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Infográfico minimalista comparando as marcas Adidas e Puma com os nomes dos fundadores Adi Dassler e Rudolf Dassler divididos por uma linha de ruptura.
Negócios do Esporte

Adidas vs. Puma: Como uma briga de família criou o marketing esportivo moderno

O que acontece quando dois irmãos que revolucionaram o atletismo decidem nunca mais se falar? Para a pequena cidade alemã de Herzogenaurach, a resposta foi uma divisão que durou 60 anos. Para o resto do mundo, o resultado foi o nascimento das duas maiores potências do esporte mundial: Adidas e Puma.

Esta não é apenas uma história de sapatilhas e pódios; é um case de PR e branding que mostra como o ódio familiar moldou a forma como consumimos esporte hoje.


1. O pacto de 1936: Quando o marketing nasceu em Berlim

Antes da rivalidade, havia a união. Na década de 1930, os irmãos Adolf (“Adi”) e Rudolf Dassler geriam uma fábrica de calçados promissora. Foi nas Olimpíadas de 1936 que Adi Dassler cometeu um ato de mestre na comunicação: ele convenceu o lendário Jesse Owens a usar suas sapatilhas de cravo feitas à mão.

Quando Owens conquistou quatro medalhas de ouro diante de Hitler, ele não estava apenas vencendo o preconceito; ele estava validando o produto dos Dassler para o mundo inteiro. Foi o primeiro grande “endorsement” (patrocínio) da história do atletismo.

2. A Ruptura: Um bunker e uma frase mal interpretada

A Segunda Guerra Mundial destruiu a relação dos irmãos. Reza a lenda que, durante um bombardeio, Adi entrou no abrigo onde Rudolf já estava e disse: “Os bastardos voltaram”, referindo-se aos aviões aliados. Rudolf, paranoico, achou que o irmão se referia a ele e sua família.

Eles nunca se perdoaram. Em 1948, a fábrica foi dividida ao meio. Adi criou a Adidas (Adi + Dassler) e Rudolf, após tentar o nome “Ruda”, fundou a Puma.

3. A “Cidade dos Pescoços Curvados”

A rivalidade foi tão intensa que a cidade de Herzogenaurach rachou. Havia padarias para funcionários da Adidas e bares para quem trabalhava na Puma. Casamentos entre membros das duas empresas eram proibidos. As pessoas olhavam primeiro para os pés dos outros antes de dizer “bom dia” — por isso o apelido de Cidade dos Pescoços Curvados.

4. O Pacto Pelé: A traição final na Copa de 70

Para o fã de futebol e atletismo, o ápice da briga aconteceu no México, em 1970. Os irmãos tinham o “Pacto Pelé”: nenhum dos dois assinaria com o Rei para evitar que os preços subissem.

A Puma quebrou o pacto. Na final da Copa, Pelé pediu ao árbitro para amarrar as chuteiras segundos antes do apito inicial. As câmeras do mundo todo focaram no craque amarrando sua Puma King. Foi uma jogada de marketing de guerrilha que deixou a Adidas furiosa e mudou o patamar das marcas para sempre.

Um legado de concorrência pura

A briga só “terminou” oficialmente em 2009, com uma partida de futebol simbólica entre funcionários das duas marcas. Mas o impacto permanece: a Adidas focada na técnica e inovação de Adi, e a Puma no marketing agressivo e lifestyle de Rudolf.

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