Completar 100 jogos como profissional é uma marca importante para todo jogador de futebol. Foi o que conseguiu Pablo, atacante brasileiro de 23 anos que atua desde o início do ano no Cerezo Osaka, time da segunda divisão japonesa.
Revelado pelo Atlético-PR em 2010, Pablo ganhou destaque após duas boas passagens pelo Figueirense, onde ajudou o clube catarinense a permanecer na elite do futebol brasileiro na temporada passada. Emprestado até o final de 2015, o paranaense de Cambé luta para colocar o Cerezo Osaka na J-League 1, primeira divisão do Japão. O clube, comandado pelo brasileiro Paulo Autuori, acertou recentemente as saídas do uruguaio Diego Forlán e do brasileiro naturalizado alemão Cacau, principais nomes de destaque da equipe.
Em entrevista exclusiva ao Esquema de Jogo, Pablo fala, entre outros assuntos, sobre sua experiência no país asiático, a convivência com Diego Forlán e a passagem pelo Real Madrid B. Confira:
Esquema de Jogo: Como tem sido sua experiência no Japão? É aquilo que você estava esperando? Qual tem sido sua principal dificuldade?
Pablo: Tem sido uma experiência muito boa, um aprendizado novo, o futebol é um pouco diferente do Brasil, é mais correria, mas com um treinador brasileiro, que é o Paulo (Autuori), a gente joga mais com a posse de bola, então a nossa equipe tem uma forma brasileira de jogar. É aquilo que eu estava esperando sim, claro que tem algumas diferenças, mas é normal, o futebol é o mesmo. A dificuldade acho que é só o idioma mesmo, que é um pouco difícil, mas tem os tradutores, você vai aprendendo algumas palavras e isso acaba ficando mais fácil.

EJ: Com relação ao futebol, você sentiu muito a diferença do estilo de jogo daí em relação ao futebol brasileiro? O fato do seu treinador ser o Autuori tem facilitado na adaptação?
P: A única diferença que eu achei é que aqui eles correm muito, os jogadores japoneses tem esse jeito de correr, aquele negócio de vai e volta, vai e volta, só que o Paulo vem pedindo para a gente ficar mais com a bola, desgastar o adversário, fazer ele correr. Essa foi a principal diferença que eu vi em relação ao futebol brasileiro, muita correria. A adaptação para mim foi muito rápida com um treinador brasileiro, isso foi muito bom. Os treinamentos do Paulo são tops, ele é um dos melhores treinadores do Brasil, isso eu posso afirmar tranquilamente. É um treinador fora de série, por isso que já conquistou muitas coisas no futebol.
EJ: Como tem sido seu posicionamento em campo? Mudou muito o seu jeito de jogar em relação à última temporada?
P: Eu joguei no Figueirense com o professor Argel como segundo atacante e como meia, e aqui eu estou fazendo esse papel também, jogando aberto pela ponta. Joguei alguns jogos de meia, joguei alguns jogos centralizados, mas o Paulo perguntou qual seria a posição que eu gostaria de jogar e eu falei para ele que seria um meia esquerda, armando o jogo, já chegando como um segundo atacante, então ele adaptou isso para mim, ele fez com que eu me sentisse à vontade dentro de campo, então isso vem sendo muito bom para mim.

EJ: Seu contrato de empréstimo vai até o final do ano e falta pouco para chegarmos na metade. Pelo que você já viveu aí durante esse período, já traçou um objetivo para quando a temporada acabar? Pretende ficar mais tempo no Japão?
P: O meu objetivo é o mesmo do início da temporada, terminar o ano no Japão muito bem, levando a equipe à primeira divisão, esse é o meu objetivo principal. No ano que vem não sei o que vai acontecer, mas eu tenho que pensar no hoje. O meu hoje é levar o Cerezo Osaka à primeira divisão.
EJ: Você considera positiva a sequência de empréstimos que você teve ao longo da carreira? O quanto isso tem te ajudado a evoluir?
P: Sim. Foram muito boas minhas duas passagens pelo Figueirense, vão ficar marcadas pelo resto da minha vida, foram duas passagens excelentes. Nos dois anos que eu estive lá, em cada ano tivemos uma meta e conseguimos atingir o objetivo. Tive uma primeira experiência fora do Brasil que foi na Espanha, que foi no Real Madrid B, mas junto com o time principal que foi campeão da Liga dos Campeões. Eu estou colhendo frutos que a carreira tem me proporcionado, fico muito feliz e espero continuar fazendo o melhor para minha carreira, tomando as melhores decisões em conjunto com o meu pai, que é meu empresário, com a minha família, com a minha esposa, com a minha mãe, com todos os envolvidos. O que for melhor para a minha carreira vai ser decidido em conjunto.

