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FUTEBOL INGLÊS. FIFA. HISTÓRIA. LUTAS.
Análise

Entre as canetas

O Blackburn ganhou um torcedor.

Série “The English Game” mostra como o futebol começou a ser um esporte do povo.

Estamos em tempos de retrospectivas e, antes que o prefeito da sua cidade ponha em risco a segurança dos cidadãos flexibilizando a quarentena no auge da pandemia, vale uma dica de série sobre futebol para quem pode ficar protegido em casa.

E se é pra voltar ao passado, vamos fazer a sério, negócio de século XIX. “The English Game”, em seis capítulos com roteiro de Julian Fellowes, mostra o turning point do futebol, de um esporte restrito aos lordes ingleses para virar um fenômeno das massa.

Claro, com algumas pitadas de boa ficção, porque ninguém é de ferro.

Mas para quem gosta de história e de luta de classes, é um prato sem fundo.

A série se passa nos anos 80… do século retrasado.

Mostra como a F.A. (Football Association, que viraria anos depois a FIFA) entendia que o futebol fora criado pela elite inglesa, para a elite inglesa, e ninguém além dos lordes ingleses poderia sonhar com nada além de servir de sparring para seus times, muito menos pensar em protagonismo.

Comecei a entender porque o futebol é tão resistente a mudanças, os famosos velhinhos da FIFA beberam dessa fonte, sem dúvida.

Até que surge um time, o Darwen, formado pelos operários da fábrica de James Walsh, um sonhador que via no futebol uma chance de alegrar seus comandados, e que para isso burlou a regra vigente ao importar os craque escoceses Fergus Suter e Jimmy Love, o profissionalismo não era aceito pela F.A.

O time começa a vencer e a comunidade local passa a ver os operários como heróis que, através da bola, davam-lhes dignidade e os igualavam aos ricos.

O jogo eficiente do Darwen despertou a consciência social do lorde Arthur Kinnaird, craque do time mais elitista da F.A., o Old Etonians (que já tinha sido uma vez campeão e uma vez vice da Copa da F.A.).

Na temporada de 1882, Kinnaird usou de sua influência com o presidente da entidade (e goleiro dos Etonians) para impedir uma virada de mesa contra o Darwen.

O time dos operários chegou à final, mas o craque Suter havia aceitado uma proposta do Blackburn e, sem foco, jogou mal e não impediu a derrota do Darwen.

Só que o vice foi festejado pela população mais humilde da cidade e o time, ao desembarcar do trem depois da final, foi carregado nos ombros pela massa.

O futebol começava a se transformar num caminho de ascensão social.

Na temporada seguinte, o Blackburn, também com DNA de povo e comandado por Suter, chega à final e, enfim, bate os Etonians e consegue seu primeiro título inglês.

Um título banhado no suor dos operários.

Pitadas de ficção à parte, Suter existiu, o profissionalismo foi aceito dois anos depois, o craque Arthur Kinnaird tornou-se presidente da Football Association e só deixou de sê-lo em 1923, quando morreu.

E o futebol… bem, até onde consta virou o mais popular dos esportes, rompeu as barreiras britânicas e ganhou o planeta.

Ah, direis vós, historiadores, mas o Blackburn retratado na série não existiu de verdade.

Tudo bem, mas a minha alma foi lavada do mesmo jeito.

O Blackburn que existia era o Olympic, e o que existe hoje é o Rovers.

Pouco se me dá…

Depois de ver os seis capítulos de “The English Game” em dois dias, virei torcedor do Blackburn.

Qualquer um deles…

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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