Dando sequência às boas entrevistas que o Esquema de Jogo traz a seus ávidos leitores, dessa vez falamos com Jorge Ferreira da Silva, mundialmente conhecido como Palhinha. Marcado pelo enorme sucesso obtido junto ao São Paulo de Telê, o atual treinador do Corinthians USA diz que o convívio com o antigo mestre o deu uma grande base para a profissão que exerce atualmente. Além disso, Palhinha fala sobre sua “sorte” na Libertadores e sobre sua não-convocação para a Copa de 1994.
Confiram a íntegra do bate-papo:
Você saiu do São Paulo para o Cruzeiro por meio de uma troca bem incomum, que foi a ida de cinco jogadores do São Paulo em troca do Belleti e do Serginho. Houve algum tipo de mágoa por isso?
Essa pergunta é muito boa. Eu não fui colocado na troca entre Serginho e Beletti com o Cruzeiro. Os jogadores que foram envolvidos na troca foram: Vitor, Ronaldo Luis, Gilmar, Donizetti e Ailton. Nunca tive mágoa do São Paulo.
Você venceu a Taça Libertadores três vezes (duas pelo São Paulo e uma pelo Cruzeiro). Você se tornou um especialista na competição?
Eu acho que tive a felicidade de estar nos times certos e nos momentos certos.
Você acha que a valorização da Libertadores no Brasil se deu por conta do bicampeonato do São Paulo?
Sim, eu acho que quem de verdade fez valer a Libertadores foi o São Paulo do Telê, porque passou a mostrar aos outros clubes no Brasil que realmente era a competição mais valorizada na nossa região.
Por falar nele, Telê Santana era diferenciado mesmo? Tem alguma história curiosa sobre o tempo que conviveram juntos?
Ele era mesmo diferente em todos os sentidos: como paizão, como professor, como ser responsável, ser profissional e em ser muito chato também (risos). Queria tudo o mais perfeito possível. Ele sempre pegava no meu pé porque eu sempre tinha que fazer melhor que os outros. Além disso, a cada carro que eu comprava eu ganhava uma nova bronca dele (risos).
A convivência com o Telê tem te ajudado de alguma forma na carreira de treinador?
Me ajuda muito em todos os sentidos porque todos acreditam que, por ter trabalhado quatro anos com ele, obtive a base e experiência necessárias para repassar um pouco de tudo que aprendi com o mestre.

Existe muita diferença nos métodos de treinamento da sua época de jogador para hoje?
Existe sim. Hoje os jogadores são muito mais robôs, porque só fazem o que mandam. Praticamente não existe mais a criatividade que tínhamos antes. A liberdade mudou dentro e fora de campo.
O pênalti perdido na final da Libertadores de 94 foi o pior momento da sua carreira? Como foram os dias seguintes àquela partida?
Na verdade, o pior momento na minha carreira de atleta profissional foi não ter participado da Copa do Mundo de 1994, já que fui convocado em todas as listas desde 1992 e só não fui para a Copa. O pior que sei o porquê não fui e isso me atormenta às vezes. Meus dias depois do pênalti foram horríveis, dolorosos mas isso me fez crescer. Se tivesse que bater de novo, eu iria lá e bateria, pois eu era o cobrador oficial de pênaltis do São Paulo e nunca fugiria da minha responsabilidade, como fazem muitos por aí.
Em 1997, o Perrela contratou 17 jogadores, sendo que 4 apenas para a disputa do Mundial no fim do ano. Acha que esse método foi correto?
Eu acho que ele errou em levar os 4 jogadores só para o mundial e não valorizou quem realmente passou todo o período na busca de chegar ao mundial e por isso que o castigo veio e não ganharam.

Atualmente você treina o Corinthians USA. Sobre o futebol dos Estados Unidos, como você avalia o progresso da modalidade no país?
Hoje já é o terceiro esporte do país. Aqui não havia futebol como temos hoje. Todo o dia tem jogos ao vivo na televisão, seja daqui ou do resto do mundo. Os jogos da MLS passam ao vivo às quartas, sábados e domingos. A média de publico é de 45 mil pessoas em qualquer jogo. O ritmo do “soccer” está espetacular por aqui.
Qual foi o melhor time em que jogou? E qual foi o melhor time que viu jogar?
Melhor time que joguei foi o de 1992 do São Paulo. O melhor de todos os tempos, sem comparação foi a seleção brasileira de 1982, esse era demais.
Após encerrar a carreira, você abriu uma clínica de estética na zona leste de São Paulo. Saiu-se tão bem como administrador quanto foi como jogador?
Foi a pior coisa que fiz na vida. Me arrependi e vi de verdade o que muito proprietários passam com seus funcionários. E não estou radicalizando, mas para mim foi horrível a experiência. É bem melhor trabalhar com futebol (risos).
No fim dos anos 90 e início dos anos 2000, surgiu a polêmica com o Danrlei. Já se falaram depois do ocorrido?
Na verdade inventaram essa noticia. Eu nunca tive nada com a esposa dele quando casado. Quando eu a conheci, já era a ex-esposa dele e, ai sim, eu tive um relacionamento de seis anos com ela. Tenho um filho de 12 nos fruto dessa união. Nunca fui amigo dele, nos falávamos o necessário quando jogamos no Grêmio e depois de tudo que falaram não nos falamos mais e nem precisamos falar, né?
Obrigado pela entrevista, Palhinha.
Eu sempre agradeço as pessoas e me sinto muito feliz por ainda ser lembrado. Vocês, por exemplo, me procuraram para essa entrevista. Acredito que isso é um reflexo positivo do que sempre procurei fazer, que era trabalhar e tentar passar às pessoas a alegria que elas tinham de me ver jogar e meu time também, ABRAÇOS em todos e obrigado!!






