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CAMPEONATO BRASIELIRO DA SÉRIE A. SÉRIE B. LIGA. CRIAÇÃO.
Análise

Futebol Brasileiro em novos rumos?!?!

Clubes da Série A decidem criar liga para organizar o Campeonato Brasileiro.

Documento assinado por 19 das 20 equipes que disputam o Brasileirão deste ano foi entregue para a direção da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) em reunião nesta terça-feira (15).

Dezenove clubes da Série A assinaram nesta terça-feira (15), no Rio de Janeiro, um documento em que concordam em fundar uma Liga para organizar o Campeonato Brasileiro, que hoje é um produto da CBF.

O documento (leia a íntegra abaixo) foi entregue para a direção da CBF numa reunião realizada nesta tarde, na sede da entidade.

A intenção é organizar o torneio já a partir do ano que vem.

Entre os clubes que disputam a Série A deste ano, o único que não assinou o documento foi o Sport Recife, que está sem presidente porque Milton Bivar renunciou nesta terça-feira (15) e uma nova eleição ainda não foi marcada.

Em nota, o clube informou ser favorável à liga e acrescentou que “oficializará sua adesão o mais breve possível”.

Horas depois da reunião, a CBF publicou a seguinte nota em seu site oficial.

“A CBF informa que nesta terça-feira, 15, o Presidente Antônio Carlos Nunes, Vice-Presidentes, Secretário Geral e Diretores da entidade estiveram reunidos com os representantes dos clubes disputantes da Série A do Campeonato Brasileiro. Na ocasião, os clubes apresentaram uma carta com solicitações coletivas, que serão objeto de análise interna por parte da CBF”.

As articulações entre os clubes começaram nas últimas semanas.

Mas ganharam força desde que Rogério Caboclo foi afastado da presidência da CBF depois que o globo esporte revelou uma denúncia de assédio sexual e moral contra ele.

Na manhã desta terça, no Rio de Janeiro, os dirigentes se reuniram num hotel na Barra da Tijuca para pôr no papel a ideia e fechar o discurso para apresentar na reunião à CBF.

O encontro desta tarde com o presidente interino Antonio Carlos Nunes, vice-presidentes e diretores da entidade teve outros temas, mas a criação da liga é considerada prioritária pelos dirigentes dos clubes, que além disso desejam maior participação em decisões tomadas pela confederação.

O estatuto da CBF prevê dois tipos de Assembleia Geral, a instância máxima da CBF: Administrativa e Eletiva.

É a Assembleia Geral Administrativa que toma decisões como destituir o presidente e votar as prestações de contas da entidade.

Dela só participam as 27 federações estaduais de futebol.

Os clubes só participam da Assembleia Geral Eleitoral, que só se reúne para escolher o presidente e os vices.

E, mesmo assim, eles têm peso menor nas votações.

Os votos das 27 federações têm peso 3 (portanto são 81), os votos dos 20 clubes da Série A têm peso 2 (40) e os votos dos clubes da Série B têm peso 1 (ou seja, 20).

É essa concentração de poder nas mãos das federações estaduais que os clubes querem discutir nesta semana.

Para a criação de uma liga, segundo o artigo 24 do estatuto da CBF, é necessário ter a aprovação da Assembleia Geral Administrativa.

Ou seja: para tirar o poder das federações estaduais, é preciso ter a aprovação dessas mesmas federações estaduais.

A tentativa de criação de uma liga chega num momento financeiramente dramático para os clubes brasileiros.

Segundo levantamento do blog do jornalista Rodrigo Capelo, somando os 20 clubes que disputaram a Série A em 2020, os quatro que subiram este ano para a Série A e o Cruzeiro, o endividamento total das equipes chega a R$ 10,83 bilhões.

Já as receitas dos clubes somam R$ 4,67 bilhões, menos da metade.

Íntegra do documento entregue pelos 19 clubes à CBF:

“Por unanimidade dos presentes, 19 Clubes da Série A do Futebol Brasileiro, em razão de diversos acontecimentos que vêm se acumulando ao longo dos anos e que revelam um distanciamento total e absoluto entre os anseios dos clubes que dão suporte ao futebol profissional brasileiro e a forma como que é gerida a CBF, reunidos nesta data, decidiram adotar postulações e resoluções na forma abaixo elencada:

