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Entre o asfalto clássico de 1967 e a tecnologia de recarga ultrarrápida, categoria elétrica volta à Espanha em uma das etapas mais estratégicas do ano
O Mundial de Fórmula E desembarca na Espanha neste sábado (21) para o ePrix de Madri, marcando o retorno da categoria ao país após cinco anos. O palco não poderia ser mais emblemático: o Circuito del Jarama, um traçado que resgata a essência do automobilismo clássico. Localizada a 30 km da capital espanhola, a pista de 1967 é uma obra de John Hugenholtz, o mesmo projetista de Suzuka e Zandvoort, e preserva um layout “old school”, com 3.934 metros, 14 curvas e desníveis topográficos que desafiam a confiança dos pilotos.
Diferente dos circuitos de rua ultra-asfaltados e com amplas áreas de escape, Jarama exige uma pilotagem fluida e sem margens para erro. É um retorno a um “templo” que não recebia uma prova de elite mundial desde o GP de Fórmula 1 de 1981, vencido por Gilles Villeneuve. Para adaptar esse traçado histórico às exigências da categoria elétrica, foi instalada uma nova chicane ao final da reta dos boxes, criando um ponto crítico de frenagem para favorecer as ultrapassagens em um circuito naturalmente estreito.
A Estratégia do Futuro: Estreia do Pit Boost
A grande estrela tecnológica desta etapa, no entanto, acontece fora do traçado principal. Madri será a primeira rodada simples da temporada a utilizar o Pit Boost (ou Attack Charge). Pela primeira vez na “Era Gen3”, os carros serão obrigados a realizar um pit stop de aproximadamente 30 segundos para uma recarga ultrarrápida de energia.
Essa tecnologia de 600kW permite que a bateria receba uma carga extra em pleno calor da prova, servindo como um laboratório real para o futuro dos veículos elétricos de passeio. Ao realizar a parada, o piloto desbloqueia o Attack Mode, elevando a potência do carro de 300kW para 350kW temporariamente. Em uma pista técnica como Jarama, decidir o momento exato de parar — fugindo do tráfego ou aproveitando uma janela de Safety Car — será o “fator X” que definirá o vencedor.
O Grid e a Luta pelo Título
A prova de 23 voltas será um teste de fogo para os brasileiros. Lucas Di Grassi chega focado no desenvolvimento do conjunto Lola Yamaha Abt, destacando que a topografia de Jarama exige um carro extremamente equilibrado. Já Felipe Drugovich, competindo pela Andretti, busca se consolidar entre os ponteiros em um grid onde a liderança pertence ao alemão Pascal Wehrlein (Porsche), que soma 68 pontos.
Com o asfalto estreito, a introdução do pit stop obrigatório e a mística de uma pista histórica, o ePrix de Madri promete ser uma das etapas mais estratégicas e visualmente impactantes da temporada, unindo o passado heróico de Jarama com a tecnologia de ponta da Fórmula E.