que você teve uma queda e acabou ralando uma parte do corpo. Como foi superar esse momento e manter o foco na prova?
Verdade, teve um momento durante a corrida em que sofri uma queda, mas sabia que era muito importante para mim e para o Brasil não desistir. Você não pensa em outra possibilidade a não ser voltar para a prova e continuar competindo. Acabei subindo ao pódio e sendo recompensado pelo meu esforço.
No Campeonato Pan-Americano de Ciclismo de Pista, realizado em Santiago (Chile) no começo de setembro, você terminou a prova do Omnium na 8ª colocação. O que faltou para você conseguir um pódio? Você chegou a terminar o primeiro dia na vice-liderança.
Hoje em dia o nível está muito alto entre nós, competidores. Alguns detalhes fazem a diferença. Não foi o resultado que eu esperava, mas essas baixas também fazem parte do crescimento e amadurecimento de todo atleta.

No campeonato Pan-Americano o time brasileiro conquistou duas medalhas de bronze, na prova de velocidade por equipes e no keirin (individual). Acha que a equipe está cada dia mais preparada para a disputa dos Jogos Olímpicos do Rio-2016?
Sim, a seleção brasileira vem fazendo uma ótima preparação para os Jogos Olímpicos. Esses resultados nos mostram que estamos no caminho certo e ainda vamos evoluir muito mais até lá.
Falando em Olimpíada, como está a sua preparação para essa competição? Você atualmente treina no Centro Mundial de Ciclismo, em Aigle, na Suíça?
Exatamente. A Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) tem uma parceria com o Centro Mundial que nos possibilita fazer esse intercâmbio. É uma oportunidade ótima para eu me manter evoluindo. Estamos trabalhando muito para os Jogos de 2016. Uma competição desse porte certamente nos exigirá muito. Então é 110% de dedicação. Cada ação que fazemos é pensando na Olimpíada.
A equipe brasileira treina também no CT da Confederação Brasileira de Ciclismo, em Maringá (PR). Ele fornece toda infraestrutura necessária para a melhor performance dos atletas? Essa mescla de preparação, com treinamentos no exterior e no Brasil é o ideal para a evolução dos ciclistas brasileiros?
Sim, a seleção brasileira de ciclismo tem a base em Maringá, onde nos reunimos, fazemos nossos treinos e temos toda estrutura. E a importância do Centro Mundial é que ele nos dá também a possibilidade de estar junto com os melhores do mundo, o que nos ajuda bastante em termos de crescimento.
Qual resultado você pretende atingir nos Jogos do Rio-2016? Uma medalha é possível?
Disputar os Jogos Olímpicos é um sonho para todo atleta, ainda mais na nossa casa. Vai ser fantástico. Uma medalha em 2016 não será fácil. Prefiro pensar que o objetivo é terminar entre os oito melhores. Mas quem sabe não belisco um pódio?
A sua especialidade é a prova do Omnium, que é uma espécie de decatlo do ciclismo. Por que você decidiu se dedicar a essa modalidade?
Exato, a Omnium é uma prova bem semelhante ao decatlo. É composta por seis provas e após o somatório de pontos delas sai o vencedor geral. O grande segredo é manter a regularidade. Ela é composta por provas rápidas e por provas de resistência. Me identifiquei com a Omnium por ter as características para ela e por ser uma prova olímpica.
A Omnium é composta por seis corridas: Scratch, Perseguição Individual, Eliminação, 1 km Contrarrelógio, Flying Lap e Prova Por Pontos. Como você divide o seu treinamento? Tem alguma corrida que você se sente mais à vontade e treina um pouco mais que outras?
Minha rotina de treinos é bem puxada. Geralmente, faço dois períodos de treinos por dia. Faço trabalhos específicos para as provas na qual tenho dificuldade e faço manutenção para as provas que tenho mais facilidade.
Em termos de estrutura para o ciclismo de pista, os Jogos do Rio-2016 vão apresentar o que há de mais moderno? Você já visitou o local onde serão disputadas as provas?
Sim, Olimpíada é sempre o momento em que novidades aparecem. No Centro Mundial estamos sempre vendo as novidades que surgem em todos os contextos, na bike, nas regras. Estamos sempre competindo nas melhores provas do mundo. Então ficamos de olho no que mais evolui. Agora é esperar o velódromo do Rio ficar pronto para conhecê-lo.
Como você começou a praticar o ciclismo? Desde pequeno você sempre gostou de andar de bicicleta e foi natural optar por seguir a carreira de ciclista?
Toda criança tem o sonho da sua primeira bicicleta. É com ela que temos nosso primeiro contato com a liberdade. Desde muito novo gostei de pedalar. Com o passar do tempo, tive a oportunidade de participar de provas de ciclismo por incentivo de um tio, e me apaixonei pelo esporte. Em 2005, decidi que queria fazer disso minha profissão, e então entrei de cabeça no ciclismo.
Na sua opinião, o que é preciso fazer para que mais jovens se interessem pelo ciclismo e decidam seguir na carreira profissional?
O uso da bicicleta vem aumentando expressivamente nos últimos anos por lazer ou estilo de vida. E, consequentemente, muita gente vai conhecendo o esporte. Na minha opinião o que tem que fazer é mostrar à população a beleza desse esporte e aumentar sempre mais sua divulgação.
Quais são os próximos torneios que você disputa esse ano?
Minhas próximas competições esse ano serão a primeira etapa da Copa do Mundo, no início de novembro, na Colômbia, e a segunda etapa da Copa do Mundo, que será realizada na Nova Zelândia, no início de dezembro. No ano que vem, ainda tem o Mundial de ciclismo de pista antes da Olimpíada.
Crédito das fotos: divulgação.