  1. Requerer a imediata alteração estatutária que consagre uma maior participação dos Clubes nas decisões institucionais e na gestão da CBF, admitindo-se os clubes como filiados desta entidade.
  2. Dentre os itens desta alteração estatutária, necessariamente deve ser incluída a votação igualitária nas eleições para escolha do Presidente e Vice-Presidentes da CBF, sendo certo que Federações e Clubes das Séries A e B terão seus votos contados de forma unitária e com o mesmo peso entre si.
  3. Ainda no que se refere à alteração estatutária, inclui-se o fim dos requisitos mínimos para inscrição nas chapas concorrentes à eleição desta entidade, abolindo-se a necessidade de apoio de 8 (oito) federações e 5 (cinco) Clubes, permitindo-se o lançamento de chapas que tenham o apoio expresso de, ao menos, 13 eleitores independente de serem clubes ou federações.
  4. Comunicar a decisão da criação imediata de uma Liga de futebol no Brasil, que será fundada com a maior brevidade possível e que passará a organizar e desenvolver economicamente o Campeonato Brasileiro de Futebol.

Além dos Clubes signatários, os Clubes da Série B serão convidados a integrara a Liga.

Os clubes adotarão medidas efetivas para consumar a sua associação, para, de forma organizada, exercerem a administração do futebol brasileiro e do seu calendário.”

O que o Estatuto da CBF diz sobre Ligas:

“Artigo 24 – É facultado à CBF, a seu exclusivo critério e nos termos do presente Estatuto, mediante decisão de sua Assembleia Geral Administrativa, admitir a vinculação de Ligas constituídas ou organizadas por entidades de prática desportiva, para fins de integração de suas competições ao calendário anual de eventos oficiais do futebol brasileiro e para seu reconhecimento ou credenciamento na estrutura ou organização desportiva de futebol, no âmbito regional, nacional ou internacional.

Parágrafo Primeiro: Para vinculação à CBF e para a integração de suas competições ao calendário anual oficial do futebol brasileiro, as Ligas deverão cumprir os requisitos exigidos pela CBF.

Parágrafo Segundo: As Ligas, para terem sua vinculação admitida, devem submeter seus Estatutos à prévia aprovação da CBF a quem incumbe definir a competência, direitos e deveres das Ligas, em obediência ao disposto no Estatuto da FIFA.

Parágrafo Terceiro: As Ligas admitidas estarão obrigadas a respeitar o calendário anual do futebol brasileiro, além de subordinarem-se aos Estatutos, normas, regulamentos e decisões da FIFA, da CONMEBOL (Confederação Sul-Americana de Futebol) e da CBF.

Parágrafo Quarto: As Ligas eventualmente criadas sem observância deste artigo não serão reconhecidas para todos e quaisquer efeitos jurídicos e desportivos como integrantes do sistema da FIFA, da CONMEBOL, da CBF e das Federações filiadas.”

Presidente do Bahia diz que Série B foi convidada para nova liga e fala em união: “Muito o que fazer”

Guilherme Bellintani se pronuncia em rede social: “Por novo calendário, mais planejamento, investimentos e receitas”, diz; clubes querem organizar Campeonato Brasileiro a partir de 2022.

O Bahia foi um dos 19 clubes da Série A que assinaram, nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, um documento em que concordam em fundar uma liga para organizar o Campeonato Brasileiro.

O documento será entregue para a direção da CBF, e a intenção é organizar o torneio a partir do ano que vem.

Em publicação nas redes sociais nesta tarde, o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani mostrou o documento assinado e afirmou que clubes da Série B também foram convidados.

No acordo, os dirigentes também pedem equiparação nos votos na eleição da CBF.

“A união dos clubes de futebol é uma ingenuidade sua”. Não, não era. Hoje 19 clubes de Série A assinaram o compromisso de criação imediata da Liga de Futebol do Brasil. Série B já foi convidada. Pedimos tb equiparação nos votos na eleição da CBF e fim dos filtros de candidatura”, disse o presidente do Bahia.

“Há muito o que fazer, e isso começa já. Por novo calendário, mais planejamento, investimentos e receitas. Por democracia, com equilíbrio, união e trabalho. Sem conflitos, sem ressentimentos. Nós, clubes de futebol, queremos chegar mais próximo do que cada brasileiro espera de nós”, completa Bellintani.

As articulações entre os clubes começaram nas últimas semanas, mas ganharam força desde que Rogério Caboclo foi afastado da presidência da CBF, depois que o globo esporte revelou uma denúncia de assédio sexual e moral contra ele.

Na manhã desta terça, no Rio de Janeiro, os dirigentes se reuniram num hotel na Barra da Tijuca para pôr no papel a ideia e fechar o discurso para apresentar na reunião à CBF.

O estatuto da CBF prevê dois tipos de Assembleia Geral, a instância máxima da CBF: Administrativa e Eletiva.

