Relatório da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) apresenta gasto ínfimo do Atlético-MG com intermediários; clube esclarece.
De acordo com a CBF, Galo gastou R$ 200 mil entre abril de 2019 e março de 2020 em pagamentos a intermediários (agentes).
Galo informa que número carece de atualização.
Anualmente, a CBF publica um relatório de intermediários no qual consta quanto cada um dos grandes clubes brasileiros gastou em pagamentos a agentes (comissões).
O mais recente relatório apresentou R$ 200 mil de gastos do Atlético-MG, o menor entre os componentes da Série A.
Tais cifras representam uma queda abismal (redução de aproximadamente 98,5%) em comparação aos números do Galo no relatório anterior.
Porém, o Atlético informa que o valor está com desinformação.
Os relatórios de intermediários da CBF sempre abordam abril de um ano a março do ano seguinte e engloba as operações dos clubes com os empresários cadastrados formalmente na entidade.
Para o período entre abril/2019 e março/2020, de acordo com o novo relatório da CBF divulgado em 30 de junho, o Galo teria declarado apenas R$ 200 mil em pagamentos a empresários.
Menos, por exemplo, que os R$ 250 mil do Nacional-SP e sem comparações com os R$ 40 milhões declarados pelo Flamengo (veja tabela abaixo).
O clube, em contato com a reportagem, afirmou entretanto que não foi enviado nenhum número da natureza de pagamentos a empresários que atuam como intermediários no período abordado no balanço.
E que tal processo ainda será fechado pela agremiação.
No documento publicado em 2019 (que compreende abril de 2018 a março de 2019), o Atlético declarou ter repassado R$ 14.227.913,80 aos agentes, em diversas operações que envolveram compra, empréstimo e renovação de contratos.
O “relatório de intermediários” da CBF é publicado desde 2017, em consonância com regras da FIFA e da própria entidade.
Os números consolidados de valores declarados são retirados através do “sistema de registros da CBF (Gestão Web), a partir das informações fornecidas pelos clubes no momento em que o respectivo contrato de trabalho do atleta ou técnico é registrado no sistema, sendo complementados por informações disponibilizadas pelos intermediários e pelo FIFA TMS”, diz o documento.
Além dos gastos com os intermediários, o relatório também apresenta todas as operações individuais nas quais os agentes registrados tiveram participação.
Entre abril de 2019 e março de 2020, o sistema da CBF identificou 63 operações do Atlético-MG, envolvendo alguns nomes relevantes, como a contratação do técnico Jorge Sampaoli, do atacante Diego Tardelli e do goleiro Rafael (ambos livres no mercado), além de Allan, Hyoran, Dylan Borrero, Marquinhos e Nathan.
A lista contempla apenas as transações registradas e com intermediários cadastrados na CBF, condição obrigatória para receberem bonificação pelos negócios.
Negociações que envolvam pagamento a intermediários fora do sistema da CBF são proibidas e passíveis de punição.
Segundo explicação da CBF, no relatório, o montante da remuneração do clube corresponde apenas ao valor declarado.
Valores não declarados não estão contemplados.
Além disso, o valor total pode não ter sido quitado ainda integralmente pelos clubes.
Gastos de clubes com intermediários (abril/2019 a março/2020):
Clubes Valores
Flamengo-RJ: R$ 40 milhões
Corinthians-SP: R$ 25,6 milhões
Palmeiras-SP: R$ 23,3 milhões
Internacional-RS: R$ 17 milhões
Grêmio-RS: R$ 16,2 milhões
São Paulo-SP: R$ 14,1 milhões
Bahia-BA: R$ 10,4 milhões
Bragantino-SP: R$ 8,8 milhões
Santos-SP: R$ 6,5 milhões
Fluminense-RJ: R$ 5,3 milhões
Cruzeiro-MG: R$ 4,8 milhões
Athletico-PR: R$ 3,2 milhões
Vasco da Gama-RJ: R$ 2,3 milhões
Goiás-GO: R$ 2,3 milhões
Ceará-CE: R$ 1,9 milhões
Botafogo-RJ: R$ 2,3 milhões
Fortaleza-CE: R$ 869 mil
Atlético-GO: R$ 630 mil
Coritiba-PR: R$ 482 mil
Sport Recife-PE: R$ 370 mil
Atlético-MG: R$ 200 mil
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