EJ: Fale um pouco de sua experiência no Real Madrid B. Qual competição o clube disputa?
P: Foi uma experiência fora de série, uma das melhores que eu tive no futebol, trabalhar com jogadores de classe mundial foi espetacular. Eles disputam a segunda divisão do campeonato espanhol, a mesma segunda divisão que a gente tem no Brasil. Claro, se o time for campeão ou estiver entre os classificados para subir obviamente não podem subir pelo fato do time principal estar na série A. O time não tem o acesso à primeira divisão. Foi uma passagem muito boa, foram seis meses de muito aprendizado.
EJ: Como você avalia o comportamento dos torcedores japoneses em relação ao futebol? Os estádios costumam estar cheios?
P: É espetacular a torcida no Japão, é uma coisa que eu até fiquei surpreso. No meu primeiro jogo já tinha música com o meu nome, é impressionante, a torcida aqui tem um carinho enorme. Não tem aquela “cobrança”, aquela pressão que tem no Brasil. Aqui a torcida chega a ser muito próxima do jogador, todo treino nosso tem torcedor, tem um corredor que a gente passa para chegar no campo que a gente dá autógrafos, tira foto. Eles aqui são muito educados, respeitam muito, é impressionante. É uma cultura totalmente diferente do Brasil, mas a atmosfera em um estádio de futebol no Brasil é diferente. Os estádios aqui sempre estão cheios, tem bastante torcida, mas o futebol brasileiro é um campeonato mais antigo, é uma torcida mais apaixonante. Aqui tem muito isso, mas o futebol aqui no Japão não é o primeiro esporte. A torcida até vai, a torcida do Cerezo é muito animada, apoia muito, mas não se compara ainda ao que é no Brasil, a pressão que é no Brasil, aquela pressão que quando o time vai jogar fora de casa sente. Aqui é um pouco diferente.
EJ: Comparando com o Brasil, aí existe a mesma pressão por resultados? Os times trocam muito de treinador?
P: No Brasil a pressão da torcida por resultado é maior e isso é muito nítido. Aqui no Japão eu não percebi muito essa troca de treinador que há no Brasil. Há trocas, obviamente, mas que eu me recordo aqui foram uma ou duas vezes na segunda divisão.

EJ: Você completou recentemente 100 jogos como profissional e formando dupla de ataque com o Forlán. Como foi essa experiência de jogar ao lado dele?
P: Completei, fiquei muito feliz com essa marca, pela minha pouca idade também. Falar do Forlán é falar de um dos melhores jogadores que o Uruguai já teve em toda a sua história. É um jogador fantástico, um jogador de classe mundial, que já foi o melhor jogador de uma Copa do Mundo, então isso já mostra o que é o Diego Forlán. É um jogador fantástico, fora de série, uma pessoa fantástica, é um craque dentro e fora de campo. Ele me ajudou muito aqui, não só ele, como o Cacau também, na adaptação. Aprendi muito com ele e é um amigo que eu vou levar para o resto da vida.
EJ: Que recado você daria para outros jogadores que porventura possam receber uma proposta do futebol japonês?
P: O Japão é um país fantástico para se viver. Segurança, educação das pessoas, é um país que tem tudo, muito tranquilo, na questão disso é fantástico. O futebol japonês é muito legal, que vale a pena conhecer, é um futebol que está crescendo ainda para o mundo, é um futebol que está no começo, a liga começou em 1993, então tem pouco mais de 22, 23 anos de história. O campeonato japonês tem muito o que crescer, vai crescer muito e quem quiser vir pode ter certeza que eles vão te receber de braços abertos.





