Sob o comando de Luxemburgo, a equipe carioca tem aproveitamento de 85,7%
A ascensão rubro-negra no brasileirão deste ano tem rendido elogios ao novo “velho” técnico flamenguista Vanderlei Luxemburgo que, aliás, há tempos o polêmico treinador não recebia. Não é pra menos, desde que assumiu o comando técnico da equipe, Luxa disputou sete partidas pelo certame nacional, venceu seis e perdeu apenas uma (sendo cinco vitórias em sequência). São 18 pontos conquistados em 21 possíveis. O time marcou nove gols e sofreu míseros três. Saltou da última colocação – a famosa lanterninha -, para a nona posição, ou, para o que costumamos chamar de primeira parte da tabela. Os números falam por si só, e Luxa gosta disso.
Mas a grande questão é: o que terá feito o estrategista Luxa para que os jogadores do Flamengo passassem a demonstrar em campo aquilo que não mostravam havia meses, ou seja, consciência tática, aplicação defensiva e qualidade de finalização?
Alguns fatores podem ter sido determinantes nesse processo, um deles sem dúvida é o fato de Luxemburgo ser, antes de tudo, torcedor. O treinador nunca negou isso, desde os tempos em que dava algumas bordoadas na bola vestindo o manto (Luxa nunca foi bom de bola e o próprio, com ressalvas, reconhece isso). Mas isso não foi determinante, apenas contribuiu.
Outro detalhe interessante de se analisar é a nova postura que Luxemburgo tem adotado desde que retornou a Gávea. Mais comedido nas ações e nas palavras, ele não provocou (ou aceitou provocações) da imprensa, não alfinetou (longe disso) os dirigentes, tampouco quis aparecer mais do que os atletas. O contrário de tudo isso caracterizou o multicampeão nos últimos anos, ou porque não dizer, em toda sua exitosa carreira.
Agora, o comportamento é exemplar. Vibra muito com os gols marcados pelos seus atacantes, modestos é verdade, mas que têm jogado com competência sob seus comandos, falo dos possantes Alecsandro, Paulinho e até do recém-chegado Eduardo da Silva.
Na partida de ontem, diante do Vitória no Barradão, o Flamengo contou com a grande atuação do seu goleiro Paulo Victor, que realizou grandes intervenções durante o jogo, a maior delas, o pênalti batido pelo ex-flamenguista Juan. Até nisso, Luxa tem tido sorte, pois, o treinador só tomou uma medida mais drástica em sua chegada: bancou Paulo Victor – que desde então, pega tudo -, e afastou Felipe, antes titular absoluto e que debochara do mesmo Luxa quando este foi demitido pelo Fla em sua última passagem pelo clube.
Pois bem, fato é que de grão em grão a galinha enche o papo, Luxa vai saindo da confusão aos pouquinhos, como ele mesmo tem dito desde a sua chegada, e vai galgando posições mais nobres na tabela. Parece que a tal “filosofia” realmente está aparecendo, vemos hoje um flamengo mil vezes diferente daquele deixado por Ney Franco, que aliás, vive um ano pra se esquecer.
Dizer que pode chegar muito longe beira utopia, uma vez que o elenco é muito fraco, abaixo das tradições, mas, porque não assegurar que o Fla não correrá mais riscos este ano? Já será uma grande coisa… E deixem o Luxa trabalhar, e agora sem o fino terno, todavia, com a competência de outrora. Aguardemos!