É a Assembleia Geral Administrativa que toma decisões como destituir o presidente e votar as prestações de contas da entidade.

Dela só participam as 27 federações estaduais de futebol.

Os clubes só participam da Assembleia Geral Eleitoral, que só se reúne para escolher o presidente e os vices.

E, mesmo assim, eles têm peso menor nas votações.

Os votos das 27 federações têm peso 3 (portanto são 81), os votos dos 20 clubes da Série A têm peso 2 (40) e os votos dos clubes da Série B têm peso 1 (ou seja, 20).

É essa concentração de poder nas mãos das federações estaduais que os clubes querem discutir nesta semana.

Para a criação de uma liga, segundo o artigo 24 do estatuto da CBF, é necessário ter a aprovação da Assembleia Geral Administrativa.

Ou seja: para tirar o poder das federações estaduais, é preciso ter a aprovação dessas mesmas federações estaduais.

A tentativa de criação de uma liga chega num momento financeiramente dramático para os clubes brasileiros.

Segundo levantamento do blog do jornalista Rodrigo Capelo, somando os 20 clubes que disputaram a Série A em 2020, os quatro que subiram este ano para a Série A e o Cruzeiro, o endividamento total das equipes chega a R$ 10,83 bilhões.

Já as receitas dos clubes somam R$ 4,67 bilhões, menos da metade.

“Viabilizar a partir de já”: veja posição de clubes sobre criação de liga para organizar o Brasileiro

Dirigentes das equipes se manifestam após entrega de documento à CBF.

Ideia é assumir a organização da competição já a partir de 2022.

Dirigentes de 19 clubes da Série A entregaram na tarde desta terça-feira (15) à CBF um documento em que comunicam a criação de uma liga para organizar o Campeonato Brasileiro, que hoje é um produto da CBF.

Na saída da reunião no Rio de Janeiro, presidentes das equipes explicaram a adoção da medida e deixaram claro que pretendem assumir a organização do torneio já a partir de 2022.

A liga idealizada pelos clubes vai respeitar os critérios de acesso e descenso já consagrados no Campeonato Brasileiro e vai respeitar a posição final dos clubes nos torneios de 2021.

O presidente interino da CBF, Antonio Carlos Nunes, só participou de uma pequena parte da reunião com os clubes.

Ele agradeceu a visita dos dirigentes e afirmou que precisava se retirar para fazer exames e cuidar de questões pessoais.

Permaneceram na sala, representando a CBF, os vice-presidentes Fernando Sarney, Gustavo Feijó, Castellar Guimarães Neto e Ednaldo Rodrigues, além do secretário-geral Walter Feldman.

Segundo o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, o documento entregue à CBF representa um momento de união entre as equipes da Série A.

“Viabilizar a partir de já. Entendo que o 15 de junho de 2021 é o ponto de partida de uma nova partida no futebol brasileiro. As premissas estão estabelecidas. União dos clubes, entendimento comum do que é preciso fazer. Os clubes mostraram a maturidade que têm. O debate varou a noite de ontem, continuou hoje de manhã. Foi um primeiro passo importante. Não temos nenhum interesse em entrar em conflito com a CBF. Vamos continuar discutindo, queremos ter mais participação na política da CBF, como a igualdade no peso dos votos e o fim do filtro político para candidaturas”, disse Bellintani.

Entre os clubes que disputam a Série A deste ano, o único que não assinou o documento foi o Sport Recife, que está sem presidente porque Milton Bivar renunciou nesta terça-feira e uma nova eleição ainda não foi marcada.

Em nota, o clube informou ser favorável à liga e acrescentou que “oficializará sua adesão o mais breve possível”.

Na saída da reunião com a CBF, o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, disse que os clubes não desejam entrar em atrito com a entidade. Veja abaixo frases de mais dirigentes.

“Não é um movimento de ruptura, mas é o momento de organizar. Os clubes têm condições para isso. A CBF nos ouviu. Nós queremos organizar o Campeonato Brasileiro”.

Horas depois da reunião, a CBF publicou a seguinte nota em seu site oficial.

“A CBF informa que nesta terça-feira (15), o Presidente Antônio Carlos Nunes, Vice-Presidentes, Secretário Geral e Diretores da entidade estiveram reunidos com os representantes dos clubes disputantes da Série A do Campeonato Brasileiro. Na ocasião, os clubes apresentaram uma carta com solicitações coletivas, que serão objeto de análise interna por parte da CBF”.

Rodolfo Landim (presidente do Flamengo):

“Com a disposição que a gente tem e com a qualidade das pessoas que a gente pretende colocar na criação desse processo, acredito que vai ser mais rápido do que a gente espera”.

