Andrés Sanchez: “Não quero outros lucrando sem o Corinthians ganhar”.
Em entrevista exclusiva, presidente justificou notificação feita ao site “Meu Timão”.
O Corinthians voltou mais uma vez às manchetes por conta de uma polêmica.
Na tarde desta terça-feira (9), o clube alvinegro soltou um comunicado afirmando que, a partir de agora, notificará todos os produtores de conteúdo que falam exclusivamente sobre o Corinthians.
A nota, apesar de não citar, tinha endereço certo: o site de notícias “Meu Timão”, que há 11 anos produz conteúdo sobre o Corinthians, tendo se tornado referência em sites que falam especificamente sobre um clube de futebol no Brasil.
No texto, o Corinthians diz que a medida tem como objetivo a “defesa de seus interesses econômicos”.
O caso passou a repercutir bastante nas redes sociais, fazendo surgir um movimento chamado #freemeutimao, condenando a ação iniciada pelo clube.
O “Meu Timão” tem revelado, nos últimos meses, diversas situações desfavoráveis ao Corinthians, como o prejuízo de R$ 177 milhões que o clube teve em 2019, o atraso no pagamento de salários e a derrota em processos judiciais movidos por ex-jogadores.
Na tarde desta quarta-feira (10), o presidente do clube, Andrés Sanchez, conversou com a Máquina do Esporte para tentar justificar a medida tomada.
Por cerca de 10 minutos, o dirigente procurou defender o motivo que o levou a tentar só agora proteger sua marca, mesmo com o site existindo há mais de uma década.
“Quando chegou para mim que o ‘Meu Timão’ havia recebido uma proposta de compra milionária, eu fiquei atento. Só aí fiquei sabendo que eles fazem muito dinheiro com publicidade no site. E nós somos obrigados a defender a marca do Corinthians”, disse Sanchez.
O mandatário do clube afirmou que, com isso, consultou os departamentos de marketing e jurídico, que o aconselharam a notificar o site e outros sobre o uso indevido da marca, quando não há remuneração para ter a licença de usar marcas registradas do clube.
Uma das alegações é que o termo “Timão” é registrado pelo Corinthians.
“Ou se faz o licenciamento, ou tira do ar. Não quero cercear a liberdade de ninguém publicar conteúdo sobre o Corinthians. Desde que venham e façam uma parceria com o clube”, completou.
Procurado pela reportagem, Danilo Augusto, proprietário do site, afirmou que recebeu a notificação do clube, mas rechaçou um acordo para licenciamento de marca.
“Eu não acredito que eu teria liberdade jornalística e editorial a partir do momento que eu seja um parceiro oficial do Corinthians”, afirmou o executivo, que foi mais além:
“Não houve diálogo com o clube até o momento. Chegou apenas a notificação dizendo que estaríamos fazendo o uso ilegal da palavra ‘Timão’. A palavra ‘Timão’ não é uma marca de alto renome e não é registrada integralmente e exclusivamente para o Corinthians. Eles têm o direito em algumas categorias de registro, mas não para a prática de jornalismo, por exemplo. É estranho isso acontecer depois de 11 anos, mas tenho certeza de que o Corinthians, que defende a democracia, vai entender a importância da imprensa livre”, completou Danilo.
Questionado pela reportagem sobre a aplicação da mesma medida de proteção de marca para outros segmentos que exploram símbolos e nomes do clube, como as torcidas organizadas, Andrés Sanchez tentou desvincular os casos.
“Na minha primeira passagem como presidente, dei a autorização para a Gaviões da Fiel usar nossa marca. Porque a torcida não visa o lucro. Por isso já estava, assim como no ano passado concedemos para a Camisa 12”, afirmou o presidente, que foi um dos fundadores da torcida Pavilhão 9 e sempre frequentou a Gaviões da Fiel antes de se tornar dirigente do clube.
A relação do Corinthians com as torcidas é, atualmente, umbilical. Nem mesmo a perda de arrecadação com venda de produtos licenciados e programa de sócio-torcedor incomoda o dirigente.
“A maioria das pessoas da Gaviões também faz parte do sócio-torcedor. Tem um plano feito para a torcida vender”, completou Sanchez, que afirma querer fazer algo similar com os sites que falam exclusivamente sobre o clube.
“Queremos dividir os lucros. Na Europa, se faz muito isso. Não quero que os outros lucrem sem o Corinthians ganhar também”, disse o dirigente.
Questionado se esse pensamento também poderia ser aplicado às emissoras de rádio, que transmitem jogos do clube sem pagar pelos direitos, Sanchez de novo tentou se justificar.
E disse que não brigará por isso sozinho.
“Não vou fazer que nem o Athletico Paranaense. Os direitos de rádio têm que ser uma briga em conjunto. Eu não vou lá proibir a Rádio Jovem Pan de entrar no estádio sozinho. Sempre defendi cobrar, mas só vou fazer isso se outros vierem comigo nessa briga”, finalizou.
Reportagem: Maquinadoesporte.com.br
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





