O remo é um esporte que desembarcou no Brasil há um bom tempo e conseguiu construir uma tradição importante em terras tupiniquins. Quem gosta de futebol vai se lembrar que três dos principais times de futebol do Rio de Janeiro (Flamengo, Vasco da Gama e Botafogo) tem uma ligação histórica com a modalidade. Não podemos esquecer do Clube do Remo, de Belém.
Mas é uma catarinense que vem colocando o nome do Brasil em evidência na modalidade. Fabiana Beltrame conquistou o inédito título mundial na categoria skiff simples em Bled, na Eslovênia, no ano de 2011.
Seu currículo ainda apresenta duas medalhas de prata nos últimos Jogos Pan-Americanos, em Toronto-15 e Guadalajar-11, além de várias participações em campeonatos internacionais. Fabiana neste momento, inclusive, se prepara para mais um deles: o Mundial de Remo que começa no próximo domingo e vai até 6 de setembro em Aiguebelette, na França. São 1.300 atletas de 77 países disputando vagas para os Jogos Olímpicos do Rio-2016 (77 oportunidades de classificação de barcos no masculino e 52 no feminino.
A remadora conversou com o Esquema de Jogo e falou, dentre outros assuntos, da preparação para os Jogos Olímpicos, sobre estrutura e patrocínio e da preocupação com as condições da Baía de Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas, que receberão as provas da modalidade ano que vem na Rio-2016. Confira:
Esquema de Jogo: Você está prestes a disputar o Mundial, que começa no próximo dia 30. Como foi a sua preparação para o evento mais importante do ano?
Fabiana Beltrame: Me preparei muito para esse campeonato e vim em uma crescente muito boa, melhorando meus tempos a cada mês.
EJ: Em termos de resultado, você tem uma meta de até onde quer chegar nessa competição?
FB: Claro que o objetivo é sempre a medalha de ouro, para isso treino tanto, mas sei que não é nada fácil. Quero ir passo a passo, disputar uma boa eliminatória, depois disputar a semifinal e conseguir entrar na final. Esse ano vou ter 21 adversárias, todas muito fortes, então tenho que fazer o meu melhor em cada descida de raia.
EJ: Você vai competir no single skiff peso leve, que é uma categoria não-olímpica. Pretende mudar de categoria para tentar uma vaga para os Jogos Olímpicos do Rio-2016?
FB: Sim, tenho planos de competir na categoria pesada, já que até agora não tenho uma parceira e já estamos em cima do Pré-Olímpico, que será em março do ano que vem. Mas isso também vai depender de eu ganhar a seletiva nacional nessa categoria.
EJ: Você foi campeã mundial em Bled-2011 e conseguiu a medalha de prata nos dois últimos Jogos Pan-Americanos. Acha que esses excelentes resultados ajudaram a colocar a modalidade em mais evidência? O que mudou na sua carreira de atleta depois dessas conquistas?
FB: Acredito que o remo se tornou mais conhecido depois das minhas conquistas, muitas pessoas que nem sabiam o que era remo agora me acompanham e torcem muito por mim. Mas isso ainda não foi o suficiente para alavancar a modalidade e atrair mais praticantes.
EJ: Em termos de patrocínio e estrutura, a confederação lhe fornece todo o suporte?
FB: O meu primeiro apoio é o Club de Regatas Vasco da Gama. É ele que me dá a maior base para poder treinar tranquila. A Confederação também me dá suporte, principalmente nas viagens de treinamento e competição, e as vezes me dá uma ajuda de custo em conjunto com a Petrobrás, que patrocina a Confederação Brasileira de Remo (CBR). Também sou atleta da Marinha do Brasil, que me ajuda muito. Tenho apoio da médica Maria Amélia Boga, que está fazendo um trabalho maravilhoso, junto com a Farmácia Analítica, que me fornece os suplementos que preciso para render bem.
EJ: O Remo é uma modalidade praticada há muito tempo no Brasil. O que falta para termos mais atletas disputando torneios internacionais e conseguindo trilhar uma carreira sólida?
FB: Acredito que o remo precisa de uma reestruturação geral, principalmente na base, para que essas mudanças possam chegar no alto nível.
EJ: Uma das maiores preocupações para os Jogos do Rio-2016 é a questão da poluição da Baía de Guanabara. Como você analisa essa situação, acha que até lá vamos ter condições adequadas para os atletas competirem em alto nível?
FB: Acho difícil que até lá as coisas possam melhorar muito, até por que o que foi prometido, não foi cumprido, mas não acho que isso vai atrapalhar as competições, tanto na baía de Guanabara, quanto na Lagoa Rodrigo de Freitas.