Marcelo Paz (presidente do Fortaleza):

“Os clubes entenderam que precisavam assumir cada vez mais o protagonismo no futebol brasileiro, participando mais ativamente do processo de escolha do presidente e do vice da CBF, com votos igualitários entre federações e times da Série A e Série B. Além disso, a criação de uma liga tem o objetivo de maximizar receitas, ofertar um produto de maior qualidade e maiores vantagens comerciais. Se os alemães, espanhóis e italianos fazem isso, nós também podemos fazer. Essa mudança também é positiva para a CBF, que terá um processo eleitoral mais democrático e participativo, com melhorias na Série A”.

Julio Casares (presidente do São Paulo):

“Participação, mobilização, organização, equilíbrio e serenidade são os pilares da nossa caminhada. Com diálogo e transparência! Viva os clubes de futebol do Brasil!”

Romildo Bolzan (presidente do Grêmio):

“Os critérios de acesso, descenso, ranking, pontuação, financiamento, isso vai ser construído a partir de agora. O viés está em uma situação de uma crise que todo mundo perdeu receitas. Transformar o produto em bastante mais acreditado, que seja uma relação direta dos clubes e que possa ter organização melhor, crédito melhor e uma situação que permita buscar melhores receitas para todos aqueles que participam do campeonato da liga, melhorar inclusive as receitas dos clubes da Série B”.

Alessandro Barcellos (presidente do Internacional):

“O objetivo principal dessa liga é garantir novas receitas para que os clubes aumentem os seus recursos e tenham uma vida financeira mais saudável, com a possibilidade de organizar um calendário favorável aos interesses das instituições. Os clubes e presidentes se uniram, em um momento histórico, para retomar o que já ocorreu em outros momentos, agir para que o futebol brasileiro se organize melhor e construa um ambiente de governança, respostas rápidas e novas receitas, com um calendário adequado”.

Walter Dal Zotto (presidente do Juventude):

“A formação da liga é um momento histórico para o futebol brasileiro. Pela primeira vez vemos essa grande evolução, com os presidentes de todos os clubes demonstrando unidade em prol da criação de novo calendário, investimentos e receitas”.

Criação de Liga Brasileira de Clubes pode ser dia histórico para o país.

Dezenove dos vinte clubes da elite assinaram a criação da Liga. Sport não está presente por afastamento de seu presidente.

Dezenove dos vinte clubes da Série A anunciam nesta tarde a criação da Liga Nacional de Clubes.

Na manhã desta terça-feira (15), os repórteres Gabriela Moreira, Martin Fernández, Sergio Rangel e Rodrigo Capelo já haviam informado que a reunião poderia ser decisiva.

Pode ser mais do que isto: “Hoje é um dia histórico para o futebol brasileiro”, é frase de um dos últimos dirigentes a ingressarem na reunião e que pediu anonimato neste momento.

Dos vinte clubes da Série A, apenas o Sport não assinou o documento de criação da Liga, por causa do afastamento de seu presidente na noite de segunda-feira (15).

Já há algumas ideias claras: 1.

A Liga vai organizar o Campeonato Brasileiro de 2022.

  1. A ideia é fazer o campeonato durar o ano inteiro, com redução dos estaduais, mas no calendário brasileiro, entre fevereiro e dezembro.

Pode ser um dia histórico.

O futebol do Brasil é setor da economia.

Há décadas, Espanha e Inglaterra pensam assim.

O futebol gera empregos, faz dinheiro, faz gente trabalhar.

Não é diversão.

É importante.

Em 2019, houve 70 mil torcedores em Flamengo 5 a 0 Grêmio e 23% do público veio de fora do Rio de Janeiro.

Isso era hotel, táxi, uber, restaurantes, bares.

Todos trabalhando.

O Brasileirão forte é trazer gente de fora do país, como se vai a Barcelona e Madri para assistir aos jogos.

É dinheiro.

A criação da liga pode ser histórica. Mas precisa avançar, sem divisões entre os clubes em assuntos estratégicos.

O detalhamento acontecerá na sequência.

Claro que a tendência é haver divisão, principalmente quando se discutir a divisão do dinheiro de televisão.

Mas há unidade pela primeira vez, desde a ruptura do Clube dos 13, provocada pela saída de Flamengo e Corinthians, para terem contratos individuais assinados para o Brasileirão.

Já houve outros momentos de ruptura, como em 1987, com a criação da Copa União, cinco anos antes do nascimento da Premier League na Inglaterra.

De novo, fica a expectativa de que o dia seja de um renascimento do futebol brasileiro.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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