Líderes sofrem e Brasileirão reforça que aqui há mais surpresas do que nas grandes ligas.
Líder perde do lanterna, melhor do Brasil sofre no Ceará.
Em outros países, também há grandes surpresas.
Mas são em menor número?
O Liverpool perdeu a segunda maior série invicta da história do Campeonato Inglês contra o Watford, penúltimo colocado da Premier League, em fevereiro.
O Watford saiu do rebaixamento naquela rodada, mas voltou à zona da degola e terminou a temporada relegado à Segunda Divisão.
Na mesma temporada, o Barcelona tornou-se apenas o quinto líder do Campeonato Espanhol a perder de virada para o lanterna, Leganés.
Era apenas a sexta rodada, o que dá peso semelhante à vitória do lanterna, Goiás, sobre o líder Internacional.
Também nos faz pensar que zebras não acontecem só no Brasil.
Tanto que existe a expressão “upset”, em inglês, usada para quando um “underdog” vence o favorito.
Consta que “underdog” foi palavra criada nas lutas de cães nos Estados Unidos, mas virou zebra.
Mas aqui tem coisa demais.
No ano passado, o Palmeiras liderava na décima primeira rodada e muita gente importante dizia que já era campeão brasileiro, mesmo faltando 27 rodadas para o término da campanha.
Em Fortaleza, o Palmeiras começou sua derrocada de sete rodadas seguidas que levou à demissão de Felipão.
Em 2019, o Flamengo levou 3 X 0 do Bahia, num jogo definido como “quem perde para este Bahia não pode ser campeão brasileiro.”
Foi.
O mesmo aconteceu, de maneira mais crítica, quando o Palmeiras de Roger Machado levou 3 X 2 para o Sport, no Allianz Parque.
Mais tarde, o rubro-negro pernambucano foi rebaixado.
Quem perde para time rebaixado não pode ser campeão.
Pode.
O Palmeiras foi, assim como o Liverpool de 2020, depois de cair para o Watford.
Perder não é normal.
Só que grandes campeões perdem para azarões, o que nos dá a perspectiva das razões de terem nascido expressões como “zebra” e “underdog.”
Assim como em 2020, com Watford 3 X 0 Liverpool, em 2012 o Manchester United começou a perder um título ganho ao perder para o décimo nono colocado, o Wigan.
Dirigido por Roberto Martínez, técnico que eliminou o Brasil no comando da Bélgica, na Copa da Rússia, o Wigan começou a derrocada do United, que perdeu a vantagem de sete pontos e virou vice-campeão contra o Manchester City.
Mas o Wigan foi rebaixado.
Esta temporada está fadada a ter mais surpresas, mais times que não conseguem ganhar em casa, entre outras razões, porque aqui há menos qualidade, menos trabalho de longo prazo e também porque, neste ano, houve a mais longa paralisação da história do futebol do Brasil.
Mas também porque aqui há times que não admitem a derrota.
Os campeões estaduais de Pernambuco, Goiás, Paraná, Ceará e Bahia, assim como no Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul, aprenderam a ser grandes. Ao menos, regionalmente.
É por isso que sempre entram em campo sabendo que podem, e precisam, produzir surpresas como as da rodada do final de semana.
Reportagem: Globoesporte.globo.com/blogs/blog-do-pv
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





