O zagueiro Marquinhos, do Figueirense, hoje está com 32 anos e é um dos principais destaques do clube catarinense desde o ano passado. Bicampeão catarinense com o Figueira em 2014 e 2015, o jogador também foi escolhido como o melhor zagueiro do Campeonato Catarinense desta temporada.
Revelado pelo Corinthians no início da década passada, o zagueiro rodou bastante por clubes do futebol turco e do interior paulista. Fora o Timão, Marquinhos também atuou pelo Atlético-MG entre os grandes do Brasil, mas em ambos os clubes não conseguiu deslanchar.
Sempre que se fala do zagueiro no Timão vem à tona a famosa briga que ele teve com o argentino Carlos Tevez, em 2005, em um treinamento do Corinthians. Ambos trocaram socos e Marquinhos acabou saindo do clube por empréstimo após o episódio e depois para o exterior.
O jogador conversou com Esquema de Jogo e falou sobre tudo isso, inclusive a briga e porque não conseguiu ser o zagueiro que é hoje no Timão e no Galo. Confira!
Esquema de Jogo: Seu início no futebol, saindo da base do Corinthians, era promissor. Na sua visão, por que você não conseguiu se firmar no Timão?
Marquinhos: Como você disse, eu era muito promissor, porém, como a maioria dos jogadores novos, eu me deslumbrei. Aí vieram balada, bebidas, mulheres e me tiraram o foco. Com isso, vieram várias lesões que atrapalham qualquer jogador.
EJ: Ainda sobre o Corinthians, você pode falar um pouco da briga que teve com o argentino Tevez, em 2005? O que aconteceu e foi por isso que você acabou emprestado ao Atlético Mineiro?
M: Referente a esse assunto, como sempre disse, eu vivia um momento conturbado na minha carreira. Eu não jogava e tinham boas equipes querendo meu empréstimo, no entanto, o Corinthians não me liberava. Em virtude disso, eu estava muito estressado e num lance de treino ele acertou meu rosto que acabou sangrando. Aí, com tudo que estava acontecendo, acabei brigando e depois do acontecido a diretoria viu que eu precisava de novos ares e me emprestaram ao Atlético Mineiro.
EJ: Aquele episódio deixou alguma marca na sua carreira, alguma sequela que te prejudicou para voltar a atuar em um clube grande do Brasil? Resumindo, fechou alguma porta?
M: Se aconteceu ou me prejudicou, sinceramente não sei, pois logo depois fiquei fora do País. Da minha parte foi algo que aconteceu e que no futebol acontece vários casos iguais. Entretanto, teve essa repercussão porque foi com um atleta conhecido mundialmente, que é o Tevez. Deixo claro que no mesmo dia nós fizemos as pazes, pedimos desculpas um para o outro.
EJ: Conte um pouco da sua experiência no futebol estrangeiro, na Turquia. Quanto tempo jogou, como foi o desempenho das equipes, o que você conquistou lá?
M: Foi uma experiência única. Tive um crescimento como pessoa e como atleta. Fiquei quatro anos, joguei em duas equipes medianas (RIZESPOR e ISTANBUL BELEDYER SPOR). Infelizmente, tive algumas lesões nessas temporadas, mas tive a felicidade de ser vice-campeão da Copa da Turquia com o Istanbul. E se tratando de uma equipe mediana e que nunca tinha chegado a uma final foi algo muito importante. Ainda tinha mais um ano de contrato, mas resolvi retornar ao Brasil antes do término do meu vínculo em virtude de problemas particulares.
EJ: Há alguma história curiosa sobre o futebol, costumes ou estilo de vida turco? Se adaptou bem àquele país?
M: A adaptação foi muito rápida, pois as duas equipes que joguei tinham brasileiros e isso ajudou demais com a língua e os costumes deles também. Ainda tinha tradutor nas duas equipes que nos ajudavam a entender e se comunicar com o treinador. Lembrando uma história curiosa lá, eles sempre tinham costume de oferecer um doce típico aos atletas, mas eu achava muito ruim. Num evento, o presidente me deu esse doce. Tive que comer e ainda fazer cara que estava bom.
EJ: Qual foi ou é a melhor fase da sua carreira, na sua opinião? Atualmente, no Figueirense, você se tornou um zagueiro mais seguro e líder do elenco?
M: Com certeza minha melhor fase é esta de agora, pois como consegui uma sequência muito boa de jogos sem lesões isso acaba dando confiança. É um ritmo de jogo muito bom que eu não tive praticamente na minha carreira toda devido às lesões. A questão de ser líder, isso é devido à experiência. Sou o jogador mais experiente do grupo e isso acaba sendo natural.
EJ: Vamos falar um pouco de treinadores. Quais foram seus melhores treinadores? Com quem você mais aprendeu? E com quem você teve problemas?
M: Trabalhei com grandes treinadores como Luxemburgo, Leão, Parreira, Tite, Oswaldo de Oliveira e Argel Fucks. Com todos nunca tive problemas e aprendi o máximo que pude com cada um, sempre procurando pegar que cada treinador tinha de melhor.
EJ: Como é o Argel como treinador e pessoa? Ele era um jogador muito enérgico e também passa essa imagem como técnico, mas conhecendo-o melhor, como ele lida com o grupo?
M: Ele é muito enérgico e isso é no dia a dia também. Vejo como uma coisa muito importante. Ele nos cobra diariamente uma intensidade nos treinamentos. Se o jogador não estiver legal para treinar, nem treine porque ele vai cobrar e não vai querer saber o que está acontecendo. Se não fizer, ele cobra. Já vi muitos no dia a dia não cobrar e quando chega no jogo quer cobrar o atleta, sendo que na semana o treinamento foi devagar. O Argel como foi jogador sabe que é difícil trabalhar com bastante jogadores sendo que só jogam 11. Ele procura trabalhar e tratar todos iguais, pois no momento o jogador pode não estar jogando, porém daqui a dois jogos pode decidir uma partida. Então, com isso, ele acaba ganhando o grupo.
EJ: Você projeta jogar futebol com até que idade? Depois que parar, já pensou no que vai fazer da vida?
M: O futuro a Deus pertence. Devido a muitas coisas não imaginava chegar a esse nível que estou hoje com 32 anos. No entanto, estou me cuidando bem mais e pelo o que venho fazendo, principalmente fora de campo, projeto mais uns três anos em alto nível e aí depois vamos ver o que acontece. Quando parar com certeza vou estar envolvido com futebol, pois é o que sempre fiz e não sei e nem conseguiria fazer algo que não estiver envolvido com futebol.
Crédito das fotos: AV Assessoria








