Esquema de Jogo

Colunas, entrevistas, análises e tudo sobre o esporte!

Análise

Empresários, agentes e procuradores de atletas. A culpa é deles!

.

Por que eles são sempre os culpados quando algum jogador vai mal, ou é vendido?

Não é raro vermos jornalistas esportivos condenando atitudes de empresários de atletas. Mas se eles são tão ruins assim por que não são banidos pela FIFA? Pelo contrário. São credenciados pela entidade máxima do futebol mundial. Fomos atrás de dois dos mais reconhecidos empresários do Brasil: Wagner Ribeiro e Márcio Rivellino.

Wagner Ribeiro é sem dúvidas o mais polêmico de todos os empresários brasileiros ligados ao futebol. Por suas mãos passam os melhores jogadores do país. Alguns exemplos são Kaká, Robinho e Neymar.

Márcio Rivelino por sua vez, sempre teve sua vida ligada ao futebol. Filho do dono da “patada atômica” Roberto Rivelino, quase seguiu carreira como jogador.

Como entraram no ramo?

Ambos descobriram o dom por acaso. Wagner Ribeiro conta como aconteceu: “Eu estava em Jaú e tínhamos um candidato a prefeito da cidade. Ele precisava de alguém para cuidar do futebol. Éramos vinte empresários e injetamos 30 mil reais cada no XV de Jaú. Não éramos ligados ao futebol, todos tinham empresas, mas nada ligado ao futebol. No final, o clube não subiu de divisão e o nosso candidato não ganhou a eleição. Quando terminou o campeonato, para nos ressarcimos do prejuízo do investimento, cada empresário ficou com o passe de três jogadores. Um era o França que eu trouxe para o São Paulo, o outro era o Auecione que levei ao Palmeiras e o Sandro que levei para o Coritiba. Desses três, só o França acabou se destacando. Então foi por causa do França que entrei no ramo”.

Márcio Rivelino por sua vez, era muito próximo do futebol: “meu pai nunca quis que eu fosse jogador de futebol. Ele achava que era uma vida muito dura, muito sacrificante. Dizia que a cobrança em cima do nome seria muito forte, como foi. Acabei indo para Miami com meu pai em 1990 e ia voltar para disputar a Taça São Paulo pelo Corinthians. Mas treinando e brincando com os americanos, ganhei uma bolsa de estudos para uma faculdade de lá. Lá eu fiz o curso IB (International Business). Quando eu voltei meu pai estava indo para o Japão ser treinador. Nisso, meu irmão e eu tocamos a escolinha de futebol que ele tem. Com isso, pessoas começaram a me procurar: “eu tô no Juventus, não jogo. Conhece alguém que me ajude? ”Eu sempre gostei de futebol. Decidi que ia me encontrar no futebol em algum ramo. Fui ajudando um, ajudando o outro e fiz um estágio em dois escritórios de agentes, onde eu aprendi o que fazer e o que não fazer, e coloquei na cabeça que queria ser um. Meu sócio Renato jogou no Corinthians, Juventude e no exterior. Coincidentemente viemos a nos reencontrar num desses escritórios. Eu consegui chamá-lo para trabalhar lá. Depois de um tempo, decidimos que estava na hora de carreira solo. Eu acho que na vida, se você for “engessado”, você não consegue nada. Na hora que eu percebi, o futebol tinha me trazido de volta.”

Em relação à idéia que empresários não prestam, Rivelino tem uma opinião interessante: “existem advogados que não prestam, médicos que não prestam, etc. Eu só tenho que fazer as coisas da maneira como eu fui criado”.

Wagner Ribeiro parece ter sofrido mais preconceito por parte das torcidas. “Quando você vende o jogador, eles pensam que o dinheiro é seu. Se tivesse vendido o Neymar por 75 milhões, esse dinheiro seria integralmente do Santos. Não tem nada meu e eles acham que é. Quem teria que me pagar era o Santos e eles nem pagariam nessa condição. de torcedor mesmo. O torcedor quando gosta do clube, a vida dele é o clube. Ele quer ganhar, quer ir ao estádio e ver o time ganhar. Aí quando ele perde um jogador como o Neymar o torcedor fica todo preocupado e pensa que estou tentando enfraquecer o time dele. Ele pensa “já levou o Robinho embora, agora vai levar o Neymar também”. Mas eles se esquecem que o Robinho queria ir embora e o Neymar também, até certo momento, mas depois mudou de idéia”.

Como empresário do técnico Muricy Ramalho, Márcio Rivelino acredita que não há problemas de ter jogadores seus trabalhando com um treinador. “Se eu tenho um jogador de qualidade eu não posso oferecer a um clube treinado por algum treinador agenciado por mim? Por que o preconceito tem que vir contra mim? Todos os meus atletas conhecem o Muricy. É ele quem decide, tanto é que o Borges ficou muito tempo no banco no São Paulo. O Marquinho do Fluminense é representado por mim e estava no clube muito antes do Muricy chegar e está no banco. Ele que tem que se esforçar para ser titular. Essa é a maneira como a minha empresa age e como os meus clientes entendem. Sempre deixo isso bem claro antes de começar a agenciar um atleta”.

Wagner Ribeiro diz que nunca correu atrás de jogador nenhum. “Eu nunca corri atrás de ninguém. Tem um menino de 14 anos do Desportivo Brasil, inclusive dizem que é o novo Kaká. O pai dele veio aqui e disse que o sonho dele é trabalhar comigo. Vou falar não? De graça, não me custa um centavo. Hoje já estou começando a tomar as rédeas dele. Santos quer, Palmeiras quer e o São Paulo quer. O moleque tem 1,85m, 14 anos e chuta com as duas pernas. Vai virar um Kaká? Não sei, mas eu tenho que pegar. Não me custa nada. Da mesma forma que esse garoto chegou agora, um dia chegou o pai do Kaká aí dizendo que eu tinha sido indicado por um amigo dele. Um tempo depois veio o procurador do Robinho dizendo que queria que eu cuidasse dele”.

Ao falar sobre a Lei Pelé, ambos a defenderam e criticaram os clubes: “A lei é boa para o jogador e pronto. Jogador agora não tem mais escravidão. Ele assina um contrato de emprego e trabalha. Acabou o contrato e ele vai embora. Durante o contrato não pode assinar com outra empresa, outro time. Não tem o que fazer. Antigamente, quando acabava o contrato, continuava renovando de maneira interminável”, diz Wagner Ribeiro. Márcio Rivelino possui opinião semelhante: “Antigamente o jogador era “escravo” realmente, e durante muitos anos os clubes se aproveitaram disso. Os jogadores assinavam um contrato de quatro anos, e quando esse contrato acabava o clube te oferecia dois reais a mais, que se você não aceitasse teria que ficar parado durante um ano”.

A conclusão é que não podemos pré-julgar esses profissionais, porque eles defendem os interesses de seus atletas. Afinal de contas, futebol é um negócio.

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Confirme que você não é um robô. *